quinta-feira, 19 de setembro de 2019

MUNDOS SOBRANTES





Mundos culturais e subjetivos,
Constituem centrais lenitivos,
Para boas interações pessoais,
Neste mar de lidas impessoais.

Dependência vinculada a afeto,
Deixa tão frágil e nada discreto,
O vínculo da pertença a grupos,
Pois causam inúmeros apupos.

Na percepção tão causticante,
De sentir-se massa sobrante,
Fervem sentimentos variados,
Que causam  pruridos irados.

Ver-se na condição descartada,
Amplia o alarme em disparada,
De inconformismo com crueza,
Diante do sumiço da presteza.

A inquietude do fato adverso,
Revira todo o humor disperso,
Para culpar a maldade sentida,
E vingar a consternação ferida.

Aceitar perdas tão evidentes,
Com dissabores bem ingentes,
Induz ao namorisco da solidão,
Para ser parceira na desilusão.

Recomeçar tudo mais uma vez,
Sem nenhuma segura solidez,
É a sina do amargo rol da vida,
Que leva à glória enternecida.



quarta-feira, 18 de setembro de 2019

INCERTEZAS NO CAMINHO




Nem toda certeza e logística do caminho,
Assegura o amparo de um bom padrinho,
Para uma vida que se alarga e plenifica,
Com a virtualidade humana que edifica.

Como o vetusto conceito de sabedoria,
Já envolvia nobre função da pedagogia,
Para salientar o valor do discernimento,
Assim o bom-senso trás contentamento.

Não são as posses, a fama e a grandeza,
Que fazem da vida harmônica inteireza,
Mas a capacidade da síntese vivenciada,
Que leva à superação da lida desandada.

No cultivo obcecado de tantas ambições,
Sobressaem as multifacéticas frustrações,
Que ameaçam toda estabilidade humana,
E a induzem ao clima de demência insana.

Se políticas públicas focam as vantagens,
De particulares e interesseiras arangens,
Os já roubados e empobrecidos humanos,
Seguem descartados como lixos profanos.

Nesta guerra cruenta por sobrevivência,
Some toda a consternação e a decência,
E se anulam as tão frágeis mobilizações,
Por cordialidade de humanas condições.

No vasto, inseguro, e efêmero caminho,
O contingente humano que está sozinho,
Aponta cada dia mais o caminho do lixo,
Um rumo irremediável de mundo mixo.






sexta-feira, 30 de agosto de 2019

DESEJOS E PREFERÊNCIAS




O mundo das conversações,
Trai nossas boas aspirações,
Pois, prepara para a guerra,
E, tanta maldade que ferra.

Atrela desejos e preferências,
Para as visadas precedências,
Cruzando condição biológica,
Com uma cultura ideológica.

Na obstinação pelos desejos,
Não cabem atos benfazejos,
Pois, age pelo que dá gosto,
E supra o controle do oposto.

A desconfiança vira obsessiva,
E escancarada como excessiva,
Vive das labutas pelo controle,
Com os medos do descontrole.

Assim uma herança patriarcal,
Move a vida pelo rigor radical,
Pois compete e luta por poder,
E hierarquiza para não perder.

Na intensa elevação da guerra,
A justificação racional que ferra,
Visa o domínio sobre os outros,
Sem acolher os direitos doutros.

Nada deseja para a vida de paz,
Pois, emoção indica o que apraz,
E o torna intolerante e rigoroso,
Com a adversidade do seu gozo.



quinta-feira, 29 de agosto de 2019

BEM PESSOAL




Quando se deseja,
O algo que enseja,
E supra a vontade,
Cresce a maldade.

No centro do “eu”,
O fogo Prometeu,
É a minha vontade,
Pedindo saciedade.

Cego imediatismo,
Prenhe de cinismo,
Acumula projeções,
E insanos pelotões.

Farta prosperidade,
Ocupa sua vontade,
E substitui a divina,
Pela posse cretina.

