quinta-feira, 5 de janeiro de 2023

EVANGELIZADORES DA AUTO-EXALTAÇÃO

  

Cada dia mais alvoroçada,

Amplia-se tática cobiçada,

De presbíteros midiáticos,

Com conselhos enfáticos.

 

Imitam-se os de sucesso,

De um triunfalista acesso,

À própria auto-exaltação,

Com a visível ostentação.

 

No Evangelho sem cruz,

O imagético é que reluz,

Para alcance triunfalista,

De ser renomado artista.

 

Um conceito pré-cristão,

Da exaltada retribuição,

Alega que o sofrimento,

É um divino aditamento:

 

Castigo para corrigir erro,

Que evita o pior desterro,

E sempiterna condenação,

Duma pessoal obstinação.

 

Sob tendência integralista,

Aliena-se na fé triunfalista,

 Animada religião de festa,

Que oculta canção funesta.

 

Bem comum da audiência,

Endeusa com displicência,

O nobre mérito da vitória,

Razão da altiva vanglória.

 

 

 

quarta-feira, 4 de janeiro de 2023

GENTILEZA

 

 

Anos de cultivada brabeza,

Reprimiram toda gentileza,

E a deixaram tão minguada,

Com a sua energia atenuada.

 

Moída e engolida pelo ódio,

Deixou o seu elevado pódio,

E subsumida no anonimato,

Sobrevive no modo caricato.

 

As alardeadas notícias falsas,

Movidas por maliciosas alças,

Feriram vivência reconciliada,

E a deixaram toda atribulada.

 

Sumiu o belo estilo respeitoso,

E impôs-se um perfil raivoso,

Visando interferir e submeter,

E, sob ameaça, se intrometer.

 

Renasce um modo benfazejo,

Que o sonho gentil de bafejo,

Aponta a rumos da amizade,

Para a cultivada fraternidade.

 

A gentileza reata bom diálogo,

Para viabilizar velho decálogo,

De tratamento amável e cívico,

Para um bom clima patriótico.

 

Edifica retornar de encontros,

Num aguardo de reencontros,

Que ampliem senso fraterno,

E selem o saudoso trato terno.

 

Este bom e desejado remédio,

Livra toda crueldade do tédio,

E debela tanta patologia social,

Que ameaça respeito mundial.

domingo, 11 de dezembro de 2022

SONHO NO TEMPO DIFÍCIL

 

 

Mais do que fantasia inócua,

De projeção nada conspícua,

Há sonho bom e necessário,

Para um valoroso itinerário.

 

Com os lamentos de perdas,

Cheios de relutâncias lerdas,

A fixação a anseios passados,

Obstrui rota a novos legados.

 

A teimosia em aceitar perdas,

Na postura de eriçadas cerdas,

Aumenta a violência humana,

E dela nada de bom promana.

 

Sobre feias pedras demolidas,

Emergem com flores coloridas,

As virtualidades e paradigmas,

Para fruir os novos querigmas.

 

Novo modo mais humanitário,

Relega preconceito temerário,

E gesta caminho mais altruísta,

Que o radicalismo maniqueísta.

 

Povoamento mental dos medos,

Sob bem fantasiosos arremedos,

Não produz autotranscendência,

E sequer benéfica aquiescência.

 

Ao invés das energias queimadas,

Para repetir ideias bem enleadas,

Sobre os imaginários inexistentes,

Cabem sonhos nada prepotentes.

 

O inusitado para ser configurado,

Consegue arrostar outro legado,

Do que o da dominação danosa,

Afoita sob a arrogância ufanosa.

 

Assim algo novo pode emergir,

E levar a progressivo ressurgir,

No imaginário coletivo social,

Para outro conceito universal.

 

 

segunda-feira, 5 de dezembro de 2022

PENSAMENTO ENJAULADO

 

 

Estranho momento histórico,

Cheio de argumento retórico,

Boicota o lídimo sentimento,

Para afirmar estranho intento.

 

Nada vale a opinião diferente,

Diante do fanatismo indecente,

Do pensamento tradicionalista,

Impondo dominação moralista.

 

Longe dum respeito elementar,

Somente objetiva arregimentar,

Súditos para a raivosa ideologia,

Que foca obstinada demagogia.

 

Na vetusta concepção monista,

Reage-se à opinião antagonista,

Razão de guerra para combate,

E afronta odiosa para o embate.

 

A motivação religiosa da guerra,

Sob Deus que em nada emperra,

Sem referência com o Evangelho,

Razão para controle cego e velho.

 

Enjaulado no pensamento único,

A lida com ambiente anacrônico,

Não permite exteriorizar opiniões,

Pela ameaça de metidos a rufiões.

