quarta-feira, 29 de novembro de 2023

FRACASSO

 


Palavra negada embora evidente,

Não encontra lugar em influente,

Pois a visível e adorada profissão,

É centrada na midiática promissão.

 

Algo peculiar do corpo ou da lida,

Explora o ego e sua cotidiana lida,

Com laços afetivos e imaginários,

Para os efervescentes visionários.

 

Auge do narcisismo de nossos dias,

Adoração à imagem das estripulias,

Provoca a ascensão rápida e visível,

Com delírios e a fantasia plausível.

 

Imperativo do sucesso rápido e fácil,

Disfarça fracasso na aparência grácil,

Para ocultar a frustrada vida pessoal,

E ser adorado como êxito sensacional.

 

Mórbida performance perfeccionista,

Não libera baixar imagem de artista,

E acaba produzindo a larga violência,

Reprimida desde uma tenra infância.

 

Pais doentes por filhos superdotados,

Não admitem nem sonhos frustrados,

E superproteção para obter sucesso,

Não educa para lidar com o fracasso.

 

Nos devaneios para poder ser tudo,

Filhos criam cedo ar todo topetudo,

E desejam toda oferta consumista,

Para fazer quanto a fantasia avista.

 

Não capazes de lidar com a solidão,

Levam a vida norteada pela paixão,

Porque não suportam na vida real,

A imagem idealizada como virtual.

 

Não aguentam o êxito concorrente,

Nem respeitam com modo decente,

Pois outro não precisa ser agredido,

Tampouco vingativamente aturdido.

terça-feira, 21 de novembro de 2023

AQUI NÃO É MEU LUGAR

 


Criado em aldeia rural,

De largo cultivo floral,

Fitou cidade sedutora,

Como a luz fascinadora.

 

Adorada como paraíso,

Virou o espaço indeciso,

Para um poder atrevido,

Sob o convívio indevido.

 

Um foco de crescimento,

Sem o social sentimento,

Fica a cada dia mais rico,

E a todo dia mais futrico.

 

Gera segmentos pobres,

Com as elites de nobres,

A viver numa opulência,

Que se torna indecência.

 

 PIB crescente de poucos,

Alarga pobres amoucos,

Alimentados pelos vícios,

Sem projetos e auspícios.

 

As metralhadoras valiosas,

Sem as refeições saborosas,

Requerem a afiliação rígida,

Na guerra estúpida e frígida.

 

As mentes fixas no progresso,

Produzem humano regresso,

Da vivência sem a alteridade,

E crescente impessoalidade.

 

Já os poucos hiper-visíveis,

Criam espetáculos indizíveis,

E mapeiam largas ambições,

Para pobres sem condições.

 

O colapso do confinamento,

Vai sorvendo todo o alento,

Para a convivência cordial,

Precípua da aldeia racional.

 

No chamado bem comum,

Pilhagem sem freio algum,

Move instantâneos lucros,

E relacionamentos xucros.

 

Fracasso do êxito ilimitado,

Sob o comércio disputado,

Aumenta ódio e rivalidade,

Sem melhorar a sociedade.

 

Retorno à aldeia vira sonho,

Ante mundo urbano bisonho,

Pois aponta menos ambição,

E maior chance de interação.

quarta-feira, 15 de novembro de 2023

PERIGO IMINENTE

                       

A tão venerada tecnologia,

Vive crise na sua apologia,

Porque surrupiou o poder,

E briga para não o perder.

 

No avanço das invenções,

Impõe-se sobre as nações,

Com barganhas de guerra,

E no largo lucro se aferra.

 

Nada importa governança,

Nem democrática bonança,

Mas um domínio na venda,

Da sua programada agenda.

 

Bem obcecada pela guerra,

Não liga para quem se ferra,

Mas oferece armas mortais,

Para ajuntar lucros integrais.

 

Enquanto rivais se eliminam,

Os controles se disseminam,

Reconfiguram foco de poder,

Sem sinal de se compadecer.

 

Desequilíbrio da sociedade,

É promulgado sem piedade,

E visível desastre climático,

É ignorado com ar apático.

 

Nas supostas democracias,

Eivadas de largas piratarias,

As governanças populistas,

Criam ares sensacionalistas.

 

Organismos internacionais,

Perderam seus referenciais,

E feitas vozes sem audição,

Vão morrendo de inanição.

 

 As tão horrendas guerras,

Mais do que luta de feras,

Criam ideologias do ódio,

Para um lado do repúdio.

 

Assim, grandes empresas,

Oferecem fartas surpresas,

E primam por rivalidades,

No clima de animosidades.


segunda-feira, 30 de outubro de 2023

BRIGA DE DOIS CACHORRINHOS

 


Enquanto seus ataques e mordidas,

Alargam força raivosa de investidas,

Afetam a adrenalina de assistentes,

Torcendo pelos seus lados valentes.

 

Por que os dois estariam brigando,

Com o suor e sangue se esfalfando?

Atiçados por dois cachorros grandes,

Foram feitos amoucos de suas lindes.

 

Apontam um fracasso da cachorrada,

Pois política dos fortes em derrocada,

Estimula contra genuíno elã dos cães,

Para aumentar suas táticas charlatães.

