quarta-feira, 26 de novembro de 2014

Sortilégios



Enquanto instituições públicas declinam,
Arautos dos caminhos da sorte ensinam,
Fascinados por artifícios que enriquecem,
E que exalam de futuro o que conhecem.

Arvorados nos meandros de secretas sortes,
Querem oferecer pródigos e ótimos aportes,
Aos pobres e infelizes desprovidos do poder,
Para tirar proveito deles e deles se escafeder.

Ao apontar a presumida sorte sabem amealhar,
Sobre a fantasia de tudo quanto ousam partilhar,
O poder exotérico que consegue gestar dinheiro,
Embora explorem bem mais o sonhador fagueiro.

Nas apelações aos secretos poderes transcendentais,
Sofismam em malandragem e charlatanice excogitais,
Os poderes mágicos das instantâneas transformações,
E como fautores mirabolantes de atraentes sensações.

Captam dos muitos ingênuos e incautos sonhadores,
Os anseios dos bem fulgurantes e afáveis pendores,
Para o mágico “pulo do gato” da riqueza abundante,
A perpetuar vida fácil, e, com felicidade incessante.





terça-feira, 25 de novembro de 2014

No embrulho dos atributos de Deus



É tanta a publicidade móvel sobre poderes divinos,
Oferecendo prodígios celestiais nada pequeninos,
Que já se dispensa o agir capaz de melhorar a vida,
Pois, pela via do pastor, Deus age bem na medida.

Cura magicamente qualquer doença do tipo que for,
E afugenta as mazelas dos ínfimos resquícios da dor,
Desde que pessoas se atrelem ao pastor presunçoso,
E ao lugar que ele estabelece para o agir miraculoso.

Na captação secreta do quanto Deus possa oferecer,
O mediador da suposta barganha se põe a enaltecer,
Seu próprio poder de cura de toda fraqueza humana,
E da possível potencia satânica que tanto desengana.

Não estaria o poderoso milagreiro do auto-engano,
Extrapolando com algo que é meramente profano,
Para sustentar a ação divina através da sua pessoa,
E submeter ao controle que em seu desejo ressoa?

No pressuposto do lugar da ação da força superior,
Fica Deus delimitado à condição banal e tão inferior,
Que nem lhe cabe o direito de ser Deus e fica refém,
Do que alguém imagina captar de exotérico do além.

Da linguagem do auto-engano extrapola-se o profano,
E o efeito sugestivo sobre algo tão genuíno e humano,
Ao ser atribuído como sendo ação de efeito do além,
Transforma tanto vivente em submisso e pobre refém.


segunda-feira, 24 de novembro de 2014

Bondade



No mar das relações humanas,
Tantas se revelam doidivanas,
Mas as que elevam a bondade,
São de extraordinária raridade.

No agraciado da benemerência,
Irradia-se a luz da complacência,
E a empatia do bondoso coração,
Esparge toda a magoada emoção.

No despertar alegre e contagiante,
O coração se torna mais irradiante,
Para bem distribuir a benfazeja paz,
E espalhá-la do jeito que lhe apraz.

A bondade não emerge só de pessoas,
Uma vez que eclode de emoções boas,
Advindas das virtualidades da natureza,
Que contagiam com encantos de beleza.

Nada, porém, fascinante como o olhar,
Translúcido e sem maldade a antolhar,
Que irradia plenitude da humana lida,
Com as luzes para a mente combalida.

Possam os ventos eivar-se de bondade,
Para irradiar até uma imensa saciedade,
Todas as condições dos seres humanos,
E livrá-los dos doestos e de desenganos.


Pessoas de Bem



Mesmo sem a conotação dualista,
E tampouco na noção maniqueísta,
As pessoas de bem são minguadas,
E suas ações, facilmente ignoradas.

Quão satisfatório é poder aprazer-se,
Com uma vida simples a esmaecer-se;
Que se expande na maior simplicidade,
Com o refinamento agudo da bondade!

Já os possuidores de outra referência,
Movidos por diferente mundividência,
Emitem perversas calúnias sobre elas,
E lhes relegam enternecidas sequelas.

Malgrado, sua consistência interior,
Não se rebaixam à condição inferior,
Dos revides aos níveis dos achaques,
Para perpetrarem outros vis ataques.

O respeito capaz de gerar amizade,
E a capacidade de revelar lealdade,
Advinda da boa sutileza do coração,
Brilha no rol da grandiosa reputação.

No direito de cada pessoa viver sua vida,
Mesmo quando está doente e combalida,
Abre-se o rico espaço da ação da amizade,
Como terapêutica da sofrida enfermidade.




Pessoas de Bem



Mesmo sem a conotação dualista,
E tampouco na noção maniqueísta,
As pessoas de bem são minguadas,
E suas ações, facilmente ignoradas.

Quão gratificante é poder aprazer-se,
Com uma vida simples a esmaecer-se;
Que se expande na maior simplicidade,
Com o refinamento agudo da bondade!

Já os possuidores de outra referência,
Movidos por diferente mundividência,
Emitem perversas calúnias sobre elas,
E lhes relegam enternecidas sequelas.

