quinta-feira, 24 de novembro de 2016

Cantilena nostálgica



Na viola das cordas frouxas,
Ladeada com tantas trouxas,
Os sons lentos e lamuriosos,
 Repercutem pouco graciosos.

Hinos de uma espera mágica,
Para mudar uma vida trágica,
Do Espírito tão eficaz na ação,
Sustentam passiva resignação.

As cantilenas tristes e repetidas,
Parecem acalantar boas medidas,
A promanarem de alturas celestes,
Para ações eficazes e incontestes.

Pede-se muito ao Espírito Santo,
Para livrar a vida do desencanto,
E canta-se insistente aclamação,
Sem um caminho de libertação.

Já não ecoa um estado da alma,
A desejar uma força que acalma,
Para eficaz lida com problemas,
E conquistar outros emblemas.

Se mantras ecoam nas cantigas,
Para acalantar imagens antigas,
Talvez falte o olhar do sentido,
Para superar o tempo aturdido.


quarta-feira, 23 de novembro de 2016

Lampejos de esperança



Quando pouca coisa alenta,
Nesta lida árida e sedenta,
Ecoam clamores vigorosos,
Pelos serviçais prestimosos.

As ponderadas regras justas,
Às duras e demoradas custas,
Apontam lampejos de juízo,
Aos pobres do triste prejuízo.

Iludidos pelos fautores da lei,
Passivos no meio da sua grei,
Já cansados de esperar justiça,
Continuam vítimas da cobiça.

Alguns já transcendem a sina,
Do que a oficialidade ensina,
E clamam pelos seus direitos,
Perante institucionais defeitos.

Mesmo assim, a velha mania,
Os atrela à cruel cleptomania,
Do silencio pelo voto vendido,
Ao esperto não comprometido.

O dia em que uma palavra dada,
Não requer pagamento de nada,
Um voto de confiança auferido,
Poderá elidir corrupto atrevido.




terça-feira, 22 de novembro de 2016

Cavalo da fantasia



Coisa que eu tanto queria:
Ter um cabo de vassoura,
Como cavalo da alegria,
E com força duradoura.

Andar por belos caminhos,
De leveza e luz fantasiosa,
Sem obstáculos daninhos,
E sem disputa imperiosa.

Marchar, trotear e correr,
No vigoroso afã do sonho,
Do cabo roliço a percorrer,
Caminho nada enfadonho.

Da bela missão exuberante,
De galopar em mundo real,
A fantasia nada extenuante,
Criava um belo referencial.

O cantar vindo da empolgação,
Captava da natureza vicejante,
Rica sintonia de divina ação,
Ao hábil cavaleiro viajante.


Feliz, laçava valentes animais,
E amestrava seu cavalo veloz,
A energetizar as forças vitais,
Para uma lida nada atroz.








segunda-feira, 21 de novembro de 2016

Tsunamis emocionais



Como ondas quebram sua normalidade,
Com efeitos de devastação e fatalidade,
A homeostase das emoções agradáveis,
É surpreendida por fatos desagradáveis.

Os imprevistos que devastam emoções,
Aparecem como as repentinas monções,
E ao encharcarem toda firmeza do chão,
Afundam a estabilidade sem compaixão.

Neste desconfortável infortúnio mental,
Um perfil de insegurança monumental,
Anda solto pelo sentimento dilacerado,
Sem apontar para viável luz de agrado.

A reorganização das novas motivações,
Nem sempre encontra boas inovações,
Para substituir as perdas tão preciosas,
Por outras razões de apostas exitosas.

A dor dói mais quando o desmonte,
Veio de maldoso e traçado vergonte,
Que articulou e efetuou a devastação,
Somente para favorecer sua ambição.

Nesta trágica condição resta esperar,
Que a reconstrução ajude a prosperar,
Para que as outras similares a ocorrer,
Oportunizem forças para não morrer.



sábado, 19 de novembro de 2016

Reino de um crucificado



Um paradoxo sem precedentes,
Redimensionou reinos vigentes,
Na elevação humilhada da cruz,
Para indicar um reino que seduz:

De uma realeza precípua de rei,
O colegiado de organizada grei,
Ativaria uma força messiânica,
Contra a prepotência satânica.

Na cruz brilhou a contradição,
Aos reinados sem efetivação,
De alento aos desamparados,
E gestos a pobres injustiçados.

O reino de Deus como reinado,
Dava aos excluídos um legado,
De participar da ação solidária,
E erigir sociedade comunitária.

