segunda-feira, 2 de junho de 2025

PROJETOS INACABADOS

 


Tanto na dimensão pessoal,

Quanto na projeção grupal,

E também na ordem social,

Reina a característica fulcral:

 

Muito projeto programado,

E pouco trabalho devotado,

Para o desejo ser realidade,

E suprir anelo da ansiedade.

 

Até longa história humana,

Prometeu muito e engana,

E faz o itinerário no tempo,

Mas, vive de contratempo.

 

Obras valiosas e inacabadas,

Refletem palavras relegadas,

E a mudança de prioridades,

Nas escolhas de celeridades.

 

Encantamentos repentinos,

Mudam rumos e seus atinos,

Atribuídos ao agir do tempo,

Ou, ao supino contratempo.

 

Desejo de sucesso imediato,

E o esmorecimento do trato,

Nas promessas descumpridas,

Produzem as queixas alaridas.

 

Falta da sonhada estabilidade,

Nesta buliçosa mutabilidade,

Rouba a tolerância necessária,

Para a estabilidade ordinária.

 

Incompletude e mutabilidade,

Características da humanidade,

Nos tornam seres de mudança,

Que pouco confirmam a fiança.

 

Quando todo novo é provisório,

Qualquer prognóstico aleatório,

Desconstrói interesses e planos,

E induz a frustrados desenganos.

 

 

sábado, 24 de maio de 2025

ORDEM PARA INOVAR

 

 

As palavras mágicas para consumo,

Como macio, suave, e supra-sumo,

Remetem às da alta sugestão: novo,

E, com ele, “inovar” para o renovo.

 

Promessa boa associada ao inovar,

Produz obcecado culto ao renovar,

Seja na política, indústria ou culto,

Ou agropecuária pelo poder oculto.

 

Inovar, a ordem dada a incorporar,

Faz quebrar a anterioridade do lar,

Sob a promessa de facilitar a vida,

Com uma novidade engrandecida.

 

Até a convocação de ato religioso,

Agrega a magia de algo prodigioso,

Porque será novo, belo e inovado,

A fim de atrair um grande legado.

 

No recurso da tecnologia inovada,

Faz-se poderosa oferta motivada,

Com sorte, lucro, dinheiro e poder,

Para o contínuo auto-transcender.

 

A alta voracidade pelo que é novo,

Oculta o passado cultural do povo,

Sob o sonho do benefício inovador,

E relega valioso processo agregador.

 

Quando tudo deve mover inovação,

A ordem onipresente é contradição,

Porque na grande oferta açucarada,

Oculta-se o lixo da vida descartada.

 

Inovação, a ordem inquestionável,

Leva a deslize do quanto é estável,

E sem a memória da história vivida,

Futuro vegeta como verme suicida.

 

Conduzidos pelo culto à novidade,

Os passivos reféns da efemeridade,

Revelam-se evasivos e superficiais,

Sem interioridade de dotes naturais.

 

sexta-feira, 23 de maio de 2025

FEIÇÃO DE INDIFERENÇA

 

 

A indução massiva à adoração cega,

De influenciadores de exibição frega,

Que ostentam fortunas apreciáveis,

Cria relações mórbidas e detestáveis.

 

Seres conduzidos no cego consumo,

Não se perguntam pelo elã do rumo,

Mas anseiam domínio e acumulação,

Para serem meritórios na ostentação.

 

Crescente frieza ante a vida humana,

De milícias, gangues e guerra insana,

Reflete, cada dia mais, o pífio modo,

De tratar ser humano como um lodo.

 

Mero objeto de moldagem submissa,

Decide-se sobre ele na clara injustiça,

E nada importam os seres eliminados,

Nem atrocidade de mandantes irados.

  

Tanto olhar impregnado de rejeição,

Traço estranho da humana condição,

Entre os incontáveis apelos de amor,

Não protagoniza gestos de pundonor.

 

Interagir contrário ao gesto de amar,

Solta um veneno que anula o alamar,

Exterioriza toda recusa de empenho,

E manifesta ar antipático e ferrenho.

 

Na indiferença não importa verdade,

Mas, um estereótipo da banalidade,

Sobreposta à educação socializadora,

E à paz e justiça, para rota redentora.

 

Situada na eira dos limites do horror,

Indiferença, surda ao humano clamor,

Torna-se chave para a vasta maldade,

E um fermento para a insensibilidade.