 

Crescente presença conservadora,

Boicota qualquer ideia inovadora,

E sob o rígido ideário neofascista,

O distinto merece ataque belicista.

 

Retórica do ataque de ódio básico,

E o fanatismo religioso anestésico,

Geram vistoso clima da arrogância,

Contra a lida para reta constância.

 

 

domingo, 13 de novembro de 2022

TERNURA

 


Mais apreciada do que ouro,

E já tão rara quanto tesouro,

Sentimento evadido da vida,

Pouco afeta a cotidiana lida.

 

Muita forma terna e meiga,

Derreteu como a manteiga,

Passada sobre pão quente,

Do pensamento irreverente.

 

A defesa ideológica fascista,

Gestou mobilização idealista,

Para os privilégios de poucos,

Ante a multidão de amoucos.

 

Incitados ao ódio excomunal,

Os amoucos criaram tribunal,

Para julgar supostos inimigos,

E assegurar direitos a amigos.

 

Laços de parentesco e de afeto,

Ruíram ante um novo dialeto,

Do ódio mordaz a insubmisso,

Dum golpe militar de enguiço.

 

Enquanto amoucos vociferam,

Seus mentores só reverberam,

Esperando o bote envenenado,

Para reaver status privilegiado.

 

Enquanto isso a ternura fenece,

E a imensidão de gente padece,

A ver rispidez esfalfar meiguice,

E carinho relegado por sovinice.

 

Até o trato afetuoso cotidiano,

Já enterrado por coveiro insano,

Ficou esquecido e relativizado,

Sem elã para pressuroso legado.

 

 

 

sexta-feira, 11 de novembro de 2022

DOLOROSA DIVISÃO

 

 

Disputas políticas acirradas,

Marcaram lutas obstinadas,

Mas ódio mortal espalhado,

Caracterizou um novo dado:

 

Na divisão familiar profunda,

A ameaça raivosa e iracunda,

Casou o neofascismo político,

Com tradicionalismo acrítico.

 

Cavou divisão no catolicismo,

De apelos contra comunismo,

Sem evangelho, mas de ódio,

Como único e soberano pódio.

 

Alinhou clérigos reacionários,

Com os neofascistas ideários,

De liturgias para um sistema,

Sem o cristológico emblema.

 

Apelo ao passado idealizado,

Infunde o medo desesperado,

Contra iminente comunismo,

Que devora o patriarcalismo.

 

Neste enlace de ritos antigos,

Com neofascismo de inimigos,

Gesta-se um novo primogênito,

Com rosto ético-moral atônito:

 

Importa aniquilar todo inimigo,

Assimilado como o real perigo,

A quebrar inusitado casamento,

De político e ideológico intento.

 

A comunhão eclesial machucada,

Ficou mais ferida e transpassada,

Por entronizar os supremacistas,

De motivações religiosas fascistas.

quinta-feira, 11 de agosto de 2022

TATURANAS FAMIGERADAS

 


Quais insetos advindos de mariposas,

Certos mandantes metidos a raposas,

Armados de cerdas de ação urtigante,

Espalham perigo do vigor beligerante.

 

Sustentam ideologias para se afirmar,

Como únicos meritórios do patamar,

Capazes de manter esperanças vivas,

Com suas ilusórias e falsas assertivas.

 

Manipulam o “nós” da nossa nação,

Para dar lugar à ambicionada função,

Que se traveste em regras religiosas,

Para garantir pretensões prodigiosas.

 

Estabelecem o seu interesse político,

Como sendo “bem-comum” pacífico,

Para favorecer seus aliados de pacto,

E fortalecer-se num plano compacto.

 

Seguidores do velho monismo grego,

Movem-se no interesseiro chamego,

Como os únicos capazes de efetuar,

O quanto o povo anseia compactuar.

 

No auto-referenciar-se como o bem,

Alegam força maior advinda do além,

Para eliminar todo e qualquer inimigo,

Merecedor de um humilhante castigo.

 

Impõem politicamente uma religião,

Que justifica o armamento de legião,

Para assegurar os privilégios elitistas,

De oligarquias viciadas e oportunistas.

 

Não desconfiam de reformar seu agir,

Para compostura reta e fazer emergir,

Algo favorável a inúmeros explorados,

Reféns dos preconceitos deteriorados.

 

Como taturanas parasitas aglomeradas,

Andam com suas cerdas empoderadas,

Para liberar toxina hemorrágica mortal,

A quem rejeita o seu controle temporal.

 

 

<center>SOB PENSAMENTO ACELERADO</center>

  Na lógica da elevada conectividade, Sem lugar na agenda para atividade, E sem o horário para conversa à toa, Tudo come tempo e tud...