Na realeza messiânica de Jesus,
Aponta-se caminho que produz,
O avesso de despóticos reinados,
Prenhes de corruptores safados.

O preço da pendência no madeiro,
Resultou de um amor verdadeiro,
Sem os vitimalismos de inocentes,
Do alvitre de reinados indecentes.






sexta-feira, 18 de novembro de 2016

Propósitos e sinais na governança




            Sabemos mais do que o suficiente a respeito das táticas dos pretendentes a cargos de governança em todos os níveis da organização social, seja civil ou religiosa. Apresentam o melhor do que desejamos ouvir, mas, o exercício normalmente tende engolir, sem demora, todos os bons propósitos.
            Uma antiga história bíblica lembra muito bem esta peculiaridade do desejo de mandar. O povo de Israel andava insatisfeito com o modo como os juízes o governavam. Ao constatar que outros países tinham reis, pressupôs que, com um rei, a vida daquele país também poderia ser melhor. Elegerem Davi como rei e ele, com rigidez férrea, conseguiu aglutinar as doze tribos de Israel para uma unidade nacional. Mesmo assim, os grandes anseios populares ficaram relegados. Veio o fracasso e a derrocada.
            Muitos séculos mais tarde, já sem autonomia nacional, o povo ainda lembrava com saudosismo o reinado de Davi, porque, com ele, constituíram uma nação. No desejo de restauração da almejada unidade nacional, esperavam um novo rei. Na figura de Jesus de Nazaré e na sua lida agregadora de multidões, emergiu uma esperança de que ele poderia reimplantar a condição de um bom governo sob a tutela de Deus, como Davi havia desejado na sua posse: fazer o melhor possível para o povo como um bom secretário de Deus.
            Nas expectativas políticas, até de discípulos muito próximos de Jesus Cristo, acalentavam-se cargos de precedência sob o seu reinado, um possível grande rei de Israel. Tanto as atitudes quanto as orientações de Jesus Cristo, não incidiam com esta esperança, mas, ele falava da proximidade de um novo reinado, porém, o reinado de Deus, que já se manifestava no meio do povo de Israel. Era o seu agir que indicava um modo de ser totalmente novo em relação aos saudosismos antigos e reativados diante das crises de dependência que o povo vivia, pois, estava atrelado ao império romano.
            Para decepção e o desencanto de muitos, Jesus, em vez da posse como rei, foi elevado numa cruz sob a acusação de ser subversivo, agitador do povo e desestabilizador da religião oficial. No entanto, desta elevação humilhante, culminou a revelação de um amor profundo pela condição humana. Na coerência do que Jesus fez e orientou estava a perspectiva do reinado de Deus, pelo caminho da cruz e das condições humanitárias que o levaram à morte numa cruz. Assim, a cruz se tornou um ícone para lembrar um caminho de vida que permite Deus estar no meio de nós.

            A encarnação do modo de ser de Jesus Cristo aponta não para um reinado tirânico de precedência, mas, para um modo de reconciliação entre as pessoas e com Deus. É mais do que uma grandeza meramente humana e de ambições ideológicas dos diferentes caminhos para chegar às honras de poder reinar sobre outros. Trata-se mais da adesão para um caminho humano capaz de vencer o ódio e a divisão em torno de interesses quer pessoais ou grupais.

quinta-feira, 17 de novembro de 2016

O solitário



Refém da gaiola que o tempo fabricou,
Vive do desejo infantil que já desabou,
De que a retidão mudaria seu entorno,
E o mundo humano teria belo contorno.

A solidariedade e o bom entendimento,
Perpassariam como altivo monumento,
Toda a inovação da condição humana,
Para sacralizar toda a realidade profana.

O caminho da escola revelou-se cruel,
E a vivência religiosa contrária da fiel,
Revelou suas ambições sutis de poder,
E traiçoeiras batalhas para sobreviver.

O alcance de patamares humanitários,
Capaz de deixar a todos bem solidários,
Revelou somente disputa pelo ascender,
Longe do caminho de se condescender.

No mimetismo das boas ações visadas,
Reina a luta vil de pretensões ousadas,
Para desfrutar de honra e precedência,
Distante da compaixão e da clemência.

A solidária partilha vira apenas imagem,
Que aparenta sob a ostensiva roupagem,
Um mundo de um salutar entendimento,

Mas que não reflete o real acolhimento.

<center>O ANIMAL DO ÓDIO CRUEL</center>

  Altamente racional, ágil, e dominador, Na luta renhida do ativismo usurpador, Está o ser humano como hegemônico, Em seu estranho p...