quinta-feira, 4 de junho de 2020

PODER DA INFORMAÇÃO


 

Na sedução hiper-real,

Pouco importa o real,

Pois jogo de imagens,

Encaminha miragens.

 

Na audição distraída,

E visualização perdida,

Deslindam-se figuras,

Sem nada de agruras.

 

A definição da imagem,

Com a falsa roupagem,

Atinge o ego desejoso,

Para desfrute ardoroso.

 

O valor da socialização,

E o da individualização,

Somem no espetáculo,

De atraente tentáculo.

 

Com schow e sedução,

Por prazer e distração,

Persegue-se instrução,

E anula-se organização.

 

A mescla de informações,

Anima obsessivas paixões,

Para a vontade subjetiva,

Sem vinculação coletiva.

 

Importa o divertimento,

E boa imagem de alento,

Para sondar um alcance,

Que aponte boa chance.

 

A avidez sensacionalista,

Desdenha coletiva pista,

À herança humano-social,

Para valioso nível cultural.

 

Na simulação do possível,

Esconde-se o desprezível,

Da organização desigual,

Estopim de guerra brutal.

 

 

 

 

 

 

 


FIRMEZA NA RETIDÃO

 

Como é grato rememorar,

Condutas retas a orientar,

O caminho diário dos atos,

A favor de rumos pacatos.

 

Fruto de interação honesta,

Seu agir a ninguém molesta,

Pois, inspirado em exemplo,

Configura-se sagrado templo.

 

Anima seu amigo deprimido,

E lhe aponta a luz de sentido,

Para lidar com o seu conflito,

Sem engendrar muito atrito.

 

Aviva no lume da esperança,

O horizonte da temperança,

Para agir com toda firmeza,

Sob os ditames da inteireza.

 

Torce pelo êxito dos outros,

Para superar desencontros,

E os anima para constância,

Integradora da dissonância.

 

Sofrendo mais que os amigos,

Não lamenta gestos inimigos,

Porque lida com causa maior,

De condição humana melhor.

 

Ricas indicações de sabedoria,

Revelam a síntese sem aporia,

Da fé orientada para bondade,

Que visa elevar a fraternidade.

 

 

 

 

 


quarta-feira, 3 de junho de 2020

ENCORAJAMENTO


 

Não faltam incitadores,

Sem fitos moderadores,

A incitar atos reativos,

Pelos meios agressivos.

 

Poucos são os corajosos,

Destemidos e valorosos,

Que não distorcem fatos,

Nem veiculam desacatos.

 

Sabem encorajar na crise,

Sem estimular um deslize,

Para trair os retos desejos,

E a fiança de lídimos ejos.

 

Estímulo à perseverança,

Que recria na esperança,

A acuidade ante ciladas,

Recria condições ilibadas.

 

Suscita força de firmeza,

Com gestos de inteireza,

E anima para superação,

Que desanimou na ação.

 

Alimenta a chama de luz,

Que se aproxima de Jesus,

Na transcendência vivida,

De presteza enternecida.

 

Também neste momento,

De incerteza e desalento,

É notável quem sereniza,

Ante pânico que inferniza.

 

No belo ato encorajador,

Integra-se a reação à dor,

E reata-se na motivação,

A firmeza na dedicação.

 

 

 

 

 

 

 

 


DESEJO DE ESTAR JUNTOS

 

O isolamento preventivo,

Contra um vírus invasivo,

Imperceptível no avanço,

Não move bom descanso.

 

Amplas e fartas polêmicas,

Sobre sequelas endêmicas,

Com apelos demagógicos,

Elevam surtos ideológicos.

 

Sensível campo emocional,

Rouba bom-senso racional,

Para almejar ótima solução,

Longe da prescrita reclusão.

 

Reacende-se o desejo forte,

Do social e precioso aporte,

Para desfrute da companhia,

Que no isolamento se tolhia.

 

O anseio pelo “estar juntos”,

Delineia que outros assuntos,

Não enchem anelo profundo,

Na rota do pavor moribundo.

 

A expectativa de aproximação,

Já não fita obras e muita ação,

Nem projetos sociais vistosos,

Mas só afeto e gestos ditosos.

 

O anelo deste espírito afetivo,

Relega o útil e vetusto lenitivo,

De mera peça de engrenagem,

Para fruir boa camaradagem.

 

Mas ali ronda o agente mortal,

No faro da boca e duto nasal,

Para devorar vida e os sonhos,

E intimidar amigos tristonhos.

