terça-feira, 16 de fevereiro de 2016

Precocidade



Há quase um século, Aldous Huxley preconizava,
Diante da revolução industrial que se alargava:
A hiptotecnia para o desenvolvimento intelectual,
E a precocidade das crianças na atividade sexual.

Uma observação de desinteresse aos quatro anos,
Sem prática sexual indicavam os mórbidos danos,
A requerer tratamento para estimular e aprender,
A ter amor pelo consumo deste rotineiro proceder.

Definição pelo traço masculino, neutro ou feminino,
Seria produto de laboratório, sábio ou bem cretino,
Mas, recheado de pílulas para os prazeres variados,
Na fruição da execução ao que foram programados.

O fundamental seria de um óvulo produzir milhares,
E gestá-los em laboratório para os fins elementares,
Para atender uma demanda da rotineira produção,
Dos produtos de consumo de interminável sedução.

Alguns donos responsáveis pelo controle humano,
Controlariam vasta oferta de serviço vil e insano,
Desenvolvido sem perspectiva de maior satisfação,
Pois para isso disporia de pílulas em vasta profusão.


sexta-feira, 12 de fevereiro de 2016

Nas concupiscências da vida



            Se os ambientes sociais nos ensinam a buscar gozo intenso na apropriação de bens, sejam eles materiais ou de satisfação dos apetites sexuais, somos, cada dia mais, despertados para nos tornar concupiscentes, porque a tal condição se associa o alcance da felicidade. E quem não quer ser mais feliz?
            Não precisamos nem sequer culpar o capeta porque o ambiente social e humano é quem nos leva a verdadeira obsessão pela concupiscência. Trata-se, pois, de não combatê-la por atos mágicos, exorcismos e de exploração de transes emocionais e supostamente milagreiros, mas, de um discernimento capaz de evitar que a concupiscência tome conta da vida.
            No evangelho de Lucas consta (4,1-13) que Jesus sentiu as tentações depois de ser batizado. O evangelista relacionou a lida com as tentações da concupiscência à condição da história humana, pois entendeu que, desde as suas raízes humanas, a concupiscência sempre foi cultivada entre as pessoas. Por isso, Jesus, simbolizado no novo Adão, e, que também vivenciou a concupiscência da carne (da condição humana), diante dos sonhos elevados ao potencial da capacidade de transformar pedras em pães (hoje se falaria em tirar leite da pedra!). Sentiu igualmente de perto a sedução da concupiscência dos olhos, a fim de chegar a muita glória, com acúmulo de bens. Por fim, experimentou na carne a tentação, tal como nós ainda continuamos a experimentá-la, para tornar-se senhor sobre muitas pessoas e coisas.
            O evangelista Lucas destaca que Jesus não entrou passivamente na onda destas humanas tentações, porque soube manter fidelidade a Deus. Hoje esta interpelação ainda permite ponderar sobre o que mais nos propicia momentos de felicidade: seria o poder, a fama, a honra, ou um modo peculiar de nos sentir bem na grande casa que é o planeta Terra?
            A responsabilidade diante da falsa tentação de felicidade, também hoje nos cobra fidelidade a Deus para que o direito de todas as pessoas brote como as fontes de água límpida e que a capacidade de uma vida justa e reconciliada corra como rio em terra seca, numa alusão ao que o profeta Amós (5,24) já sonhava muitos séculos antes de Jesus Cristo, com melhor condição para o entendimento humano.
            Cabe-nos, mais do que culpar e maldizer o demônio, educar-nos e educar outras pessoas para a responsabilidade de cultivar um espírito mais comunitário e de bem comum do que exclusiva busca de felicidade pessoal. E acima de tudo, num tempo de tanta corrupção e roubalheira dos que dizem trabalhar intensamente a nosso favor, - mas que se locupletam nas tentações de muitas posses, de muita fama e de vistosas honras para serem adorados e bajulados – somos interpelados a uma consciência de responsabilidade pela promoção humana a fim de que que a sociedade possa vir a ser mais justa e solidária.