 

O desdém com frieza no trato alheio,

Gesta tanto desconforto e saracoteio,

Que todo cuidado pela consideração,

Não desencadeia empatia e atenção.

 

Indiferença castra todo bom humor,

O senso necessário ao grato pendor,

E torna a vida vazia de bom cuidado,

Enchendo-a de rígido ar enferrujado.

 

Ocupa o belo lugar da cordialidade,

E achata o indivíduo e a sociedade,

Pois, sem o senso de consideração,

Vive do descaso na injusta solução.

 

 

 

 

sexta-feira, 16 de maio de 2025

AMOR DE GATOSE

 

 

        Enquanto o amor não doentio e, - pelo menos considerado sadio e normal, - já padece do fenômeno, denominado deslizante, o que se poderia ponderar, hermeneuticamente, sobre a Gatose?

            Todo mundo anda impaciente e inquieto pelo amor verdadeiro, profundo, estável e eterno. Achar indícios de possibilidade de que possa ser encontrado, leva a atenção aguçada pelas ruas, esquinas, lugares de encontro e de festa.

No entanto, ao se encontrar esta metade complementar para uma vida feliz, a facilidade deste amor sumir, por muito pouca coisa, faz lembrar o antigo mito babilônico do sujeito que teimou em procurar a árvore da vida e da felicidade, contra toda opinião social categórica a insistir que a felicidade sequer era possível de ser encontrada.

 Quando o sujeito achou a dita árvore da vida, um pequeno arbusto, correu feliz, extasiante e pleno de satisfação, para mostra-la ao povo babilônico. De tanto que correu, ficou com sede, e ao cruzar por um lago, deitou o arbusto de lado para beber água, e, neste momento, uma serpente roubou a árvore da vida, sumiu, e, nunca mais ninguém conseguiu encontrá-la.

            As evidências de fracasso no que os seres humanos mais aspiram, são amplamente encontráveis nas sensacionalistas manchetes e nos noticiários de todos os dias, que bombardeiam as mentes com informações, detalhadas e repetidas à exaustão, sobre feminicídeos, envenenamentos, matança de filhos, ódios tornados públicos, e, perseguições a ex-parceiras ou ex-parceiros.

            A síntese do amor, mais lídimo e sagrado, que todos querem viver, indica que o universo a dois constitui uma aporia, isto é, trata-se de uma relação contraditória e sobre esta relação pode-se dizer tudo quanto é possível de ser pensado e sugerido, e ela, no entanto, continua a ser o mesmo problema insolúvel, como se nada jamais tivesse sido dito sobre ela. Em outras palavras, o amor entre seres humanos é altamente contraditório.

            Quando uma parte quer respeitar a alteridade alheia, - da outra parte, - incide no campo da indiferença, um dos grandes motivos de ruptura com marcas persistentes de ódio. Se, por outro lado, cuida com excesso de desvelo a outra parte, para que seja plenamente feliz, acaba avançando demais na sua autonomia e também produz resistência e processo de distanciamento.

            A dedicação em torno de querer que a outra parte se sinta feliz, implica numa entrada na intimidade desta pessoa, a quem se quer um bem irrestrito; e isto a fragiliza através de dois riscos: o de produzir dependência e, também o de se perder o respeito na lida com esta pessoa.

            Já quando se evita este mecanismo dominador de muita ingerência, surge outro efeito natural e evidente, que é o do pouco cuidado e desvelo, razão para muito sofrimento, mágoa, sentimento de abandono, e, gradual processo de busca de emancipação, a fim de livrar-se do amor que não satisfaz e, delinear a procura de outra possibilidade de achar a árvore da felicidade na vida.

            Quando uma parte quer cuidar com excessivo desvelo a outra, pode realçar-se o medo de perde-la ou atitude de cobiça-la de forma obsessiva. Então, o que é para culminar no amor profundo, genuíno e verdadeiro, automaticamente, o anula por produzir uma espécie de asfixia, ou, como se costuma falar em nossos dias, de um ambiente tóxico, que se torna insuportável.

            No desejo profundo de intimidade realizadora, anula-se a alteridade da outra parte, e se produz o conflito, o desencontro, a raiva, o ódio e a rejeição profunda e total. Ademais, o princípio da contradição também permite notar que tudo quanto atrai intensa e profundamente, é seguido por similar ato de repulsa e rejeição. Ainda bem, pois, sem isso, os seres já teriam desaparecido do planeta, há milhões de anos: o próprio ato maior da atração pela intimidade, mataria os dois, por exaustão, se não ocorresse repulsa e rejeição do próprio ato intimista.

