sexta-feira, 18 de dezembro de 2020

MODÉSTIA ASSUMIDA

 

 

Diante de desejos insaciáveis,

Procedimentos responsáveis,

Vencem a ordem consumista,

E abrandam fruição otimista.

 

Sem uma assumida modéstia,

 O olho de posse passa a réstia,

Para acumular bens e fortunas,

E desfrutar das largas turunas.

 

Sem barreiras para ambições,

Os humanos visam atribuições,

Que ultrapassam seu alcance,

E os induzem a um falso lance:

 

Pretendem ocupar um lugar,

Que permita ser um hangar,

Para plainar acima de Deus,

Sentindo-se perenes arceus.

 

O bom controle dos desejos,

Solta na vida largos ensejos,

Para diluir toda arrogância,

E desinflar exibida jactância.

 

A modéstia faz virtualidades,

Que obscurecem as vaidades,

E gestam meigas interações,

Com edificantes disposições.

 

Sem o domínio dos desejos,

Atormentam nos lampejos,

As posses do poder eterno,

Que a outros, causa inferno.

 

 

 

 

 

quinta-feira, 17 de dezembro de 2020

A PRECIOSA AMABILIDADE

 

 

Perceptível de longe e de perto,

Anda radiosa, de espírito aberto,

E se delineia no rumo contrário,

De tanto mecanismo temerário.

 

Sem arma de mecanismos cruéis,

É respeitosa mais que os vergéis,

E se orna com preciosa gentileza,

Para redimir a humana inteireza.

 

Objeto de primeira necessidade,

Afugenta a larga agressividade,

E dissuade o azedo mau humor,

Para espalhar lídimo pundonor.

 

Dilui docemente a razão de ser,

Porquanto leva a se enternecer,

E delega sabor vital à existência,

Para enchê-la de benemerência.

 

Como professora muito especial,

Repassa de forma tão imparcial,

Um modo de cuidado e de trato,

Que eleva o gesto com aparato.

 

Alivia incontáveis pesos alheios,

Com seus discretos saracoteios,

E gesta o milagre do belo sorriso,

Transformador do olhar indeciso.

 

Deixa estupefata a indiferença,

E remove a obnubilada crença,

Com o ânimo de palavra amiga,

Que contorna qualquer intriga.

 

Como a virtude de excelência,

Sabe dosar a nobre prudência,

Para espalhar rica integridade,

Na pífia ordem da iniquidade.

 

 

O STATUS DA GENTILEZA

 

 

Na exaustão da prepotência,

De arrogância e indecência,

Sobe a simpática gentileza,

Ornada de modesta singeleza.

 

Remete a sonhos paradisíacos,

Para além dos cleptomaníacos,

E do procedimento indiferente,

A humilhar de modo renitente.

 

Longe da ambição dominante,

Produz na empatia irradiante,

A leveza da boa convivência,

E a nobreza da benemerência.

 

Gentileza gesta razões cordiais,

Sensibilizando para atos vitais,

Que irradiam cheirosa ternura,

Para a interação da brandura.

 

Leva ao respeito da diferença,

Seja a cultural ou a da crença,

Para aglutinar com modéstia,

E acolher ínfima luz da réstia.

 

A gentileza tem a virtualidade,

De abrir rumo à humanidade,

Para relacionamento fraterno,

Este grande anseio sempiterno.

 

Como fonte de solidariedade,

Gentileza encanta à saciedade,

E melhora o gosto da refeição,

Saciando genuína compleição.

 

 

quarta-feira, 16 de dezembro de 2020

ABUSO DO PODER ESPIRITUAL

 

 

Filha da capacidade manipuladora,

Está a pretensão da fé promissora,

A manipular a dimensão espiritual,

Para perpetrar controle preceitual.

 

Instrumentalizando as convicções,

Dobra-se a consciência para ações,

Que a afastam da sua busca de fé,

Para assumir conselhos de má-fé.

 

Desperta a impotência da vítima,

Para atrelar a sua fé tão legítima,

À direção da prestimosa tutoria,

Na tergiversação da sua fantasia.

 

Metido a dono do conteúdo da fé,

O abusador assegura ser o que é,

Como o melhor interprete divino,

Para aconselhar com lídimo atino.

 

Quando o guia espiritual quer ser,

A exclusiva fonte para arrefecer,

Com soluções que ele interpreta,

Foge da ética saudável e discreta.

 

O caminho para Deus que aponta,

É pífia manipulação que afronta,

A sincera abertura para liberdade,

E fere a vítima com arbitrariedade.

 

Na autoproclamada ação salvadora,

Subjaz a farsa da fé nada redentora,

A induzir perverso abuso espiritual,

Espoliando pessoas de modo banal.

