quinta-feira, 17 de fevereiro de 2022

FUNÇÃO CONTRADITÓRIA

 

 

Encanto por caminho idealizado,

Ensejou bom e frutuoso legado,

Na resposta ao convite superior,

Gesto especial do divino penhor.

 

O itinerário da longa preparação,

Moldou a sua central dedicação,

Para papel resultante do estudo,

Nas funções do divino conteúdo.

 

Associadas a um poder de reger,

Sobreaquecido pelo divino saber,

Encheu-se com o ar aristocrático,

De apreciado lugar meritocrático.

 

Tornou-se funcionário eficiente,

Airoso do status autorreferente,

Mas acabou sendo inadequado,

Com o desempenho minguado.

 

A fragilidade humana evidenciada,

Coloca-o na condição disparatada,

Dum sujeito banível da sociedade,

Devido à sua mórbida sexualidade.

 

O duplo fator de distanciamento,

Do poder fictício de divino alento,

E do papel inadequado ao serviço,

Deixa-o num emaranhado enguiço:

 

Sem voz profética para reino novo,

E sem a proximidade com o povo,

Precisa buscar refúgio na solidão,

Para lidar com a vida de sequidão.

 

Ali falam muitas vozes mórbidas,

Exaltam compensações sórdidas,

E traem os beneméritos divinos,

Com procedimentos e desatinos.

 

Perfil formativo de discipulado,

Do serviço humilde e abnegado,

Abre-lhe novo modelo de padre,

Sem aparatos, e, mais compadre.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

quarta-feira, 16 de fevereiro de 2022

ESPIRITUALIZADO AUTORREFERENCIAL

 

 

Com os dedos atrelados ao celular,

E a atenção num contínuo pulular,

Está o reverendo sempre ocupado,

Para responder ao suposto legado.

 

Inquieto pela repercussão da fala,

Espera atenciosa e merecida chala,

Pela execução ainda não perfeita,

Da desejada imagética escorreita.

 

No meio de inumeráveis afazeres,

Precisa de lives e cumprir deveres,

Mas, todo dia repete as devoções,

Externas de automáticas fixações.

 

Escondido sob vetustas aparências,

Das rubricas e litúrgicas aparências,

Revela-se ortodoxo e hiper radical,

Para ditar o poder do rumo cardeal.

 

Altamente obsessivo pelos detalhes,

De extravagâncias de finos entalhes,

Desde cores vistosas de abotoaduras,

Quer mostrar alteza das investiduras.

 

Na sua aparente eficiência espiritual,

Supõe que sua atividade ministerial,

É o lídimo cerne dos atos positivos,

A gerar soluções com atos lenitivos.

 

Toda a firmeza categórica pela ordem,

Cega-o ante inquietações que aturdem,

Pois, encontra a verdade em si mesmo,

E sem carecer da graça, divulga o esmo.

 

 

 

sábado, 5 de fevereiro de 2022

O SACRALIZADO

 

 

A afirmação da rara alteza,

Não cai do céu com certeza;

É exaustivamente afirmada,

Sob a catequese renovada.

 

Monopolização da verdade,

Afirma uma divina lealdade,

Auferida à pessoa do padre,

Para ser um santo compadre.

 

Com o privilégio de acesso,

Ao divino e santo processo,

Pode exercer a autoridade,

Sobre espalhada iniquidade.

 

Ele dispensa bens salvíficos,

Aos carentes não miríficos,

E sabe treatralizar a liturgia,

Como se fosse o divino guia.

 

Ao rezar sacraliza seu poder,

E afirma pureza do proceder,

Como Alter Christus na ação,

Que quer oferecer a salvação.

 

Com o seu corpo sacralizado,

Justifica-se como divinizado,

Para exercer a pureza ritual,

Como lídimo ser exponencial.

 

A construção hierarquizada,

Vem da praxe estigmatizada,

Com apresentação simbólica,

Que define elevação católica.

 

Pelo tipo de veste e de cargo,

Mais o poder de desembargo,

Assegura o ar de sacralidade,

Uma patologia de autoridade.

 

quinta-feira, 3 de fevereiro de 2022

MORTE DO PADRE GERALDO

 

 

Repercute a morte fulcral,

Num ambiente tão sacral,

Para findar um sofrimento,

De um pérfido detrimento.

 

Apelo ao veneno mortal,

Aponta outro mais letal,

Feito da simples mistura,

De indiferença e ruptura.

 

Da apatia resulta morte,

Bem lenta e sem aporte,

Que seca toda pertença,

E impõe cruel sentença:

 

Sobreviver sem existir,

Ignorado por coexistir,

No espaço indiferente,

Que o deixa irrelevante.

