terça-feira, 6 de setembro de 2016

Restaurador messiânico


Com apelos de agraciado do Senhor,
Chamado para humanitário penhor,
Esmera-se o reverendo prepotente,
Na euforia de deixar tudo contente.

Aprendeu a dar respostas categóricas,
E a discursar com apelações retóricas,
Na suposição de ser líder messiânico,
Embora seus atos arrostem o satânico.

Educado no complexo de inferioridade,
Disfarça-o no vasto ar de superioridade,
E trabalha exaustivamente para provar,
Que só carece de súditos para aprovar.

Sente-se o dono absoluto da verdade,
E a expressão da melhor idoneidade,
Para mandar segundo ditames retos,
E aguardar muitos efeitos concretos.

Sua consciência é o referencial certo,
De tudo quanto possa agir por perto,
Porque a noção superior da vocação,
Delega-lhe a plenitude da redenção.

Não carece de entreajuda e de estudo,
Pois, no seu ar messiânico já sabe tudo,
Para cobrar a execução do que aponta,
E aguardar a honra que não desaponta.

Sob a apelação das frases bajuladoras,
Esconde pretensões nada redentoras,
Pois, se move no autoritarismo cruel,
Nada próximo do agir de um bom fiel.



sábado, 3 de setembro de 2016

Capacidade de ponderar




            Em tempos de decisões rápidas e efêmeras diante de qualquer situação da vida, tende-se a perder a capacidade de ponderar e de discernir sobre o que mais convém que seja feito. Sem este filtro para as decisões, incide-se numa dificuldade muito grande de escolhas apressadas e inapropriadas. Por outro lado, a ausência da capacidade de ponderar também impede que se percebam as interpelações de Deus para ajudarmos a construir o que na linguagem religiosa chamamos de Reino de Deus.
            A capacidade de ponderar não depende de questão genética ou de dotes inatos, mas, de um cultivo que não necessariamente é acumulativo, porquanto depende de uma incessante busca de aprimoramento. Ela pode nos indicar alternativas ao cruel sistema de concorrência e de disputa por lucro, poder e precedência.
            O dia-a-dia revela que não são muitas as pessoas que nos revelam a grandeza da ponderação em sua vida as leva a renunciar a muitas coisas adoradas e proclamadas como sinônimo de felicidade. Aos olhos de muitas pessoas as decisões ponderadas de algumas outras podem deixar a impressão de indícios de loucura.
            Também parece anacrônico aos olhos da fé de muitas pessoas o convite que Jesus deixou explícito aos seus possíveis discípulos: a capacidade de saber renunciar a muitas coisas que o cotidiano da vida oferece. Muitos desejam ardorosamente o caminho do triunfo de da vitória, mas, sem cruz e sem mediação de morte.
            A opção pelo caminho de Jesus de fato implica no desafio de saber largar muitas coisas tidas como importantes na vida. E como é difícil olhar para além das múltiplas formas de manipulação e indução ao mero consumo dependente. Aparentemente isto é impossível de ser feito. Todavia, será que somos apenas limitados a nos constituir objetos manipuláveis por grupos eu entidades desejosa em nos conduzir por certos rumos na vida?
            Em Lucas, 14,25-33 consta uma referência à torre de Babel que representou a confusão decorrente da vaidade das pessoas, que, mesmo falando a mesma língua não se entendiam em suas mirabolantes ambições. Por isso, mais do que fazer orçamentos, somos convidados a clarear no que apostamos a nossa vida. Dependendo do foco central, as outras propostas socialmente aprovadas e insinuadas, vão tornar-se relativas.
            Uma aposta na fé para fazer o itinerário de Jesus Cristo pode clarear e elucidar o fim último que damos à nossa vida. Certamente não fomos convidados a ser simplesmente objetos de sedução para muito consumir e para produzir tanto lixo que desequilibra nossa casa comum que é o planeta Terra.



terça-feira, 30 de agosto de 2016

Frugalidade do respeito



Considerado pretérito e caduco,
Aparece sutil como um macuco,
A fitar no horizonte alvissareiro,
O emergir de um visual altaneiro.

A tão repetida aposta da guerra,
Com o hediondo que ela encerra,
Sempre ignora as regras valiosas,
De convivências despretensiosas.

Sem o devido respeito ao distinto,
Comete-se abuso em todo recinto,
E a já degradada lealdade humana,
É sufocada pela avidez que engana.

A vingança apenas prolonga a dor,
De quem já foi um refém perdedor,
E cede ao arrogante desrespeitoso,
A outorga para ser mais fastidioso.

Antigas companheiras da história,
Alargaram efusões de bela vitória,
Ao apontar o caminho do perdão,
Como segredo de fácil superação.

Tão elementar para uma segurança,
Pode o respeito alargar a confiança,
E encher os olhos de encantamento,
Para um recuperado entendimento.











sábado, 27 de agosto de 2016

Obsessão da vontade



Desde o envolvimento da gestação,
À iniciação despertadora da atenção,
Insinua-se a obsessão pela conquista,
Como o sinal vital da função prevista.

Cada criatura deve ser determinada,
A buscar pela vontade programada,
Ampliação do ambiente socializado,
Para deixar grande e vistoso legado.

Educa-se para o intelecto de argúcia,
Hábil para organizar toda a minúcia,
Mas não sensível ao ato de acolher,
E, menos ainda ao de se enternecer.

Na vivência religiosa imita-se a lida,
E na percepção da ação combalida,
Não se espera orientação de rumos,
Mas só resultados para os aprumos.