 

Constitui prelúdio do abuso sexual,

Pois avança pela noção consensual,

Do direito de satisfazer carências,

Para suas próprias benemerências.

 

 

terça-feira, 15 de dezembro de 2020

OUTRA VEZ NATAL!

 

 

O daquela saudosa infância,

Cheio de luz e boa fragrância,

Ressoa nas boas recordações,

Com encantos e ricas emoções.

 

O dos nossos dias hodiernos,

Já distante dos gestos ternos,

Insinua felicidade de consumo,

Como rol de um exitoso rumo.

 

Apartado das raízes ancestrais,

E dos sentidos religiosos vitais,

Impõe a regra de reciprocidade,

Para um consumo à saciedade.

 

Bom para aqueles que vendem,

E que suas condições defendem,

Natal da economia de mercado,

Significa ampliar o vasto legado.

 

Ricos e pobres devem consumir,

E num sonho próspero subsumir,

Como um caminho de liberdade,

E democracia de larga saciedade.

 

Os milhões de seres espoliados,

Enxotados aos ermos relegados,

Tem nos bolsos vazios e desertos,

O indício de rumos muito incertos.

 

Longe do memorial da manjedoura,

E daquela significação imorredoura,

Este Natal de consumo desenfreado,

Irradia vasta alienação por todo lado.

 

A mera reciprocidade de consumo,

Sem os gestos para inusitado rumo,

Obscurece a estrela interpeladora,

Que aponta para a rota redentora.

 

Se a pandemia coíbe aglomeração,

Talvez faculte alguma ponderação,

Para o significado de um caminho,

Diferente do humano descaminho.

 

 

A BIOINVASÃO

 


O contra-ataque aos nossos ataques,

De um pequeno vírus sem destaques,

Feriu a inaudita prepotência humana,

E detonou tática da guerra doidivana.

 

Enleou toda a sofisticada espionagem,

E cruzou os detectores da parolagem,

Para travar o ar de altivos guerreiros,

E até de inocentes e pobres obreiros.

 

Acertou o alvo econômico-financeiro,

Com o militaresco tão vil e arruaceiro,

E salientou a eficiência da sua tática,

Contra a tecnologia humana errática.

 

Hedionda guerra humana à natureza,

Finalmente delineou toda sua dureza,

Para receber ultimato e ordem radical,

E desnudar a sua atividade nada legal.

 

Obcecada pela felicidade do consumo,

Deteriorou a natureza como insumo,

E desrespeitou a rica biodiversidade,

Denegrindo-a com doida voracidade.

 

Assim o vírus confina a humanidade,

E lhe aponta premente necessidade,

De tornar-se mais humilde e cordata,

E agir na natureza de forma sensata.

 

A bioinvasão evidencia colapsologia,

Em que toda atrocidade sem elegia,

Encontra outra que reage ressentida,

Ante a ação predatória e desmedida.

 

Contra vetustas e barbaras invasões,

Uma destas procrastinadas tradições,

Humanos terão que haurir respeito,

Para não estragar seu excelso preito.

 

 

 

 

 

 

 

domingo, 13 de dezembro de 2020

FOFOCAGEM

 

 

Agradável como aragem suave,

E solene como o ar de conclave,

Mexe com antenas da atenção,

E produz a ambígua irradiação:

 

De um lado, tão doce e gostosa,

Mas, de outro, amarga e raivosa,

Expõe os mundos contraditórios,

De preconceituosos consistórios.

 

Metida a bruxa feia e horrenda,

É artista para ajeitar contenda,

E dilatar-se qual virose temida,

Para causar imagem denegrida.

 

Apesar de imagem contestada,

Reboleia a língua já adocicada,

Para interpretar na vida alheia,

Toda contraditória mão cheia.

 

Além da gestação de intrigas,

E antagonizar pessoas amigas,

Suas deduções interpretativas,

Gestam reações autoreflexivas.

 

Altera no cotidiano rotineiro,

Enfadonho rumo corriqueiro,

Para repassar interpretações,

Das desencontradas emoções.

 

Auto-crítica da fala perpetrada,

Que denegriu pessoa recatada,

Requer inovada auto-imagem,

No lugar da balofa plumagem.

 

Caso interpretasse coisa boa,

Da bondade que tanto ressoa,

Contagiaria as terras e os ares,

Com os solidários patamares.

 

 

<center>SOB PENSAMENTO ACELERADO</center>

  Na lógica da elevada conectividade, Sem lugar na agenda para atividade, E sem o horário para conversa à toa, Tudo come tempo e tud...