sexta-feira, 23 de junho de 2017

Prumo torto



Na edificação da sociedade,
Um prumo torto de vaidade,
Condecora nos governantes,
As regalias bem abundantes.

Além das fartas mordomias,
E das já deliberadas regalias,
Justificam um iminente risco,
Para desgraçar o seu aprisco.

O obtuso desvelo prestimoso,
Desaponta no fim primoroso,
Do prometido a necessitados,
Que apenas seguem relegados.

As concessões ao bem comum,
Atreladas ao desvio incomum,
Não ajustam a índole da ética,
Ao discurso de muita patética.

Nas promessas tão proteladas,
Esmorecem ânsias recatadas,
Que morrem sem a dignidade,
Sob uma frustrante fatalidade.

Enquanto o desvio da retidão,
Engole na curva a sofreguidão,
O distanciamento das classes,
Aumenta todo dia os impasses.

Nas boas intenções relegadas,
Não cabem vidas fracassadas,
Das vítimas do desvio de rota,

Obrigadas a fenecer em grota.

Mentira



Escancara-se em nosso berço varonil,
O procedimento cotidiano e muito vil,
De negar enfaticamente roubos lesivos,
 E alegar que foram retos e inofensivos.

Nas mentiras exaustivamente repetidas,
Presume-se que sejam bem convertidas,
Em verdades categóricas e nada banais,
Sem afetar a honra de atos descomunais.

No idílio de que atos ilícitos perpetrados,
Não merecem ser punidos ou detestados,
Ensina-se que qualquer cargo mandante,
Está liberado para procedimento errante.

Nesta escola da malandragem do Estado,
O povo é logrado e fica altamente lesado,
Sem amparo daquele recurso privilegiado,
Que oculta na mentira um devasso legado.

Ainda que a indignação prostre a esperança,
E à mentira não delegue qualquer confiança,
Os mentirosos se asseguram fartos privilégios,
Para assegurar a imagem de idôneos egrégios.


Deixam aos pobres a sorte do sonho fantasioso,
De que representantes criem quadro auspicioso,
De concessões paternalistas eivadas de bondade,
Para plenificar sua vida com uma farta felicidade.



quinta-feira, 22 de junho de 2017

Nas barbas de Morfeu



Amantes do deus noturno,
Vagam no caminho soturno,
Embriagados na melancolia,
Que canta a melhor melodia.

Sob a luz lúgubre da imagem,
Pouco importa a roupagem,
Pois, na tristeza do taciturno,
Nada furta o torpor diuturno.

Quando o sentimento funesto,
Amontoa-se para um protesto,
O melhor lenitivo para a mente,
Acaba sendo o trago dormente.

Quando ele se enfuna na ideia,
Fica belo como a flor de azaléia,
E aquieta o tormento obcecado,
Duma insatisfação por todo lado.

Diluída a censura do consciente,
Flui solta a conversa recorrente,
Que remete a fatos já ocorridos,
Para justificar seus maus fluídos.

Assim o deus dos fartos sonhos,
Não elimina os ideais bisonhos,
Que somente se tornam visíveis,
Com efeitos alcoólicos indizíveis.






Na égide do Priapo



Do velho culto ao elemento viril,
Renasce uma obsessão muito vil,
Da adoração do poder excitante,
Para afirmar um poder mandante.

A sedutora artimanha possessiva,
Vale-se da fina astúcia agressiva,
Para comprar afeto sem medida,
E tornar refém a pessoa agredida.

O desejo insaciável de apropriação,
Gera ciúmes de má concatenação,
E leva a mecanismos de vingança,
Para ratificar hábitos de lambança.

Com virilidade adorada e exaltada,
Sob o apanágio da vida desregrada,
Procrastinam espíritos desenfreados,
Que criam ruínas por todos os lados.

Na desventura dos lares desfeitos,
Sobram sequelas dos vis defeitos,
Que se alargam para novos lares,
E contaminam até seus bons ares.

Com culto a Priapo acima dos altares,
Transforma-se amor para patamares,
Que não passam de desfrute machista,
A relegar morte à capacidade altruísta.











Palavra poderosa



Eficaz na remoção de sentimentos,
Tem o poder de apresentar alentos,
E indicar belas e boas virtualidades,
Para superar amargas adversidades.

Consegue apontar inovados mundos,
Para além dos horizontes iracundos,
E facultar encontros enriquecedores,
Que ampliam os humanos pendores.

Consegue extrair das cinzas da morte,
Razões para buscar a renovada sorte,
Na internalização de perdas sofridas,
E recriação de motivações preteridas.

Quando eivada de maldade enganosa,
Consegue espalhar destruição danosa,
Que arruína os mundos conquistados,
E os deixa em sofrimentos inusitados.

Ao ocultar os interesses ideológicos,
E esconder os intentos demagógicos,
Torna-se arma mortal para exclusão,
E faz morrer à míngua por exaustão.

Quando veicula uma metalinguagem,
Que dissuade através da mensagem,
Gera vastos contingentes oprimidos,
E deixa direitos humanos denegridos.

Portadora de vasto mundo simbólico,
Pode anular a força do agir diabólico,
E criar razões de autotranscendência,
Para a ressignificação da imanência.






















Bondades volúveis



Como na acolhida em Jerusalém,
Jesus, o agraciado vindo do além,
Viu subsumir a efusiva expressão,
De quem dele teve boa impressão.

Os governantes atentos aos riscos,
Não acolheram os novos apriscos,
Dos que esperavam outra ordem,
No meio daquela cruel desordem.

Souberam infundir o preconceito,
Para assegurar seu injusto direito,
De mandar e legislar para pobres,
Que auferiam seus direitos nobres.

Como nos antigos atos perversos,
Hodiernos reinantes controversos,
Reagem sobre a opinião coletiva,
Para impedir toda nova invectiva.

O encantamento da base popular,
Seduzido com promessas a pulular,
Oscila na contradição do momento,
E se encanta com um doce alento.

O processo da construção do novo,
Requer solidez e firmeza do povo,
Para não ser explorado e iludido,
Por um sistema sutil e denegrido.


Ramos verdes



Da seiva advinda da profundeza,
Eclodem e encantam pela beleza,
E prenhes de boas virtualidades,
Portam flores, frutos e beldades.

Na expansão da vida silenciosa,
Ramos em orquestração airosa,
Enaltecem a humana condição,
Para sair da sua procrastinação.

Tantos ramos verdes queimados,
Por vândalos cegos e obcecados,
Poderiam propiciar ação eficaz,
Para boa saúde que tanto apraz.

As ricas propriedades medicinais,
Poderiam vicejar em mananciais,
Para levar embora os dissabores,
Advindos das causticantes dores.

A teimosa obsessão destruidora,
Da humana ambição predadora,
Desequilibra biomas tão variados,
Somente para sonhos desvairados.

Sob o mesmo húmus desta Terra,
Que vasta riqueza de vida encerra,
Eclodem os gritos ensurdecedores,
Pela redenção para novos alvores.





<center>SOB PENSAMENTO ACELERADO</center>

  Na lógica da elevada conectividade, Sem lugar na agenda para atividade, E sem o horário para conversa à toa, Tudo come tempo e tud...