segunda-feira, 30 de outubro de 2017

CARÁTER CONQUISTADOR



O moderno caráter conquistador,
Produz um ambiente devastador,
Pois, a estimulação da iniciativa,
Gera o hábito de vida mais ativa.

Na constância do agir moderno,
O antigo monismo nada terno,
Revive na função controladora,
A eliminação nada promissora.

Tudo quanto não se submete,
Passa a merecer desde bofete,
Até uma submissão indesejada,
Ou a aniquilação injustificada.

O mito da alteza do vencedor,
Faz cada um ser um domador,
Que amansa todo o peculiar,
E o adestra a fim de espoliar.

No potencial da índole forte,
Todo encontro leva à má sorte,
De ser a vítima fruída no valor,
Apesar do seu elã e forte ardor.

Triste sina deste perfil cultural,
Reativa da forma mais fulcral,
A impossibilidade do respeito,
Para bom e humano conceito.

Se conquistar é o que importa,
Nada humano e divino reporta,
Ao que de bom possa aparecer,
E indicar um inusitado alvorecer.


sexta-feira, 27 de outubro de 2017

A ESCAPADINHA DO SANTO



Taciturno no pedestal da santidade,
Onde outrora agregava irmandade,
Constatou que devotados orantes,
Já não eram fiéis como eram antes.

Sem memória dos humanitários atos,
É apenas apreciado por olhos pacatos,
Que em coisa alguma desejam imitá-lo,
E bem menos ainda, em algo escutá-lo.

Movidos por uma fé somente estética,
E distantes de qualquer postura ética,
Pedem milagre com grande desconto,
E que mude rápido o dolorido ponto.

Olham-no pelo simpático semblante,
E dele esperam uma ação extasiante,
Que cause emoções bem agradáveis,
E proteja contra os males inevitáveis.

Ele é o santinho do amor fantasiado,
Angelicamente divino e prendado,
Para auferir graças muito especiais,
Que mudam todas as dores banais.

Como agora deixaram sua mediação,
E focaram o amor em outra direção?
Ao frequentar outros novos lugares,
Estavam encantados por novos ares.

Viu que o sacrifício, já sem renúncia,
Mas obcecado por muita brogúncia,
Despertava todo afeto em comprar,
No contínuo processo de se superar.

Seus novos rituais de sacrificialismo,
Faziam trabalhar num determinismo,
Para alcançar o dinheiro da oferenda,
E fazer oblação de cotidiana prenda.

A oferta já não ia mais para o santo,
E, nem fitada no divino sacrossanto,
Mas, tudo parava no supermercado,
Ou comercializado no livre-mercado.

O afastamento do beatério devotado,
Levou a desconfiar de algo inusitado,
E o santo foi espiar o fervor dos fiéis,
Em locais sem incenso e sem vergéis.

Todos afoitos no excesso de objetos,
Atropelavam-se nos modos abjetos,
Pela maior quantidade de produtos,
Para abarrotar domiciliares redutos.

O santo olhou as casas abarrotadas,
E até fitou suas imagens sagradas,
Pois as suas feições multiplicadas,
Estavam difundidas e compradas.

A oferenda aos santos e divinos,
Era feita nos jantares mais finos,
Onde se repartia parte comprada,
Em sacrifício de memória sagrada.

O seu amor focado nestes objetos,
Desprovidos dos oráculos secretos,
Enfeitava o milagre na ceia servida,
E era disponibilizado como bebida.

No lugar da renúncia e abnegação,
O divino era consumir à exaustão,
E um farto self-service disponível,
Garantia uma felicidade indizível.

O santo não fez nada desonesto,
Mas pensou em cobrar o doesto:
                                          Ser indenizado por dano afetivo,
Pelo prejuízo na lida a tanto vivo.

Viu-se reduzido ao mero enfeite,
Apenas para o simpático deleite,
Sem nenhuma perspectiva futura,
E sem memória da sua lida dura.

Um imenso excesso era adorado,
E moderação, um ato desprezado,
Mas todos queriam o “deuzinho”
A lhes dar muito amor e carinho.

“Hiper” era a palavra mais falada,
E mercadinho a mais desprezada,
Nem mesmo “super” impactava,
Pois, para excesso, não importava.

As procissões ficaram diferentes,
Sem luz de velas incandescentes,
Pois, faróis iluminavam caminhos,
No rumo dos adorados cominhos.

O ato mais heroico de empanturrar,
Levou a um atrativo e servido altar,
Em que uma comilança à exaustão,
                                       Descortinava uma excelsa adoração.

Os riscos da morte vindos da comida,
Eram maiores que da desumana lida,
E advinham dos excessos ingeridos,
Dos sagrados alimentos deglutidos.


quinta-feira, 26 de outubro de 2017

PETRALHAS DO OPORTUNISMO



A acusação dos defeitos esquerdistas,
Já não oculta as falcatruas direitistas,
E nem é neologismo exclusivo correto,
Para um opositor tido como desafeto.

Os bandidos que roubam e usurpam,
Bem como os que traem e deturpam,
Piores do que os das cadeias públicas,
São os criadores de falsas repúblicas.