Malgrado, sua consistência interior,
Não se rebaixam à condição inferior,
Dos revides aos níveis dos achaques,
Para perpetrarem outros vis ataques.

O respeito capaz de gerar amizade,
E a capacidade de revelar lealdade,
Advinda da boa sutileza do coração,
Brilha no rol da grandiosa reputação.

No direito de cada pessoa viver sua vida,
Mesmo quando está doente e combalida,
Abre-se o rico espaço da ação da amizade,
Como terapêutica da sofrida enfermidade.




Pessoas de Bem



Mesmo sem a conotação dualista,
E tampouco na noção maniqueísta,
As pessoas de bem são minguadas,
E suas ações, facilmente ignoradas.

Quão satisfatório é aprazer-se,
Na vida simples a esmaecer-se;
Que se expande na simplicidade,
Com o refinamento da bondade!

Já os possuidores de outra referência,
Movidos por diferente mundividência,
Emitem perversas calúnias sobre elas,
E lhes relegam enternecidas sequelas.

Malgrado, sua consistência interior,
Não se rebaixam à condição inferior,
Dos revides aos níveis dos achaques,
Para perpetrarem outros vis ataques.

O respeito capaz de gerar amizade,
E a capacidade de revelar lealdade,
Advinda da boa sutileza do coração,
Brilha no rol da grandiosa reputação.

No direito de cada pessoa viver sua vida,
Mesmo quando está doente e combalida,
Abre-se o rico espaço da ação da amizade,
Como terapêutica da sofrida enfermidade.




quinta-feira, 20 de novembro de 2014

Reinado de Jesus Cristo



            A mesma tentação que desvirtua Maria, mãe de Jesus Cristo e que leva a transformá-la em deusa rainha, com a nítida perda da riqueza humanitária dos gestos concretos daquela mulher, envolve também a pessoa de Jesus Cristo. Basta pensar no título que lhe é atribuído e, tão explorado no discurso religioso: ele é Rei Poderoso!
            Ao celebrarmos a festa de Cristo Rei, corremos o risco de pensar em alguém muito poderoso aqui na Terra, e que continua ainda mais poderoso no céu. Com isso, relegamos o verdadeiro significado desta atribuição, nada parecida com a dos reis da época, mas, de uma ação histórica, especialmente favorável à inclusão dos que já não contavam na sociedade e que se viam ignoradas, tanto pelos governantes quanto pelas autoridades religiosas.
            Ao consideramos, em nossos dias, o quanto aparece de notícia relativa à negligência dos que se proclamam dedicados na ajuda humanitária a todos, mas, que revelam tão escancarada corrupção em todas as instâncias de governo, tendemos a ficar altamente decepcionados. Se a propalada democracia, tão exaustivamente insinuada como a melhor forma de governo, produz estes frutos, acabamos desejando outro jeito de governança.
            Da Bíblia, lembramos como Ezequiel (34,11ss) anima o povo profundamente desanimado na condição escrava. De um lado, ele interpreta o motivo: os que se denominavam zelosos governantes para o bem do povo, altamente negligentes, estavam pastoreando apenas em favor de si mesmos. Por outro lado, a passividade do povo e o progressivo abandono das regras da Aliança permitiram aquela trágica condição de estarem escravos em outro país e sem condição de se livrarem dos aproveitadores estrangeiros.
            Foi então que Ezequiel intuiu o que seria fundamental para sair daquela condição: fé em Deus. Utiliza uma imagem da lida cotidiana de quem cuida de ovelhas, a do desvelo, para que as desgarradas sejam integradas ao rebanho.
            O evangelista Mateus, num outro momento histórico, interpretou os fatos do cruel contexto do império romano, e olhou para o que Jesus Cristo fez: foi um servo que se dedicou especialmente para inserir os excluídos. Seu modo de proceder, não procurou reunir somente membros das doze tribos que formaram Israel, mas sua ação indicava que todos os povos poderiam agir como ele: atenção especial para diminuir o sofrimento de tantas pessoas em variadas situações infra-humanas, com fome, doenças, prisões, espoliação, etc.
            Jesus Cristo não culpou estas pessoas com o reforço moral de que eram impuras e de que já estavam condenadas. Tampouco continuou a aplicar-lhes o rótulo de que seriam impreterivelmente condenadas para além da morte. Bem ao contrário, revelou o rosto misericordioso de Deus e se mostrou altamente dedicado às vítimas do sistema político-religioso, escancaradamente injusto.
            Lembrar Cristo Rei, bem ao avesso da concepção triunfalista, pode nos interpelar para outro modo de agir, que com certeza já lateja em tantas vítimas dos governantes despóticos, mas, que também precisam de outro modo de agir para não continuarem no fatalismo de meras vítimas expiatórias de um sistema injusto de governo.



<center>FENÔMENOS CLIMÁTICOS</center>

  Cada vez mais seguidos e intensos, Causam mortes e pavores imensos, E tudo leva a crer que os culpados, São os humanos com atos er...