Rejeita-se o que aquieta a vontade,
E mais ainda o que indica veleidade,
Pois se quer haurir da fonte divina,
Tudo quanto a vontade determina.

Já não resta tempo para auscultar,
O que na vontade se deseja ocultar,
Ou tornar passível de acolhimento,
Algo que brote de bom sentimento.






sexta-feira, 26 de agosto de 2016

Humildade e gratuidade



            As duas virtudes destacadas por Jesus Cristo encontram-se, com certeza, em momento histórico de baixíssima cotação. O ímpeto social e coletivo aponta precipuamente para o contrário: fazer qualquer coisa para tornar-se visível e valer-se de quaisquer mediações que ajudem para a elevação da autorreferencialidade.
            Parece que especialmente em tempos de crise de convivência urbana é que voltam mais as crises em torno da capacidade de se portar de forma modesta e acolhedora diante das pessoas. Como já acontecia no tempo de Cristo, a decadência urbana repete cada dia mais a centralidade da precedência a qualquer preço, a tal ponto que posturas de humildade e de gratuidade se tornam tão estranhas que até parecem ser anormais.
            E como é desconfortável ter que ir a uma casa e ter que preencher o tempo todo ouvindo bajulações para enaltecer o anfitrião ou seu convidado especial, ao lado de outros que disputam a proximidade para aparecer na maior evidência possível. Segundo o evangelista Lucas (14, 1.7-14) Jesus soube tocar com sutileza nesta doença social da precedência. E entre as historinhas que Jesus contava, ele ressaltava que no entorno da mesa deveria prevalecer uma expressão de amizade e não a dos interesses pela prática de rituais elogiosos e de etiquetas em torno da imagem de alguém.
            Jesus relativizou a precedência dos lugares de destaque e das honrarias em torno do lugar mais proeminente. E para surpresa, sugeriu não convidar pessoas do mesmo padrão para a festa com a expectativa de receber pelo menos outra festa similar como retribuição. Jesus salientou, ao mesmo tempo, a grandeza da gratuidade no sentido de oferecer algo sem ter em vista o retorno de algo similar em termos de qualidade e de ostentação.
            A proximidade de eleições municipais nos coloca muito por dentro deste clima bajulador em que o centro da conversa constitui a trocas de gentilezas, com muito mérito fantasioso e com muitas atribuições exageradas. O elogio apresenta sempre uma segunda intenção.
            Outra surpresa deixada por Jesus Cristo foi a de estimular o convite a pessoas que não tem o que retribuir. Ao se fazer festa para elas, não se considera algum mérito, mas, destaca-se o valor expresso à vida destas pessoas. Não cabe, pois, manipulá-las para o interesse subentendido de que se submetam a alguém que está sendo colocado em evidência. Trata-se de um amor gratuito, como foi aquele amor manifestado por Deus. Assim, quer sejam pessoas próximas por parentesco ou as consideradas pelo valor da sua existência, quando convidadas para algum momento festivo ou de valorização de suas vidas, sempre ocorre algo que se aproxima do amor de Deus. Tanto o receber quanto o ofertar algo para alguém, implica em humildade e gratuidade.

            

quarta-feira, 24 de agosto de 2016

Lares desfeitos



Nestes tempos de estímulo afetivo ilimitado,
Induzido por processo narcisista exacerbado,
Predomina a mutabilidade das experiências,
E a instabilidade de regras e de consistências.

Com a pornografia orientando o imaginário,
Qualquer corpo atraente segundo o ideário,
Merece ser curtido, desfrutado e deflorado,
Para a satisfação de um ego ensimesmado.

No corpo prostituído e feito para consumo,
O sagrado valor da vida familiar sem rumo,
Já não desperta nem aprumo e nem opção,
Porque já é refém prisioneiro da corrupção.

Corrompem-se os laços afetivos e sexuais,
E a troca dos parceiros por razões banais,
Propaga as crises sem caminho de perdão,
E gera ódios veiculados em larga profusão.

No fugaz que mata esperanças de futuro,
Produz-se um processo humano inseguro,
Apesar das ameaças e normas coercitivas,
Sem qualquer inovação nas perspectivas.

Tampouco a prática de fé e vida religiosa,
Criam meios para superar a lida piedosa,
De buscas para emoções desequilibradas,
Sem elã para refazer alianças esfaceladas.




terça-feira, 23 de agosto de 2016

Velhas similitudes



Tempos imemoriais revelam a prepotência,
De mandantes obcecados por precedência,
Que priorizam nefasta e despótica postura,
Apesar dos juramentos de reta compostura.

Defendem com ênfase as leis estabelecidas,
Mas são pioneiros para deixa-las preteridas,
E sob as aparências de postura impecável,
Praticam o que equivale ao mais execrável.

Tecem regras rígidas para pequenos ladrões,
Mas escondem os arroubos de extrapolações,
Que efetuam a fim de favorecer as vantagens,
Que ainda ocultam as fenomenais rapinagens.

As ambições constituem o parâmetro da lei,
Sem se importar com o que acontece na grei,
E na aparência de uma postura reta e ilibada,
Conseguem encobrir a sua vida conspurcada.

A auto-atribuição de importante superioridade,
Aufere-lhes também justificativa de autoridade,
Para não sensibilizar-se com anseios populares,
Mas mantê-los no foco de ilusões espetaculares.










<center>FENÔMENOS CLIMÁTICOS</center>

  Cada vez mais seguidos e intensos, Causam mortes e pavores imensos, E tudo leva a crer que os culpados, São os humanos com atos er...