quarta-feira, 6 de outubro de 2021

O TEMIDO

 

 

Antiga roupagem sacralizada,

Avivou a noção disparatada,

Que fez desandar a imagem,

Da bem cultivada miragem.

 

Debaixo da veste identidária,

A nobre função missionária,

Envolvia a figura sacerdotal,

Com a sacralidade magistral.

 

Numa excessiva sacralização,

Abriu-se pérfida contradição,

A revelar efeitos clericalistas,

De falsas imagens integristas.

 

Movidos na conduta agressiva,

A conquista bem intempestiva,

Apontava ascensão de carreira,

Na intelectualização guerreira.

 

Mais que equilíbrio emocional,

Pesava a conquista intelectual,

E a imagem do bom celibatário,

Num límpido e ilibado itinerário.

 

O escancaramento dos abusos,

Revelou ocultamentos escusos,

Da figura e imagem intocável,

Para a fraqueza nada confiável.

 

O “Alter Christus” da erudição,

Totalmente aquém da condição,

Revela-se um ser contraditório,

De esmilingüido nível meritório.

 

Refratário da condição comum,

A sua peculiaridade incomum,

Associa-se à queda do andaime,

Com rosto escondido no açaime.

 

Sem o poder da pregação moral,

Sua vulnerabilidade tão normal,

Requer outro perfil de proteção,

Para parar com a estranha ação.

 

Abusos sob batina de aparência,

Não podem ocultar a indecência,

Da doentia patologia clericalista,

Com o simulacro sensacionalista.

 

 

 

 

terça-feira, 5 de outubro de 2021

O PADRE SACRALIZADO

 

 

Sem referencial a Cristo,

É para muitos malquisto,

Porque não segue gosto,

De um específico arrosto.

 

Bajula-se quem justifica,

Modo que nada edifica,

Mas agrado a um grupo,

Que deseja muito apupo.

 

Cooptado por interesse,

É fadado a desinteresse,

Se questionar denodos,

Dos fanatizados apodos.

 

Feito um ser separado,

Estranho por todo lado,

Sem pertença a gênero,

Pode apenas ser vênero.

 

Deve ser dessexualizado,

E pregar todo acoimado,

Discurso heteroafetivo,

Como agradável lenitivo.

 

O perfil bem delineado,

Vindo de longo legado,

Esconde-o num armário,

De gosto muito sectário.

 

Ao camuflar-se na batina,

Aparenta condição divina,

E disfarça conduta sexual,

Como dote sobrenatural.

 

Ante pedocriminalidade,

Equivale a cumplicidade,

Que escandaliza e oculta,

E reflete atitude estulta.

 

Sem inovada identidade,

A sua suposta santidade,

Aufere poderes e honra,

Sem esconder a desonra.

 

Hipervalorizado na posse,

Como um sucesso precoce,

Sem a discreta humildade,

Esnoba-se em rara vaidade.

 

Adoração à personalidade,

Eleva com fina publicidade,

A apoteose do sacerdócio,

Como o adorável negócio.

 

Na falsa imagem poderosa,

Some serviçalidade bondosa,

Idolatra-se o patamar clerical,

Sem anúncio profético radical.

 

 

 

sábado, 2 de outubro de 2021

AÇÃO PRESBITERAL

 

 

Resquícios de imagem arcaica,

E de antiga conversa prosaica,

Criaram a imagem anacrônica,

Desta estranha figura icônica.

 

Esvaziado na sua função social,

E estranho no mundo cultural,

Sente-se na deriva da solidão,

Sem motivo para a disposição.

 

A vida solitária com frustração,

Aporta o rol da compensação,

Para encastelar-se no sagrado,

Sem afetar o humano legado.

 

Celebrações litúrgicas formais,

Esvaziam interações essenciais,

E denigrem o seu espaço vital,

E lhe causam dissabor fulcral.

 

O preparo para ação na massa,

Deixa-o hoje com pouca graça,

Para recriar no seu sacerdócio,

O serviço, sem deturpado ócio.

 

O perfil que almeja ser padre,

Não é o de ser bom compadre,

Mas de regurgitações integristas,

De aparências sensacionalistas.

 

Focado pela volta a outro tempo,

Constitui-se o duro contratempo,

Pois, move-se por outros valores,

Dos estranhos e velhos pendores.

 

No gosto pelo regresso evolutivo,

Encontra um encantado lenitivo,

Que, cego aos sinais dos tempos,

Enleva em inócuos entretempos.

 

A percepção da busca do sagrado,

Revela-se moralista e mui regrado,

De militantes bem armamentistas,

A consagrar os encantos fascistas.

 

Produzem fé devocional e indolor,

Como se fosse algo bem superior,

À razão da esperança redentora,

Desta infra-humana ação gestora.

 

 

EXCEPCIONAL DA MÍDIA

 

Nem o comum do cotidiano,

Mas a notoriedade do ufano,

Tornam célebre o espetáculo,

E o divulgam como tentáculo.

 

Mundo de troféus e medalhas,

De ralas bajulações e bedalhas,

Auferem títulos e as honrarias,

Com sobejas e falsas cortesias.