 

Produzem e nutrem horrenda guerra,

E antecipam pretensão da sua porra,

Com informações falsas e caluniosas,

E preconceitos de apelações raivosas.

 

Sob o enlace da política com guerra,

Sempre focam o outro que emperra,

Seu interesse de domínio territorial,

E alargamento de controle material.

 

Assim a morte de inimigos supostos,

Preço necessário para elevar postos,

É justificada e legitimada como justa,

Ante a cachorrada raivosa e terrorista.

 

O confronto dos pequeninos em luta,

Abastecido como ação mais impoluta,

Depende sempre de objetivo político,

A defender morte por ejo despótico.

 

Mais perversa do que luta sangrenta,

É a publicidade e insinuação birrenta,

Que é reiterada por ambição política,

E desvirtua toda convivência pacífica.

 

Para o conforto da vida de poucos,

Precisam morrer muitos amoucos,

Num altar nacionalista patriótico,

Dos que agem no poder psicótico.

 

 

quinta-feira, 26 de outubro de 2023

BAJULADORES E BAJULADOS

 

 

Neste círculo abjeto e vicioso,

Cruza muito veneno perigoso,

Que muda e contagia relações,

Com falsas e ocultas intenções.

 

Faltam ouvidos para captarem,

Conversas sebosas a gorjearem,

Cantigas onduladas de lisonjas,

Enfeitadas de úmidas esponjas.

 

Os desejosos de ascensão social,

Cultivam esta tática primordial,

De exibir a máscara bajuladora,

Para interatividade mitigadora.

 

O combustível para vantagem,

Dessa procrastinada tietagem,

Enche as bocas de palavreados,

Objetivando egóticos legados.

 

Atrai bajuladores aos bajulados,

Que escondem os reais legados,

De relações sem fins genuínos,

Para prevalecerem os mufinos.

 

Geram ilusões nas autoridades,

Pois não importam idoneidades,

Mas alcançar prestígio e poder,

Num egoísta plano de ascender.

 

Na aparência toda camuflada,

Sob uma gentileza irrefutada,

Subjaz a malícia interesseira,

Para uma elevação altaneira.

 

Mecanismo de lida relacional,

Reflete couraça convencional,

De proteção de alguma crítica,

Para alçar a vantagem política.

 

segunda-feira, 23 de outubro de 2023

ATRIBUIÇÕES DE CULPA

  

Cada dia mais comuns e banais,

Na narrativa de grandes jornais,

Todas visam punição ao fautor,

Para condená-lo como pecador.

 

Outro, projetado como inimigo,

Merece o ódio de arquiinimigo,

Para ser perseguido e morto,

Sem piedades e sem conforto.

 

De forma similar às lavouras,

Semeiam-se armas e tesouras,

Para perpetrar perseguições,

E aplicar perversas imposições.

 

Dos frutos do ódio cultivado,

Destila-se o delírio adoidado,

Para eliminar todo adversário,

Visto como desumano falsário.

 

Em foco deslocado no inimigo,

Não se afinar no cruel castigo,

Gera ódio e a pecha de traição,

A não coesos com perseguição.

 

Nos inauditos cultivos do ódio,

Crescem as armas com assédio,

Para corroborar as vinganças,

Com crueldades e lambanças.

 

Na guerra desumana e cruel,

Não existe lei e nem aranzel,

Porque todos são obrigados,

A defender um dos dois lados.

 

Nesta imposição toda violenta,

De larga comunicação nojenta,

Incita-se ódio a qualquer preço,

Ao imaginado réu de desapreço.

 

Para justificar abjeta violência,

De lideranças da pífia demência,

Pessoas de índole boa e cordial,

Fenecem em violência colossal.

 

 

 

quarta-feira, 18 de outubro de 2023

ÓDIO ECUMÊNICO

 

Tão visível e endêmico,

O organismo sistêmico,

Toma o rumo contrário,

Do religioso itinerário.

 

Boa aposta em diálogo,

O estranho monólogo,

Não gesta entusiasmo,

No hodierno marasmo.

 

Nos fundamentalismos,

E radicais extremismos,

Religiões parindo ódio,

Proliferam no repúdio.

 

Para vencer o inimigo,

Imputam largo castigo,

E em nome dum Deus,

Sem sabores camafeus;

 

Com ódio e perseguição,

E raivosa procrastinação,

Querem eliminar inimigo,

E obriga-lo ao desabrigo.

 

Sob a voz da sua batalha,

Não submisso, é canalha,

A merecer duro inferno,

Para tempo sempiterno.

 

Ao casarem fé com fuzil,

E pregação com esmeril,

Sentem-se autorizados,

A matar estigmatizados.

 

Longe dum ecumenismo,

Cultivam sádico cinismo,

Sem visar reciprocidade,

Ou respeito à alteridade.

 

Assim o crime e religião,

Pactuam a estável união,

Contra diálogo e escuta,

Para impor a força bruta.

 

O olhar e a palavra dura,

Desprovido de candura,

Incita contra um inimigo,

Visto como pérfido imigo.

 

 

 

<center>O ANIMAL DO ÓDIO CRUEL</center>

  Altamente racional, ágil, e dominador, Na luta renhida do ativismo usurpador, Está o ser humano como hegemônico, Em seu estranho p...