            Se o alargamento das tentações humanas já vem colocando em grave risco a convivência entre os hominídeos, precisa-se, com urgência, pensar e agir para que o planeta não entre em exaustão antes que os humanoides se aniquilem entre si.

terça-feira, 9 de fevereiro de 2016

Carnaval e cinzas



Depois de estimular a extrapolação das medidas,
E de apontar ruptura das convenções comedidas,
Além de tolerar na ousadia da nudez ostentada,
O preceito é normalidade da sociedade recatada.

Dada a liberdade para desconsiderar os limites,
Volta-se aos casuísticos e moralizantes palpites,
Dos condenadores da alegria do povão relegado,
E para reatar o rigor exigido pelo poder sagrado.

Nas cinzas repete-se um velho ciclo depurador,
Para o retorno ao estado da bondade anterior,
Que arrosta todo procedimento vil e indecente,
E deixa todo abusado pecador muito contente.

Sabe que no próximo ano poderá quebrar a eira,
Abusar de si e de outros e retornar à paz fagueira,
Provinda da excelsa misericórdia de fonte divina,
E que permite voltar ao cotidiano de vida cretina.

Ao se repetir velho ciclo de afirmação e negação,
Reencarna-se o vício de evidente procrastinação,
Que antevê diante da extrapolação dos preceitos,
A anulação mágica das extravagâncias e defeitos.

Basta cinza sobre a testa e ar sombrio que espanta,
O peso dos excessos que na motivação desencanta,
Para renovar sentimentos de culpa pelos desvarios,
E se evadir dos pesos como folhas a sumir nos rios.







segunda-feira, 8 de fevereiro de 2016

Carnaval



Das medievais máscaras encobridoras,
Que facilitavam críticas desalentadoras,
Para a correção social em seus defeitos,
Sobrou a memória dos saudáveis efeitos.

Se a mídia esvaziou a correção fraterna,
E passou a enaltecer a folia de baderna,
Quem ainda poderia fazer crítica social,
Sem sofrer um revide ferrenho e abissal?

Quando a máscara desnuda a exploração,
Da venda do imagético para a distração,
Perde-se um histórico e nobre significado,
Do humor a serviço de um melhor legado.

A semi-nudez como crítica do corpo negado,
Foi transformada num produto de mercado,
Para ocupar e distrair passivos espectadores,
Já sem consciência e sem motivos delatores.

O carnaval enlatado como produto de venda,
Virou catarse da diária e incessante contenda,
Que já não permite harmonizar desencontros,
E nem tecer estáveis e prolongados encontros.





sábado, 6 de fevereiro de 2016

Ousadia e rotina



            Como grande parte das lidas cotidianas depende de hábitos adquiridos, estes tendem a cobrar, cada dia mais, para não ousar e nem fazer algo que seja diferente. Se os hábitos ou costumes tendem a bitolar-nos para não sair da rotina, porque, então gastar energias para mudar e ser diferente?
            A capacidade de inovar diante dos hábitos requer um cultivo de sensibilização da consciência a fim de captar, perceber ou intuir algo que aponte razões mais profundas. No entanto, mesmo desejando algo novo, distinto e mais significativo para a vida, o rotineiro se torna um obstáculo que desperta muitos medos e sentimentos de incapacidade.
Do evangelho de Lucas (5, 1-11) emerge este processo de medo nos quatro primeiros discípulos que Jesus convidou para que o ajudassem na construção do reino novo, o reino de Deus.
Jesus primeiramente ajudou aqueles homens a se darem conta de que poderiam fazer algo mais importante do que ficar pescando nas “margens rasas do mar”. Apontou-lhes a possibilidade de melhores frutos de vida em águas mais profundas, mas, esta guinada somente se tornou visível porque aqueles quatro homens se deram conta dos seus limites e das suas fraquezas. Confiaram na palavra de Jesus e atenderam sua convocação.
A relutância para aceitar a proposta de Cristo teve que reverter o pensamento que os pescadores já adquiriram em torno da pesca nas águas, pois, passaram a noite sem nada pescar. A narrativa de Lucas apresenta dois detalhes muito interessantes: quando os quatro aceitaram a proposta que os convocava, tiveram êxito extraordinário no pescar, isto é, na confiança de Jesus, sentiram a necessidade de gritar para que outros os ajudassem.
A experiência dos quatro primeiros chamados por Cristo, nos deixa uma interpelação: o êxito das respostas que damos ao mesmo chamado convida para agir positivamente em favor de melhor qualidade de vida, sobretudo, para formas mais solidárias e menos fechadas, individualistas e presas a rotinas que prendem às dificuldades. Os naturais medos da efetiva capacidade de ser capaz de obter estes resultados podem inibir e bloquear a grande missão que Jesus deixou para uma vida e uma religião não regida por meras rotinas e formalismos, mas, para estar sensível a algo novo que possa gerar outros frutos de satisfação.