 

Em tal morte silenciosa,

Sem uma ação graciosa,

O veneno mata devagar,

Pelo progressivo relegar.

domingo, 23 de janeiro de 2022

AMIGA SOLIDÃO

 


Do bulling da antiga recordação,

Seguiu-se a pecha da rotulação,

Para acuar o vivente agachado,

Incapaz ante afronte ultrajado.

 

O âmago da sua personalidade,

Emite ruído vazio de lealdade,

E pouco registro de real valor,

Como digno de gratuito amor.

 

Sobreviveu pelo estranho ideal,

De encontrar um ambiente leal,

Para fruir e partilhar seu mundo,

E encontrar bem-estar profundo.

 

No rol de existir pela produção,

Cresceu eficiente na profissão,

Mas sucumbiu na adversidade,

De empedernida religiosidade.

 

Pelas memórias rechaçadoras,

Suas forças nada animadoras,

Vislumbram somente a solidão,

Como parceira fiel da sequidão.

 

Escuta e não dá alguma ordem,

Nem liga para os que aturdem,

E respeita o real mundo vivido,

Com todo seu contorno lívido.

 

Não moraliza e nada condena,

E sua presença vívida e serena,

Assimila tudo e nada alardeia,

Mas é aquela da velha paidéia.

 

Escora bons valores cultivados,

E encanta para novos legados,

Que da vida possam aparecer,

E apontar o novo amanhecer.

 

 

 

 

 

sábado, 22 de janeiro de 2022

PODER HIPERFECUNDADO

 


Os raros casos de superfetação,

De vários óvulos na fecundação,

 Ocorrem na vocação sacerdotal,

Com aumento de poder colossal.

 

À pressuposta convocação divina,

Amplia-se no imagético da batina,

A largueza do seu dote já superior,

Com humano status nada inferior.

 

Com títulos e bajulação de méritos,

Privilégios se tornam beneméritos,

E as honrarias auferem veneração,

Como direito da especial condição.

 

Ao se identificar com o papel social,

Sua realeza é vista como manancial,

Diretamente condecorado por Deus,

Para gestar delírios de um semideus.

 

Longe da reta humildade do serviço,

Vive dum vistoso badulaque postiço,

Para atrair olhares de charmoso galã,

E ampliar o séquito de um mundo fã.

 

Não precisa dobrar os seus joelhos,

Mas dobra os alheios com conselhos,

Da visão essencialista do seminário,

Que o configurou como reacionário.

 

Herdou da mentalidade clericalista,

Que seu patamar está acima da lista,

Daqueles pobres carentes pela graça,

Pois disso está isento como boa praça.

 

Não importa o lado da comunidade,

Já que ele lhe anuncia à saciedade,

O que necessita efetuar e obedecer,

Para algum mérito de Deus merecer.

 

Esqueceu que no chamado da Igreja,

Foi convocado para a valiosa peleja,

De serviço para reduzir na sociedade,

Efeito cruel da falta de solidariedade.

 

 

 

sexta-feira, 21 de janeiro de 2022

UM ALGUÉM DO LADO

 

 

Tanta busca de cargo mais elevado,

Deixou ambiente amigo sublevado,

Para realçar os verbos do “eu faço”,

Eu decido, eu resolvo e eu arregaço.

 

No estímulo ao agir para controlar,

O ímpeto do domínio pelo parolar,

Dispensa o diálogo e a proximidade,

Com alguém em sofrida dificuldade.

 

No olhar conquistador da elevação,

Não importa uma força ao coração,

Mas a feição cativante para agregar,

O substrato que promova o patamar.

 

Regalia de ter a decisão derradeira,

Estabelece-o na função alvissareira,

Da escolha que deseja no seu lado,

Para promover e elevar seu legado.

 

Na condição de mandante poderoso,

Enche-se todo dia com vigor airoso,

Já que a administração deve encantar,

E nenhum visível mérito desencantar.

 

Eficiência cobrada no perfeccionismo,

Precisa ampliar seu largo misticismo,

Para comprovar sua rara celebridade,

E condecorar a merecida notoriedade.

 

Sua imagem precisa ser bem diluída,

Para ser falada e largamente fruída,

Como suporte de meritória elevação,

E como justa na merecida promoção.

 

Como a eficácia de verbos dialógicos,

Não conta para discursos ontológicos,

Veicula-se a si mesmo como candidato,

Merecedor de um cargo mais cordado.

 

 

<center>FLIBUSTEIRO ALTRUISTA</center>

  Metido a herói humanitário, Está aí um sujeito salafrário, Desonesto por sua natureza, Aparentando lídima inteireza.   Acusa p...