segunda-feira, 8 de fevereiro de 2016

Carnaval



Das medievais máscaras encobridoras,
Que facilitavam críticas desalentadoras,
Para a correção social em seus defeitos,
Sobrou a memória dos saudáveis efeitos.

Se a mídia esvaziou a correção fraterna,
E passou a enaltecer a folia de baderna,
Quem ainda poderia fazer crítica social,
Sem sofrer um revide ferrenho e abissal?

Quando a máscara desnuda a exploração,
Da venda do imagético para a distração,
Perde-se um histórico e nobre significado,
Do humor a serviço de um melhor legado.

A semi-nudez como crítica do corpo negado,
Foi transformada num produto de mercado,
Para ocupar e distrair passivos espectadores,
Já sem consciência e sem motivos delatores.

O carnaval enlatado como produto de venda,
Virou catarse da diária e incessante contenda,
Que já não permite harmonizar desencontros,
E nem tecer estáveis e prolongados encontros.





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