terça-feira, 11 de abril de 2017

Fundamentalistas




Piores do que tiranos perversos,
Matam de modos bem diversos,
Em nome duma instância divina,
Para ratificar sua postura cretina.

Seus traços primários de orgulho,
Não lhes permitem um mergulho,
Na riqueza da experiência alheia,
Já que a humildade não os enleia.

Desprovidos da virtude religiosa,
Vivem medo da ação prodigiosa,
De crenças com efeitos eficazes,
Sem o meio de controles vorazes.

Autoritários e muito arrogantes,
Soltam os falaciosos rompantes,
Contra o êxito de outras crenças,
Regidas por suas leves sentenças.

Imiscuídos em supostas verdades,
Querem impingir suas veleidades,
Como condições retas e absolutas,
Para alargar pretensões impolutas.

Sem uma síntese da sua condição,
Fazem-se arrogantes na afirmação,
Do único percurso correto e certo,
Que redime sem o espírito aberto.



sábado, 8 de abril de 2017

Ingerência


Velha e conhecida patranha,
Revela perversa artimanha,
De interferir na vida alheia,
Sem suporte da própria teia.

Pessoas confusas e inseguras,
Articulam inovadas diabruras,
Para subjugar outras pessoas,
Sob o pretexto de ações boas.

Não conseguem sugerir nada,
Mas impõem ideia apaixonada,
De que sua opinião é absoluta,
Mesmo fanática e nada arguta.

Ditam normas e impõem a lei,
Com vistas a alargar sua grei,
Para se passarem por imbuídas,
Das celestiais forças hauridas.

Nesta religião que não redime,
Pouco importa quem oprime,
Pois sua magia tão curandeira,
Nada transforma na sua eira.

Simples tentativa de persuasão,
Para impor seu próprio condão,
Alardeia sua segurança pessoal,
Com o procedimento ditatorial.




Jumentos e mísseis



No avançado patamar tecnológico,

Guerrear com jumento fica ilógico,

Pois somente a humilde condição,

Vale-se de jegue para a locomoção.





Na simbologia de vetusta imagem,

Jumento não oferece a vantagem,

À supremacia nas lutas de guerra,

Mas, do que a humildade encerra.





Se a sorte dos humildes está frágil,

Diante dos maldosos de ação ágil,

Significa, contudo, a arma da paz,

Rumo ao respeito humano eficaz.





Na humilde entrada em Jerusalém,

Jesus Cristo, mobilizado pelo além,

Enfrentou sem arma a prepotência,

E apontou o rumo de mais decência.





A sofrida memória da cruz assumida,

Mais que a identificação enternecida,

Oferece apelo ao basta na violência,

E a superação da pérfida indecência.





Alguém rompeu o círculo da violência,

Pelo perdão e pela farta benevolência,

E apontou humana condição possível,

Para a vivência respeitosa do indizível.





sexta-feira, 7 de abril de 2017

Ressurreição e vida



            Mesmo que não se queira ficar no maniqueísmo de supor a existência de duas forças contrárias agindo em torno da nossa vida, - a do bem e a do mal, - constatamos uma misteriosa inclinação para o avesso do que pode favorecer mais qualidade de vida.
            De um lado temos um avanço notável de estudos e avanços científicos; de pesquisas e inovações para tratar da melhor forma os desequilíbrios da saúde. Em torno da defesa da vida inventam-se aparelhos, tratamentos, transplantes, enxertos e fantásticas terapias para assegurar saúde normal e boa qualidade de vida. Com satisfação, constatamos largos avanços na medicina preventiva que já vem demonstrando a eficácia de prolongar a vida para muito além do que era comum há algumas décadas atrás.
            Por outro lado, constatamos, com pesar, a corrupção que causa mortes, a exploração da doença e o acesso seletivo que exclui os empobrecidos da sociedade e os deixa ao léu da própria sorte. Mais do que isto, causa estupefação a verdadeira indústria de morte: fabricação de armas, de componentes químicos para matar, de organizações de aborto, de falsificação de remédios para obtenção de maiores lucros, e das hediondas tragédias humanas produzidas por interesses econômicos, celebrados como boa administração. O pior é que se perde gradualmente a sensibilidade com os que são mortos todos os dias pelas razões mais estúpidas que se possam pensar.
            Frente ao quadro perverso contra a vida, parece que apenas celebramos a sorte de ainda continuar vivos e vamos aceitando a guerra contra a vida como algo natural e feito por Deus. Apenas choramos e lamentamos a morte dos entes próximos. Assim, parece que a morte é a linguagem muito mais convincente do que a da preservação da vida.
            Parece bem difícil aprender de experiências humanas e religiosas muito antigas. Ezequiel, exilado com seu povo na Babilônia, reagiu ao ditado popular que circulava naquela gente oprimida: os ossos já secaram e as esperanças já se extinguiram. Já não havia mais alento para algo reconfortante. Por isso, Ezequiel valeu-se de uma imagem forte: Deus seria capaz de abrir as sepulturas, juntar os ossos, envolvê-los com músculos, para que pudessem andar novamente, e, regressar à sua terra... (Ez 37, 12-14). Em outras palavras, a vida daquela gente poderia renovar-se completamente.