            Neste universo a dois, a facilidade de alguém deslizar diante do que prometeu e jurou, faz com que a fonte mais freneticamente buscada para ser feliz é, simultaneamente, a fonte da frustração, da separação, do desprezo, da cobrança e até de procedimentos homicidas. Esta perversidade decorre tanto do desejo de agradar quanto do desejo de mudar a outra parte para adequá-la aos ideais do próprio desejo.

            Se este problema, impregnado no amor humano, já causa tanta briga, perseguição e morte, o que seria prognosticável num amor de Gatose?

            As possíveis evidências de que a frustração na convivência entre seres humanos a procurar esta comunhão romântica e sonhada com gatos, terá também suas inequívocas repercussões. Assim como se faz nos simulacros com bonecas “Reborn” (= renascidas; talvez seria melhor dizer que são simulacros encantadores de bebês, sobretudo, de recém-nascidos), expressão fantástica de como se consegue fazer algo similar ao real, a tal pode que se confunde com o real, certamente, significará que uma relação intimista com gatos produza algo parecido e que leve pessoas a relações cotidianas com gatos, como se fossem filhos de verdade.

Até já ocorrem brigas na justiça entre casais que disputam o direito de posse de boneca “Reborn”, razão de atrito entre casais que se escolheram para amor profundo. Outras pessoas caminham na rua com diversas bonecas “Reborn” no colo, dando a entender que são criaturas humanas.

Sintoma parecido com o quadro das bonecas, além de constituir relação anacrônica, poderá manifestar-se na Gatose, através de desvios nos processos psíquicos da relação com gatos: lida com gatos como se fossem filhos humanos reais.

            Nestas evidências do aprofundamento de um fracasso humano na relação que substitui gatos por criaturas humanas, ainda se corre o risco maior de absorver o que é da praxe dos gatos: a dos machos, no instinto de copular o maior número de fêmeas, colocarem a sua vida em risco de morte no enfrentamento de outros machos, que, numa certa altura da existência se tornam mais viris, ágeis e fortes.

 Ademais, os gatos também apresentam uma herança de um estarrecedor mecanismo de morte e destruição, isto é, um gato macho não admite surgimento de gatinhos que sejam precedentes de outro gato. Mata-os com requintes de extrema crueldade.

            Se esta predisposição dos gatos se juntar àquela que já dá sinais de fracasso nas relações humanas, então, um grande mal juntado a outro, terá elevadíssimo potencial destruidor da raça humana no planeta Terra.

            Apesar de que o visionário Elon Musk já quer assegurar que sobrevivam seres humanos, deslocando-os para Marte, caso levem os traços humanos engendrados, aqui na Terra, nem chegarão a grandes conquistas em Marte, porquanto levarão junto, tudo o que tem de bom e, ao mesmo tempo, o que de pior se pode constatar nos seres humanos.

 

quarta-feira, 14 de maio de 2025

BONECAS REBORN

 


Nesta bela arte do simulacro,

Imitação de momento sacro,

Da emoção de belas crianças,

Ressalta peculiares bonanças.

 

Reborn, um termo estranho,

Nome dado para o desenho,

De bonecas tão semelhantes,

Aos vivos e reais semblantes.

 

A arte que imita o corpo real,

Admirável capacidade surreal,

Chega a confundir bebê físico,

Com um simulacro metafísico.

 

Arte de aparentar efeito real,

Dá ao fictício o aparente aval,

De que a realidade simulada,

Substitui a humana moldada.

 

Reprodução copiada ou fictícia,

Encanta como genuína delícia,

Na imitação hiper-real da vida,

E produz similaridade querida.

 

Arte de fazer algo semelhante,

Afeta uma história empolgante,

 Presente nas crenças e em jogos,

E se mescla em piedosos rogos.

 

Artística simulação de artistas,

Como de cantores e ensaístas,

Afeta as modas e publicidades,

E as etiquetas das sociedades.

 

A técnica artesanal representa,

No recém-nascido que encanta,

A perfeição que confunde bebê,

No boneco tão similar ao nenê.

 

Expressão facial de criança viva,

Sem iludir ação contemplativa,

Constitui mediação duma cópia,

Dum ente vivo como fotocópia.

