quinta-feira, 14 de fevereiro de 2019

O PODER DE NOMEAR





Já antes do manejo dos pronomes,
As crianças auferem belos nomes,
Às bonecas e aos variados animais,
                                         E se apossam como donas literais.

Adultos seguem similar patranha,
E fruem de congêneres na manha,
Delimitando-os aos objetos de uso,
Para todo e variado tipo de abuso.

Sem pensar complementariedade,
Arrogam-se larga arbitrariedade,
De sequer respeitar a mãe Terra,
Nem a seus filhos em dura guerra.

Inteligentes filhos da humanidade,
Desencadearam pérfida insanidade,
E conhecem, nomeiam e dominam,
Sem assumir o quanto incriminam.

Tratam de formas muito desiguais,
E por isso vivem arrumando rivais,
E lidam explorando a inferioridade,
Longe de assumir a larga maldade.

Ignoram que são da mesma argila,
Da qual matam o hálito que sibila;
Afogam as inaladas do bom-senso,
E incorrem num humano descenso.

Ao dominar sem responsabilidade,
Degradam a culminância da idade,
E forçam a história que se inclina,
Para uma bem desenchavida sina.




quarta-feira, 13 de fevereiro de 2019

A ÁRVORE DO BEM E DO MAL




Vetusta interpretação religiosa,
Inquietada pela ação maldosa,
Da ganância humana perversa,
Ilustra nossa maldade dispersa.

Desejo de ocupar lugar superior,
Com a gana de roubar o inferior,
E no desrespeito à vida humana,
Denigre a natureza e a profana.

Descaso diante dos eco-sistemas,
Tira a vida e causa os problemas,
Da argila já sem o hálito de vida,
Que deixa nossa condição ferida.

Cultivo do solo sem ar de jardim,
Rouba todo perfume do jasmim,
E aflige a vida familiar e coletiva,
E a deixa em guerra tão reativa.

Teria Deus planejado a ganância,
Como traço de subida elegância,
Para o mando e desmando geral,
Fazendo de cada ser um general?

A sorte humana longe do Éden,
Lembra as ambições que fedem,
Sob o conhecimento da maldade,
E nos desencontros à saciedade.

Imagem do Éden mesopotâmico,
Ante o ambicioso perfil adâmico,
É revivido pelo homem moderno,
De ganancioso anseio sempiterno.






sexta-feira, 8 de fevereiro de 2019

PODER DO ESPETÁCULO




Um aporte de muito tentáculo,
Abastece a mídia do espetáculo,
Para os sedentos consumidores,
Que esperam amplos penhores.

A valorização da personalidade,
Explorada com larga saciedade,
Produz os políticos simpáticos,
E os orienta a serem enfáticos.

Alertados sobre o que expressar,
E quais palavras mais ressaltar,
Com os gestos bem ponderados,
Fruem agrado de vastos legados.

A boa orquestração publicitária,
Garante um ascensão ordinária,
Para difundir política espetacular,
Celebrizando um sujeito peculiar.

Importa muito o enredo pessoal,
Pintado como novela sensacional,
Para apaixonar o sonho delirado,
E apostar no imagético dourado.

Com imagem política construída,
Substitui-se na intimidade ferida,
O alcance mirabolante do herói,
Que nada edifica e nada constrói.

Já é o mito central do espetáculo,
Que seduz com mágico tentáculo,
E desencadeia o devaneio airoso,
De quem faz de modo primoroso.

Distante dos poderes de execução,
Ele encanta com radiante sedução,
Com seu jeito pitoresco de agradar,
Sem nada de solução para apontar.



A ADORAÇÃO DO PRAZER





Da incomum estimulação do prazer
Associada ao máximo de bom lazer,
Engendram-se inumeráveis normas,
Para o desempenho de boas formas.

Como vilão do máximo desempenho,
O prazer requer provas de empenho,
E causa estresse e larga degradação,
Sem chegar à mais gostosa sensação.