            O evangelista São João, refletiu sobre os sinais manifestados por Jesus Cristo para assegurar que seu jeito de vida não terminaria com a morte e esta deixaria de ser a última palavra sobre a existência. A palavra de Jesus assegura a vida para além da morte. Diante da morte de Lázaro (Jo 11, 1-45) enfatiza-se que Jesus é o dom escatológico que assegura a vida plena para além da morte. No lógion “Eu sou a ressurreição e a vida”, fica evidente que a adesão ao jeito de Cristo faz valorizar o dom da vida. Oxalá possa prevalecer e alargar-se uma hegemonia da vida sobre a morte. Jesus Cristo se revelou altamente humanitário diante da dor que os familiares de Lázaro sentiram com sua morte e os fez crer na vida. Mais do que juntar ossos e músculos, o sentido da vida, move para além da morte.

quinta-feira, 6 de abril de 2017

Enfermidade


Quando os olhos escancaram dor,
E uma substancial perda de vigor,
Move-se no sentimento a vontade,
De modificar aquela contrariedade.

Sem a certeza do efeito do gesto,
Condói-se o coração tão modesto,
Para apontar uma viva esperança,
No meio desta irrequieta andança.

Quando a morte parece espreitar,
Pelas frestas do corpo a definhar,
Pouco alento resta para insinuar,
Que saúde plena venha a vigorar.

Na compaixão tão desconfortável,
A ausência de uma palavra amável,
Obriga a abrir a porta da quietude,
Para a empática força de solicitude.

Sentir dor tão anelante de amparo,
Mesmo no definhamento preclaro,
Parece reativar a fraca consciência,
De que se pode ter mais clemência.

Assim o intrigante compadecimento,
Pelo menos repassa um frágil alento,
Para quem lida na oscilante vontade,
Ferida por desandada contrariedade.


terça-feira, 4 de abril de 2017

Educação e decência ética


Quando o exemplo dos mandantes,
Insinua procedimentos degradantes,
De que educação faculta a esperteza,
Nada sobra à educação da inteireza.

Larga estimulação da malandragem,
Desonra toda a reta e digna imagem,
De quem aprendeu o valor da retidão,
E a corresponder a sinais de gratidão.

Na honra do procedimento honesto,
Distante da prevaricação de modesto,
Não cantarão fanfarrões arrogantes,
Nem as glórias de cínicos mandantes.

Será que ainda sobra algum punhado,
De humildes e retos no emaranhado,
Nesta corporativa e vasta corrupção,
Dos egrégios mandantes da nação?

Quando tantas autoridades iníquas,
Em determinações nada conspícuas,
Agem com sua língua enganadora,
Educam mais que a ação educadora.

Sob as vanglórias dos espertalhões,
Aumentam largas procrastinações,
Dos espertalhões e prevaricadores,
Contra a educação de bons valores.




domingo, 2 de abril de 2017

O creio dos gatunos


Na similaridade das crenças religiosas,
O creio liberal insinua regras valiosas,
De que é o único sistema que redime,
A condição humana sob seu regime.

Ao negar qualquer nova alternativa,
Que não seja a categórica afirmativa,
Da sua gestão política de governança,
Acaba disseminando farta lambança.

Sob uma aparente apatia da política,
Grupos aumentam radiação enclítica,
Para controlar cargos e os problemas,
E firmar seus pretensiosos emblemas.

Produzem vasto efeito de sofrimento,
Pois os holofotes do enternecimento,
Ampliam a incerteza e a insegurança,
E deixam ao povo o acerto da fiança.

Farejam inimigos por todos os lados,
E bajulam com os aparentes agrados,
Mas, sem amenizar qualquer agrura,
E nem diminuir a crescente amargura.

Os propalados desejos humanitários,
Como tantos velhos carros utilitários,
Ficam inertes sem energia de partida,
E atormentam mais a condição falida.








<center>FENÔMENOS CLIMÁTICOS</center>

  Cada vez mais seguidos e intensos, Causam mortes e pavores imensos, E tudo leva a crer que os culpados, São os humanos com atos er...