 

Tanta coisa que na vida se copia,

Se aparenta naquilo que se cria,

Permita bonecas passar distante,

Do simulacro de arma aberrante.

terça-feira, 13 de maio de 2025

GATOSE 14 - GATOSE COM NOMOFOBIA

 

        Talvez a Organização Mundial da Saúde ainda não tenha promulgada esta nova doença social chamada de Nomofobia, mas, certamente, em breve será uma das doenças de larga proliferação.

Trata-se de uma doença recente, advinda de uma outra simbiose simultânea à da Gatose, em processo de comensalidade entre seres humanos com aparelhos celulares. Já virou síndrome de dependência humana e o excessivo manuseio do celular com as mãos e a necessidade de estar ligado com outros, ainda que na forma fria da virtualidade, produz um receio ansioso de que se possa ficar sem comunicação.

Imaginar que se possa passar mal ou ficar num apuro sem poder pedir socorro já aciona a sintomatologia desta neurose inquietante em torno do celular.

            Os sintomas parecem apresentar-se mais agudos em pessoas que já tiveram antecedentes de excessivas horas passadas em jogo de videogame, de jogos digitais e de outras ocupações no computador.

            No distúrbio da Nomofobia a possibilidade de alguém presumir que vai ficar desconectado, já aumenta tristeza, ansiedade e estresse. Tais manifestações podem favorecer as somatizações como taquicardia, sudorese, impaciência e crises de pânico. Muita gente, caso viesse a ser informada de que terá que ficar uma hora sem celular, já entraria, imediatamente, em pânico, porque nem sequer suporta ficar três minutos sem ligar e desligar o celular.

            Ligar e desligar o celular já virou o primeiro sinal doentio, porque o normal movimento de ver algo no celular, se tornou expressão da incapacidade de conversar. Sem assunto, puxa-se o celular como se algo importante estivesse sendo comunicado. No entanto, é disfarce da dificuldade de inteirar-se com pessoas. O olhar precípuo sobre o celular desloca a capacidade da escuta interior e da grandeza da vida que se transluz no rosto. Sem esta referência, o humano nomofóbico cria muitos problemas de relacionamento. Xinga, destrata, ofende, humilha e ameaça nas mensagens jogadas nas redes virtuais, mas, não é capaz de expressar uma vírgula numa conversa com outras pessoas e familiares.

            Nomofobia é doença essencialmente relacionada à incapacidade de relacionamentos humanos normais. Dali decorre a inquietude, a irritabilidade e a impaciência para qualquer tipo de diálogo. Trata-se, em suma, de um transtorno mental que afeta muitas funções da mente.

            O que teria a Nomofobia a ver com a doença da Gatose? As evidências são perceptíveis: já que pessoas apaixonadas por gatos também apresentam dificuldades de interações humanas, esta limitação se compensa com o equipamento eletrônico como melhor companhia e passa-tempo. Dali vai resultar a novidade da ocupação braçal: nada de operações braçais rotineiras, mas destreza para manusear o aparelhinho que complementa a vida e ocupar a outra mão para fazer os devidos e esperados afagos nos gatos. Poder-se-á interagir perfeitamente com alguém e extravasar o himeneu do amor pelo suave e macio esfregamento das mãos no gato. Sem demora, os humanos, -  ainda um pouco normais, -  passarão a sentir inveja dos nomofóbicos afetados pela Gatose, pois, já não importará e beleza feminina, nem a elegância masculina, nem o elã das ativações para complementariedade, nem perfumes, nem as bricolagens de enfeites, nem estas brigas de gênero e nem sorrisos encantadores para provocar jogos lúdicos e festivos.

O humano da Gatose carecerá apenas de um celular e de um gato.


GATOSE 13 - CARÊNCIA AFETIVA DOS GATOS

 

 

Embora não ocorram animadas discussões em torno de comentários relativos à carência afetiva dos gatos soltos na vasta natureza, já os outros, cooptados por seres humanos nesta simbiose mórbida, tudo indica, que foram transformados em criaturas carentes de afeto.

Acostumados a muito mimo e cafuné abundante, os gatos integrados aos humanos foram contemplados com excesso de afeto, provavelmente, todo o afeto não canalizado para filhos e pessoas parceiras da convivência familiar.