Quer tudo imediato,
Com milagre barato,
Para mais conquistar,
E a barganha alastrar.

Visa muitos aplausos,
Preso em seus clausos;
Sem perceber o alheio,
Nem seu próprio meio.

Cego ao vasto clamor,
Não entende o amor,
Nem anseio do pobre,
Porque só vê o nobre.



quarta-feira, 19 de junho de 2019

AUTENTICIDADE DISSUADIDA




As muitas bondades manifestadas,
Longe das retas posturas recatadas,
Revelam estreito liame de intentos,
Com segundas intenções de eventos.

Na hipocrisia da larga visibilidade,
Evidenciam-se com farta saciedade,
As práticas da justiça de aparência,
Para a interesseira benemerência.

Na visibilidade da extrema lisura,
Impregnada com ares de ternura,
Podem aflorar egoísmos vulgares,
Do cerne de maldosos patamares.

De fato, a erradicação da vaidade,
E orgulho enaltecido na sociedade,
Clamam pelo sentir afetivo básico,
Substituto do agir humano afásico.

O simulacro das boas aparências,
Não produz as supostas evidências,
De sociedade mais justa e fraterna,
Que se ajuda e muito se consterna.

Presumidos ganhos de boas ações,
Podem até angariar manifestações,
Mas, duram menos que o almejado,
Para assegurar um benéfico legado.

Fazer bem sem barganha vantajosa,
Abre clarões na humana nebulosa,
Que adora as armas para uma paz,
E só colhe o terror muito pertinaz.





quinta-feira, 13 de junho de 2019

ROTINAS ANÓDINAS




Sequer tristes e nem eufóricas,
Porém sôfregas e categóricas,
Impõem mitigação analgésica,
Para pouca reação sinestésica.

Noticiário pouco importante,
Trata velha rusga mandante,
E enfatiza os fatos intimistas,
Com as previsões pessimistas.

Os empolgantes acusadores,
Colhem revides aterradores,
E o antagonismo ideológico,
Reflete um clima patológico.

O ideal dum próspero futuro,
Não cruza o momento duro,
Da decrepitude dos projetos,
Sonhados só no rol dos afetos.

Até nas protelações paliativas,
Morrem as lídimas iniciativas,
Adiadas para tempos distantes,
Sem sinais e atos demandantes.

Mitigação do que deve ser feito,
Encontra em tudo algum defeito,
Para que seja mais bem avaliado,
E culmina sendo desconsiderado.

Na minguada relevância dos dias,
Divulgam-se as mesmas melodias,
Que somente enaltecem os amores,
Impregnados pelos vis dissabores.








quinta-feira, 30 de maio de 2019

PODER E DESCARTE




Cada dia em crise mais abrangente,
O poder deixa o povo descontente,
E na medida do acesso a prediletos,
Aumentam descontentes e desafetos.

A desgraça ingênita dos poderosos,
É a descartabilidade de rancorosos,
Considerados supérfluos aos fitos,
E obstáculos aos muitos não-ditos.

Na malvadeza de selecionar gênios,
Revigora-se a história de milênios,
Dos tiranos que visam supremacia,
E para tanto relegam a democracia.

Importa o “eu” excelso e superior,
Austero a controlar o povo inferior,
Para que não se organize no direito,
E nem se arrogue a apontar defeito.

No silêncio imputado por satisfeitos,
Fluem suaves os ditames dos preitos,
Que espoliam sempre os já preteridos,
Do acesso aos patamares prometidos.

Sem aproximação dos bens simbólicos,
Sobram só os momentos melancólicos,
Para reclamar de alguma compensação,
Diante da dura e bucólica malversação.

No sentimento que tanto procrastina,
Espalha-se insatisfação de triste sina,
Que rouba todo o gosto do bem viver,
E apaga a empatia para bem conviver.




<center>SOB PENSAMENTO ACELERADO</center>

  Na lógica da elevada conectividade, Sem lugar na agenda para atividade, E sem o horário para conversa à toa, Tudo come tempo e tud...