O auge do prazer cantado aos ventos,
Embala desejos de amplos portentos,
Sem reduzir a ansiedade e depressão,
Ampliados em cumulativa progressão.

A mobilização pelo prazer já perdido,
Na ânsia, rouba até o último gemido,
E deixa a conta do mal-estar interno,
Na dívida desconfortável de inferno.

Tanto hedonismo de máximo prazer,
Dissemina nos deprimidos do lazer,
A baixa auto-estima e a impotência,
Sem corresponder à dura exigência.

Enquanto objetos, menos pesados,
Reduzem muito os físicos enfados,
A leveza do prazer invade a mente,
E a povoa com fardo contundente:

O desempenho não pode diminuir,
Mas, deve constantemente evoluir,
E fomentar os melhores prazeres,
Tarefa dos mais perversos deveres.








quinta-feira, 7 de fevereiro de 2019

CHINELO TORTO




Esmaecido pelo uso prolongado,
Acabou entortado para um lado,
Mas não degradou seu conforto,
Nem deixou de ser seguro porto.

Não perdeu original elasticidade,
E revelou na aguda plasticidade,
A função de segurança e garantia,
Para boas andanças de cada dia.

Não briga por nenhuma vantagem,
E nem faz da chinelada a miragem,
Para atordoar justificados medos,
E ampliar seus dramáticos enredos.

Se por vezes anda pelo pé trocado,
Não constitui nenhum ato malvado,
Mas somente o mau humor irritado,
Do dono que acordou todo exaltado.

Larga praticidade no uso doméstico,
Aufere-lhe um sensual ar pernóstico,
Que ornamenta pé bem defeituoso,
Sem a fraqueza dum olhar invejoso.

Na maciez da sua bela constituição,
Deslinda a singeleza da sua feição,
Que ocupa a base de sustentação,
De muita humana perambulação.

Deixado de lado nos atos solenes,
Alarga nas quietudes tão perenes,
A humildade serviçal e prestimosa,
Sempre bem contagiante e radiosa.




PEDRA POLIDA





Aqui estás pedra dura,
Polida e sem ranhura,
Silenciosa e misteriosa,
Mais que vetusta idosa.

Teu enigma do tempo,
Revela o passatempo,
Na mão de braço forte,
Para gerir novo aporte.

No longínquo neolítico,
De imenso afã político,
Eras o rico instrumento,
Para ambicioso intento.

Quanto tronco lascaste,
Sem revelar o desgaste,
Está no segredo distante,
Sem mover eco ressoante.

Talvez crânios rachados,
Tenham somado legados,
Das caçadas destemidas,
E de contendas renhidas.

Espaço no mato aberto,
Deves ter visto de perto,
Mediando alimentação,
Da humana organização.

Teu formato de machado,
Despertou ao ser achado,
Olhar de ícone misterioso,
De um tempo prodigioso.

Segredos pouco revelados,
Nestes milênios passados,
Ativam larga curiosidade,
Para fruir sua sagacidade.


DESPOJAMENTO DE COISAS





Cultivado como virtude,
Para facilitar solicitude,
Ficou à beira do desejo,
E sem o rumo de ensejo.

Sem despertar um alento,
Para um solidário intento,
Ele resiste sem boa fama,
E não sente quem o ama.

Importa o seu contrário,
De vasto agir temerário,
Para defraudar e possuir,
O possível de se usufruir.

Assim bolsas entulhadas,
Com tralhas misturadas,
Requerem todo cuidado,
E, atento para todo lado.

Na atenção aos objetos,
Dos símbolos prediletos,
Desloca-se todo o afeto,
Sobre supérfluo objeto.

Some tempo da atenção,
Para nobreza do coração,
Exalar grandeza de vida,
 Sensível na lida padecida.

Sob um desleixado afeto,
O valioso senso discreto,
Da empatia do coração,
Perde sua consternação.







<center>O ANIMAL DO ÓDIO CRUEL</center>

  Altamente racional, ágil, e dominador, Na luta renhida do ativismo usurpador, Está o ser humano como hegemônico, Em seu estranho p...