Longo processo de carga afetiva abundante, fragilizou os gatos e os tornou dependentes destes cuidados múltiplos e cotidianos. Mais do que bebês carentes, os gatos levam vantagem sobre as criaturas humanas, porque se satisfazem com o carinho automático e imutável na intensidade ante afagos de pelo menos uma mão, liberando a outra para o celular, enquanto que, uma criança requer duas mãos cheias de dedos e ainda dá sinais de pretender mais do que isso.

Esta mendicância de afeto, por parte dos felídeos, já resulta de longo processo de aconchego ao colo humano, o que os tornou profissionais espertos para chamarem a atenção dos donos sobre seus merecidos cafunés.

Um bebê humano normal, vive de contínua auto-transcendência, pois, se aceita beijos e contatos exaustivos numa fase, logo em seguida, já os rejeita e espera outro modo de manifestação afetiva. Esta contínua mudança requer muito das mães e pais porque também eles devem envolver-se em constantes modificações nas formas de externalização do seu afeto. É neste lado fraco que o gato dá o seu pulo para a vantagem. Requer sempre o mesmo gesto, a mesma cantilena sem nunca exigir uma conversa um pouco mais racional. Basta somente aquela cobrança sobre xixi e cocô, sobre não sujar os pés e sobre como serem todos os dias mimosos de mesmo jeito.

O bebê muda de humor a todo instante, é misterioso para revelar o que sente e o que realmente deseja; e exige exaustivas tentativas de atenção para reagir com satisfação afetiva. Além da imprevisibilidade, vive da constante mutabilidade. Requer inovação constante e contínua de inovadas modificações no seu anseio afetivo. Se num momento deseja colo, logo, rejeita o colo e quer sentir-se amado para seguir seu rumo, mesmo que caia depois de um metro andado. Então, vai exigir o colo para acalmar-se.

Neste paralelismo de gato com criança, o gato é constante, regular e gracioso. Não costuma nem morder no seio, nem olhar feio e nem choramingar para querer outra coisa distinta daquela que lhe foi oferendada. Enquanto o gato até lambe o prato, uma criaturinha humana espalha comida sobre a mesa, sobre a cadeira e ainda deixa muita migalha no chão.

O que certamente mais pesa na comparação de gatos com crianças, é a vantagem dos gatos em relação às evacuações e fraldas a serem trocadas muitas vezes por dia. Os mimosos felídeos, embora emitam maus odores pela falta de banho e pelo cheiro de urina e cocô nos banheiros, ajeitam-se autonomamente neste campo. Já uma criaturinha humana requer milhares de banhos e conselhos repetitivos à exaustão até se lavar razoavelmente e higienizar um pouco o seu corpo num banho.

Humanóides, tão pouco especializados por comandos de cerebelo, demoram anos para chegar ao ponto de sobrevivência e de auto-cuidados dos felídeos já nos primeiros dias de vida. Porém, uma vez desvirtuados destas qualidades ingênitas e instintivas, os felídeos tornam-se essencialmente dependentes dos seus tutores humanos.

Bebês descobrem manhas e aprendem patranhas. Emburram, teimam, desobedecem, irritam, exageram, brigam e, por qualquer coisa, se intrigam. Ao crescerem, aprendem a mentir, a esconder, a ocultar, a furtar, a agredir, a não estudar, a querer outra roupa, a irem a lugares não autorizados e a catar tudo o que não presta nos supermercados e meios virtuais.

Os felídeos feitos carentes, pulam por cima deste mar de irritabilidades, e, graciosamente, saltam sobre o colo dos tutores, num dia como outro, sem mudar a personalidade e nem mesmo para encher as paciências com pedidos de aquisições impossíveis.

Na Gatose, a substituição do gato pelo filho, evita preocupantes gastos com estudos, roupas e etiquetas de moda, celulares, tênis de status, carros, festas, casamentos e aquele consumismo desenfreado para consumir e ser feliz, e, mesmo assim, viver o mundo da metamorfose oriunda de drogas, sexo excessivo, bebidas energéticas e alcoólicas e tantas outras coisas estúpidas e mirabolantes. Por conseguinte, pode-se entender o porquê do afeto humano tão devotado pelos gatos.

 

<center>FENÔMENOS CLIMÁTICOS</center>

  Cada vez mais seguidos e intensos, Causam mortes e pavores imensos, E tudo leva a crer que os culpados, São os humanos com atos er...