quinta-feira, 6 de julho de 2017

Simpatia


Da fase infantil de fixar ou rejeitar,
À condição mental de não enjeitar,
Não isenta estigma da idade adulta,
De perpetuar uma condição estulta.

A simpatia se sobrepõe à educação,
E não arreda espaço para oposição,
Do fixado como melhor e agradável,
Apesar de outros o verem detestável.

Sob o poder mirabolante da simpatia,
Ofusca-se toda racionalidade doentia,
Para nunca aceitar as afrontas alheias,
E encher a convicção de razões cheias.

Assim o tribalismo estribado no gosto,
Não muda diante de nenhum desgosto,
E ratifica a defesa do quanto é sentido,
Para rechaçar um ataque empreendido.

Mais do que a boa razão e bom senso,
Importa alargar o grandioso consenso,
Dos que gostam de determinada feição,
E se encantam com sua simpática ação.

Some toda noção de erro e má intenção,
Porque a instância suprema é o coração,
Que perdoa qualquer desvio de conduta,
E reafirma a sequência na mesma labuta.







Na brisa da cachoeira


Sob uma “chuvica pitica”,
Que apenas de leve pinica,
Uma sensação refrescante,
Enriquece o ar inebriante.

Com ele entra mensagem,
Agradável como a aragem,
Que pervade sentimentos,
E caça escondidos alentos.

Eles relativizam as mágoas,
E indicam fluxo das águas,
Para ir além de cachoeiras,
Sem sumir em baboseiras.

A sintonia com a grandeza,
Da água e flores de beleza,
Remete aos possíveis dias,
De exuberantes melodias.

A antecipação do embalo,
Do novo a brindar regalo,
Integra dores do passado,
E aponta um novo legado.

A emergência do possível,
Clareia um rumo indizível,
Capaz de reatar o fracasso,
E perpetrar um novo passo.



No redil espoliador



Um olhar retrospectivo,
Evidencia desejo altivo,
De prática humanitária,
Com intenção solidária.

A riqueza das promessas,
Como suaves compressas,
Perde em seguida o calor,
E o compromisso do valor.

O desconforto protelatório,
Anula o lenitivo satisfatório,
Da notícia bem despertada,
Que acaba desconsiderada.

Outro promete efetivo ato,
E mudança rápida do fato,
Mas fenece na explicação,
E cai na velha protelação.

Assim mudam os tempos,
E os novos contratempos,
Levam a ação idealizada,
À frustração banalizada.

Ao espoliado nada sobra,
Porque na sutil manobra,
Sempre tem um esperto,

Que assegura lucro certo. 

segunda-feira, 3 de julho de 2017

altercações políticas



Enquanto os partidos discutem com paixão,
Sectarismos cristãos miram sem compaixão,
Os que discordam dos interesses superiores,
Dos egrégios líderes de desejos renovadores.

As razões das polêmicas intensas e raivosas,
Facilmente ocultam tendências enganosas,
Subjacentes nas oratórias bem inflamadas,
Para arrebanhar muitas almas desandadas.

A manifesta simpatia pelo Cristo do alento,
Não corresponde ao airoso ar de portento,
Com que defendem detalhes secundários,
Tão eivados de sutis interesses temerários.

Neste contexto dos amoucos inveterados,
Que renunciam a si para viver fanatizados,
Combatem e atacam pela defesa da noção,
Emitida pelo líder da enaltecida fundação.

O seu interesse já não importa na defesa,
Mas a execução rigorosa e com inteireza,
Do já pensado por um suposto iluminado,
Que quer o alcance de um grande legado.

Enquanto os amoucos brigam pelo chefe,
E vão se digladiando em proselitista blefe,
A reatância com uma razão última da vida,
Fica todo dia mais distanciada e preterida.



Religião do gosto pessoal



Larga busca da dimensão religiosa,
Quer só a confirmação prodigiosa,
Do que pressupõe ser um lenitivo,
Para amainar seu gosto subjetivo.

Todo diferente é rejeitado na hora,
Pois só a confirmação que se adora,
Merece boa consideração de valor,
E se torna digna de honrado louvor.

Quando alguém propõe algo novo,
Ou aponta rumo diferente ao povo,
É rotulado de perverso comunista,
Que afasta o reto fiel de sua pista.

Qualquer mudança é demonizada,
E se escolhe a pregação desejada,
Que bem confirme o já assimilado,
Para lhe auferir elogios de agrado.

No ocultamento do que questiona,
Prática que assusta e impressiona,
Alarga-se a religião do formalismo,
Movida por um cego consumismo.

Longe da tarefa de atos solidários,
Importam milagres extraordinários,
Que degradam qualquer conversão,
E apenas visam subjetiva satisfação.

Na aparente religião das vantagens,
Aumentam as fanatizadas miragens,
Que facilitam o êxito de malandros,
Que logram com escusos meandros.
















Dor de barriga

Dor de barriga
Aparece tão depressa qual miragem,
E emite ondas parecidas com aragem,
Que aumentam na sensação dolorosa,
A evidência desandada em polvorosa.

O sururu acirrado no ambiente escuro,
Acelera logo o diagnóstico prematuro,
Da contaminação de algum alimento,
Recheado de ardil acompanhamento.

A dor resultante do violento combate,
Pede socorro para que deste embate,
Resulte vencedor o poder hegemônico,
Já assegurado como estado harmônico.

Outros sistemas do corpo sofrem efeito,
Porque tiveram que participar do pleito,
Para restabelecer o equilíbrio orgânico,
E acalmar o supino e inesperado pânico.

A restauração da esperada normalidade,
Demora mais que a esperada ansiedade,
Para o desconforto peristáltico acalmar,
E assegurar o retorno ao velho patamar.

Bom é que a memória ajuda a esquecer,
E que o momento não permita padecer,
Com a recordação daquela fase de dor,
Pois o sonho acalanta tempo inovador.




Sinecura do Estado



Criado como a instância de amparo,
Já deixou mais que evidente e claro,
Que anda desleixado e descuidado,
E sem o astral para um bom legado.

Absorve do povo a razão de existir,
Mas já está longe de poder insistir,
Que é pai de direitos fundamentais,
Para assegurar os privilégios iguais.

Destituído das antigas atribuições,
Perde-se em burocráticas soluções,
Que não chegam aos destinatários,
Mas agraciam seletos mandatários.

Eivou-se de funções sem trabalho,
Dos que miram a renda de atalho,
E se ocupam em tramoias ilícitas,
Sem tino social de ações solícitas.

Na barganha de vantagens grupais,
Mobiliza-se diante das forças rivais,
E deixa o povo sem lhe dar atenção,
Para poder fruir da sua manutenção.

Na sinecura do seu papel socializador,
Some a razão do seu fito aglutinador,
E indica um fim iminente da sua farsa,
Porque virou negociata de comparsa.


<center>O ANIMAL DO ÓDIO CRUEL</center>

  Altamente racional, ágil, e dominador, Na luta renhida do ativismo usurpador, Está o ser humano como hegemônico, Em seu estranho p...