 

Na difícil permanência isolada,

Fermenta a sensação desolada,

Do desabamento da identidade,

Dependente da grupal lealdade.

 

 

 

 

 


segunda-feira, 1 de junho de 2020

O SENIL

 

Mesmo sem vetusta idade,

Já é contado na senilidade,

E visto na condição fulcral,

De novo descartado social.

 

Respeitado pela exigência,

Mas sem a benemerência,

Seu histórico não importa,

Para a síntese que reporta.

 

Propicia disfarçado enfado,

E pouco acalanto de agrado,

Pois, seu marco referencial,

Não indica algo substancial.

 

Nada interessa a memória,

De sua conquistada vitória,

E os fracassos suplantados,

Que lhe auferiram legados.

 

Na eira de projetos ousados,

Os seus palpites já ignorados,

O tornam assistente passivo,

Da perspicácia do hiperativo.

 

Sem crédito para a futurição,

Está aprisionado em alçapão,

Feito um ornamento saudoso,

Para algum esporádico gozo.

 

A função exercida como útil,

No sistema que o deixa fútil,

Come no silêncio contencioso,

Todo o seu passado laborioso.

 

Mantido na reserva do ofício,

Resta a luta contra o suplício,

De esperar para além da vida,

A  afetuosa ação enternecida.

 

Se custa muito e rende pouco,

O sentido auditivo fica mouco,

E toda a flexibilidade sociável,

Acaba numa inação deplorável.

 

 

 


REPERCUSSÕES PARANÓIDES


 

Se COVID19 constitui tormento,

Sem piedade e o mínimo alento,

Outro quadro mais apavorante,

Advém de paranóico mandante.

 

Com seus delírios persecutórios,

Os bizarros raciocínios aleatórios,

Explicitam ódio e dura invectiva,

Contra toda alheia prerrogativa.

 

Incapaz de tratamento afetuoso,

Herdou o autoritarismo rigoroso,

Sádico perante desapontamento,

E humilhador contra escarmento.

 

Seu pensamento sempre hostil,

Ante imaginado e adverso redil,

Produz contínua defesa reativa,

Esperando a submissão afetiva.

 

Desconfiada hipersensibilidade,

Produz perseguição à saciedade,

Porquanto insubmissos amigos,

Viram seus asquerosos inimigos.

Os excessos de reação agressiva,

Contra imaginada saga opressiva,

Tornam intolerante a sua crítica,

Perante hipotética figura mítica.

 

Cada um do entorno é agressor,

Que bajula como falso assessor,

E desnuda sua clara inadaptação,

Compensada pelo delírio de ação.

 

Sonho do desempenho impecável,

Projeta o seu “super-ego” amável,

E, reações desmedidas à censura,

Comprometem a reputada lisura.

 

Nos outros enxerga seus defeitos,

Que não elogiam os sábios feitos,

Pois, seus malévolos adversários,

Movem só interesses perdulários.

 

Este medo dos efeitos previsíveis,

Acua quaisquer sonhos factíveis,

Pois humanos ódios perpetrados,

Geram morte e doloridos legados.


quarta-feira, 27 de maio de 2020

PIPAROTES COM OFENSAS




O sonhado bom meio interativo,
Para o isolamento um paliativo,
Tornou-se arena dos combates,
De fanatizados e pífios embates,

As palavras proferidas são fracas,
Ante gestos e motivações patacas,
Para ampliar o ódio ao adversário,
E justificar certo apelo temerário.

O estranho é que amigos pacatos,
Endossem afirmações e desacatos,
Com preclaro argumento deletério,
Cheio de provocação e impropério.

Até elementar noção de civilidade,
Que prezava trato de cordialidade,
Sumiu do cotidiano das interações,
E medeia o rechaço com palavrões.

Na linguagem não verbal de gestos
Insinuações com pesados doestos,
Apontam para guerra de amoucos,
Que destratam pela ideia de loucos.

Quando piparotes reforçam os ódios,
Em favor de supostos e belos pódios,
Impregna-se página social de amigos,
Com a guerra declarada aos inimigos.

O inimigo declarado é o que discorda,
Do que o exaltado categórico aborda,
E isto justifica tão tenaz perseguição,
Porque constitui risco contra a nação.

Assim não se pode apertar o celular,
Porque salta o sangue de ódio no ar,
Para deixar Moloch muito satisfeito,
Com o sangue humano ao seu preito.



<center>FENÔMENOS CLIMÁTICOS</center>

  Cada vez mais seguidos e intensos, Causam mortes e pavores imensos, E tudo leva a crer que os culpados, São os humanos com atos er...