 

Importam modas e músculos,

Até sob os valores minúsculos,

Desde que produzam sucesso,

Para amplo e devotado acesso.

 

Fato avesso do mundo injusto,

Torna-se argumento robusto,

Para iludir senso justo e reto,

E seduzir ao consumo abjeto.

 

Informes de crimes e assaltos,

Enfatizam fartos sobressaltos,

Que comovem espectadores,

E alargam seus fartos pavores.

 

O anúncio do fato excepcional,

Protelado sob tática passional,

Prende sob espera frustrante,

O possível fato emocionante.

 

Sobra a dependência atrelada,

A uma veiculação controlada,

Para um conformismo passivo,

E um largo processo imitativo.

 

 

 

 

 

 

segunda-feira, 20 de setembro de 2021

O REVERENDO

 

Da dignidade de reverência,

Sobrou a estranha sofrência,

E sua roupagem anacrônica,

Enseja imagem histriônica.

 

A perda do sentido religioso,

Volatizou o perfil prodigioso,

E ele se vê na beira do inútil,

Como um produto social fútil.

 

Formatado numa visão arcaica,

Distante da interação prosaica,

Vagueia na beirada da solidão,

Claudicante na dura sequidão.

 

Seu destacado papel religioso,

Deixou de ser algo prestigioso,

E o sentimento de frustração,

O direciona para a prostração.

 

Neste mundo desencantado,

Surge tentação por todo lado,

Para compensações afetivas,

E as ambíguas fugas lenitivas.

 

Preso a formalismo religioso,

Vê seu espaço tão fastigioso,

Evaporar-se sem deixar sinais,

A levar suas motivações vitais.

 

A velha razão de cristandade,

Já não desperta sua lealdade,

Porque seus parceiros de lida,

Sequer inovam razão de vida.

 

Tentação de recuperar poder,

Não aponta digno transcender,

E nem regurgitação integrista,

Assegura uma plausível pista.

 

Luz da espiritualidade autêntica,

Aponta-lhe uma realidade ôntica,

Para ser discípulo do crucificado,

E com ele deixar discreto legado.

 

Sem proezas de dominar massas,

Procura nas origens novas graças,

Para vivenciar uma rica tradição,

Para ínfimos sinais de redenção.

 


sexta-feira, 10 de setembro de 2021

RENÚNCIA AO EGO PRETENSIOSO

 


Cultivo do espírito guerreiro,

E luta pelo poder derradeiro,

Absorvem as energias vitais,

E produzem inimizades rivais.

 

O alto cultivo de pretensões,

Alarga espaço de presunções,

Para uma imagem irreal de si,

Com agressiva postura frenesi.

 

Se o ego tomar o lugar do eu,

Na dupla conduta de fariseu,

Deixa de produzir comunhão,

E afasta com ares de canhão.

 

Leva ao controle das pessoas,

E as falsas elucubrações boas,

Apenas dominam e expoliam,

E o pior de tudo: discriminam.

 

Suas maquinações escondem,

E as suas ações desprendem,

Os laços afetivos de pertença,

Para alargar muita desavença.

 

Neste ego livre e desandado,

Sem o lugar para discipulado,

Sobram apenas as ambições,

E disparatadas contradições.

 

Assim carregar a cruz da vida,

Significa compromisso e lida,

Para mobilização humanitária,

E uma preocupação solidária.

 

Desbaratar o ego pretensioso,

Constitui um projeto valioso,

Para uma disposição interior,

Que irradia apreciado fervor.

 

 

sábado, 4 de setembro de 2021

EXPECTADORES DA EUCARISTIA

 

 

Imitação de programas televisivos,

Trouxe novos patamares lenitivos,

Para animar assembleias reunidas,

Acomodadas em costumeiras lidas.

 

Similares aos espetáculos teatrais,

Desde já antigos tempos ancestrais,

Celebrações eucarísticos desejadas,

Interessam como damas cortejadas.

 

Alguns ainda a exigem como direito,

Para firmar o autorreferencial preito,

Da veneração intimista e agradável,

Desta sua fé superior e inarredável.

 

No perfil de celebrantes escolhidos,

Servem apenas figurantes definidos,

Pelo seu modo de vestir e celebrar,

Para um bom momento se aquilatar.

 

Numa condição de ter que agradar,

Um celebrante tenderá a degradar,

Toda oração da assembleia reunida,

Para enaltecer a sua arte brunida.

 

Como o dono do momento orante,

Deixa a assembleia só expectante,

Do que anima como ator do altar,

Para o elevado clímax de encantar.

 

Até a equipe de canto se esmera,

Para ser o destaque na sua esfera,

Afim de que ninguém cante junto,

Mas assista o apreciável conjunto.

 

O espetáculo sem razão memorial,

Acaba mera apresentação teatral,

E para tanto um cenário colorido,

Dispensa qualquer apelo dolorido.

 

O espetáculo como entretenimento,

Anestesia todo o clamor de alento,

E interpela para emoção agradável,

Sem um compromisso responsável.

 

 

 

 

 

<center>O ANIMAL DO ÓDIO CRUEL</center>

  Altamente racional, ágil, e dominador, Na luta renhida do ativismo usurpador, Está o ser humano como hegemônico, Em seu estranho p...