Mais do que ficar esperando manifestações excepcionais de Deus como intervenção intimista diante de soluções subjetivas, podemos encontrar interpelações em tantos acontecimentos e intuições para algo diferente.

quarta-feira, 3 de fevereiro de 2016

Nobreza sedutora



Passado o tempo da fidalguia de ilustre procedência,
E da vida notável pela simples raiz de descendência,
Veio a mídia eletrônica apontar uma vida rica e feliz,
Ao alcance de toda pessoa humana, mesmo a infeliz.

No consumo associado à fácil elevação magnânime,
Alargou-se desejo de prazerosa felicidade longânime,
Peculiar da regalia e majestade de um caráter nobre,
Para suplantar quaisquer resquícios da vida de pobre.

Nada mais sedutor do que o caminho da corrupção,
Que permite seletas famílias de sorrateira ocultação,
E já livres da enlevada cor da pele e condição social,
Podem fruir e desfrutar de forma nada convencional.

Afinidade dos interesses, no rol propício da ambição,
Constituirá a articulação das famílias na premonição,
De que tudo podem fazer em sua presumida nobreza,
Mesmo ao preço de apropriação indevida e esperteza.

Regras são somente estratégias para alcançar metas,
Que assegurem a nova fidalguia nas veredas secretas, 
Para inviabilizar aos demais, o alcance da sua realeza,
E induzi-los a suportar o surrupiado mundo de alteza.





segunda-feira, 1 de fevereiro de 2016

Aspirantes à vida principesca



Advindos de ambientes pobres e sofridos,
Querem romper com mundos denegridos,
E inebriar-se no idealizado extrato clerical,
Para finalmente vivenciar leveza angelical.

Nada afoitos ao trabalho duro de cada dia,
Aprendem as artimanhas da fina galhardia,
Para bajular e fruir do encantado privilégio,
De se deixar servir no principesco sortilégio.

Viajam para os lugares turísticos e sagrados,
E sabem os detalhes das roupas dos agrados,
Para desfrutar do medieval gosto imagético,
E, através dele, exaltar-se de modo patético.

Gostam da opulência das mesas fartas e finas,
E ocupam-se de conversas balofas e cretinas,
Sem visão crítica e sem postura de coerência,
E, sem quaisquer inquietações pela decência.

Desprovidos do valor das ancestrais raízes,
Dissimulam nas nobres e elevadas matizes,
A busca de vida fácil, eminente e dantesca,
Própria da desprezível nobreza principesca.

Encontram no perfil da tendência integrista,
O fácil caminho da pregação sensacionalista,
Para se auto-adorarem em panos e adornos,
E inebriar-se no fumeiro de seus contornos.

Mares de distância os separam do profetismo,
Mas encantados com detalhes de moralismo,
Pregam arrogantes uma vergastada tradição,
Sem Cristologia e sem humana emancipação.

Mapeiam os seus dias nas ocupações fúteis,
E, insensíveis à origem dos proventos úteis,
Mergulham na megalomania de grandeza,
Sem competência e sem humilde presteza.















<center>FENÔMENOS CLIMÁTICOS</center>

  Cada vez mais seguidos e intensos, Causam mortes e pavores imensos, E tudo leva a crer que os culpados, São os humanos com atos er...