Em nome de uma boa administração,
Psicopatas se proclamam a condição,
Da vantagem sórdida de roubalheira,
Com requintado estelionato sem eira.

Chega a ser nojenta e bem asquerosa,
A costumeira procrastinação ardilosa,
Que usurpa e se proclama redentora,
A quem espolia de forma desoladora.

Para um alcance dos fins desonestos,
Elevam-se como serviçais modestos,
E visam ocultar vasto extorsionismo,
Que aplicam com pervertido cinismo.

Assim, usurpam, mentem e roubam,
Em nome da condição que arroubam,
Para disfarçar a atividade chantagista,
Que corrompe de forma exibicionista.

Defendem e isentam certos ladrões,
Aliados aos seus antiéticos padrões,
Para evitar qualquer procedimento,
Que possa mudar o desleal intento.


LEIS INEFICAZES



Feitas para o entendimento,
Produzem ânsias de alento,
Para uma relação respeitosa,
E uma convivência graciosa.

Quando não são observadas,
Ferem garantias consagradas,
Para o respeito e a dignidade,
Numa benfazeja coletividade.

Ao se tornarem manipuladas,
Para as vantagens obcecadas,
Tornam-se meios de opressão,
E de injusta e atrevida pressão.

Nas barganhas das ambições,
Leis viram ardilosas punições,
Para os fracos de auto-defesa,
E diminuídos na sua inteireza.

Maus tratos de altos clamores,
Sob os apelos às leis superiores,
Facilitam interesses dominantes,
E alargam injustiças abundantes.

Quando isentas do campo ético,
E são reféns dum gosto estético,
As leis viram arma fulminante,
Para ambiente desumanizante.

Favorecem os mais poderosos,
E produzem os efeitos danosos,
Que repercutem em explorados,
Que só podem ficar resignados.



quarta-feira, 25 de outubro de 2017

PODERES EXOTÉRICOS



Em tempos de crises sociais,
Surgem tentações especiais,
De poderes únicos e divinos,
Advindos de secretos atinos.

Os poderes muito superiores,
Do rol de pobres sofredores,
Conferem a ditos inspirados,
Poderes novos e inusitados.

Já não se movem pela ação,
De um humanitário coração,
Pois, o poder de dar ordens,
Eleva-os além das desordens.

Ao interpretar-se agraciados,
Por divinos e celestes legados,
Nada mudam na sua conduta,
Já que a entendem impoluta.

Desejam muitos seguidores,
Que imitem os seus fervores,
E na mais submissa prostração,
Acolham tudo em seu coração.

Já não importa o eco da dor,
Da Terra no seu forte clamor,
Nem o da injusta organização,
Que causa a vasta prostração.

Bastam discursos bajuladores,
E promessa de bons penhores,
A garantir os milagres efetivos,
Com os excepcionais lenitivos.






segunda-feira, 23 de outubro de 2017

ARGUMENTOS ESCORREGADIOS




Promessas religiosas de futuro,
Perderam o seu aporte seguro,
De acalantar boas esperanças,
Sob a mediação das bonanças.

Nos espertos apelos políticos,
Belos planos nada raquíticos,
Apontam para uma felicidade,
Vigorosa e farta na saciedade.

Enquanto chantagens vazam,
Belas mentiras se extravasam,
Para apontar o céu esperado,
E aparar sinais do seu legado.

Já os comerciantes religiosos,
Insinuam milagres dadivosos,
Pelo vil consumo de objetos,
Dos seus poderes concretos.

Na banalização milagreira,
Da cura rápida e certeira,
Alarga-se a vetusta magia,
De pervertida demagogia.

O pressuposto ato divino,
Já restrito a transe cretino,
Insinua felicidade material,
E a abundância imemorial.

Farta felicidade prometida,
Está a indicar o tipo de vida,
Que não avança na alegria,
E nem solidariedade irradia.



domingo, 22 de outubro de 2017

ETERNOS PROTELADORES



Da marca cultural de fluidez,
Aparece robusta insensatez,
Da irremediável protelação,
Que tanto mal faz à nação!

Como fluídos a esgueirar-se,
Querem de tudo inteirar-se,
Sempre dispostos a efetuar,
Qualquer coisa para bajular.

Fixos no alcance do sucesso,
Em nada aceitam retrocesso,
Do imagético perfeccionista,
De um perfeito protagonista.

Em tudo protelam boa ação,
E sabem justificar a intenção,
Presa na inércia burocrática,
Da sinecura de ação prática.

Usura, sovinice e a avareza,
Sustentam a astuta afoiteza,
De protelar com a hipocrisia,
O que delegam à hipostasia.

Sob um hábito incorporado,
Sonham com belos legados,
Jogados à inercia do tempo,
E à traição do contratempo.

Alargam a tática protelatória,
Com medos de perder a glória,
De serem julgados imperfeitos,

Sob a falácia dos seus defeitos.

<center>FENÔMENOS CLIMÁTICOS</center>

  Cada vez mais seguidos e intensos, Causam mortes e pavores imensos, E tudo leva a crer que os culpados, São os humanos com atos er...