sábado, 15 de fevereiro de 2025

FELICIDADE PARA QUEM?

 

 

Caminhos da política humana,

Apontam a ação vil e profana,

Como a mediação privilegiada,

Para a felicidade extravasada.

 

Posse de poucos privilegiados,

Que ignoram seus explorados,

Parece legar-lhes choro e dor,

Sem uma chance de pundonor.

 

Numa luz esperançosa emerge,

Uma chance feliz que converge,

Para humanidade bem solidária,

Sob menos reinança autoritária.

 

Já para os cristãos discípulos,

Longe dos rígidos escrúpulos,

Sugestivo convite a felicidade,

Visa a vida em sua totalidade.

 

A oferta do abraço acolhedor,

Não visa o astuto espoliador,

Mas a vítima da sua ambição,

Desprovida duma consolação.

 

Longe de consolo para triste,

A Bem-aventurança insiste,

Que Deus enseja o consolo,

Sem imersão no desconsolo.

 

Já lateja no âmago da vida,

Atenção auscultada na lida,

Para encontrar na felicidade,

Projeto para toda sociedade.

 

Rumo indicado aos discípulos,

Que eram meros receptáculos,

Convidou para ação dinâmica,

Contra uma injustiça endêmica.

 

Um velho estatuto autoritário,

A justificar poderio temerário,

Teria que ser deixado de lado,

Para viger o novo a ser criado.

 

Caminho alternativo proposto,

Ante o sistema social suposto,

Abre esperança ao injustiçado,

Para um modo de mais agrado.

 

sexta-feira, 14 de fevereiro de 2025

LIBERDADE CLAUDICANTE

 

 

Confundida com o livre arbítrio,

Transformada num visível átrio,

Foi engolida pelo totalitarismo,

Dum extraordinário fanatismo.

 

Arma de regimes autoritários,

Sob os argumentos libertários,

Vira ordem mágica e poderosa,

Para tendência política raivosa.

 

Já não é mais direito de ir e vir,

Mas o valor na boca a proferir,

Que o Estado em nada interfira,

No agir livre que indivíduo mira.

 

A defesa ferrenha da liberdade,

Por grito agressivo na sociedade,

Esconde uma ideologia em jogo,

E ilude muito vivente como bobo.

 

Velho grito liberal da liberdade,

Presta-se para atacar sociedade,

Para que deixe esfera individual,

Livre de qualquer controle social.

 

Arroga-se sacro direito ilimitado,

Para espalhar ódio por todo lado,

Suscitando violências sem limites,

Aos discordantes de seus apetites.

 

Os discursos favoráveis à liberdade,

Presumem uma larga desigualdade,

Para submeter no presumido medo,

Ante esquerdismo diabólico e azedo.

 

Uma aparente defesa da liberdade,

Leva-os a absolutizar na sociedade,

O seu precípuo direito de difamar,

E seu projeto autoritário propagar.

 

O interesse do projeto autoritário,

Nega existência de plano contrário,

E em nome da simpática liberdade,

Usa o bordão para a arbitrariedade.

 

Eles podem soltar ódio e violência,

Com direito para tal competência,

Que é negada a seus adversários,

E tolhe liberdade de seus ideários.

 

Supõem um partido ou carismático,

Como um único mediador didático,

Da ideologia mandante do grupo,

Que imortaliza seu próprio apupo.

quinta-feira, 13 de fevereiro de 2025

COMUNICAÇÃO IMAGÉTICA

 

 

Analfabeto em imagética,

 Não me cabe apologética,

Para entronizar a escrita,

Do meu paraíso eremita.

 

Olhos fitos nas imagens,

Não captam linguagens,

Do pensamento escrito,

Ainda que bem adscrito.

 

Os sonhos relacionados,

Ou intentos encantados,

Veiculados como textos,

Definham em pretextos.

 

Importa atrativo a olhos,

Mesmo criando antolhos,

Pois, preguiça de pensar,

Não leva mente a pulsar.

 

No jogo rápido das cores,

Muitos hipnóticos fatores,

Prendem foco da atenção,

Para a garantida sugestão.

 

Forma-se a mente capta,

Diante da palavra, inepta,

Sem despertar mensagem,

Para alguma boa clivagem.

 

Deposto o veículo pensante,

Cabe adotar como relevante,

A imagem atraente e vivaz,

Como o que à mente apraz.

 

Nada de raciocínios lógicos,

Nos processos pedagógicos,

Pois, com imagem colorida,

Flui comunicação preferida.

 

 

 

ESPETACULARIZAÇÃO DA PIROMANIA

 

 

O imperador Nero mandou incendiar Roma,

Para fazer um poema sob delirado sintoma,

Surdo e mudo aos efeitos de repercussões,

Mas, cioso para reafirmar suas alucinações.

 

Na iminência da queda de outro império,

A piromania sobre mandante deletério,

Incendeia o mundo de medos e pavores,

Em torno do poderoso fogo dos terrores.

 

Escorado por marionetistas oportunos,

Alimenta larga rapinagem dos gatunos,

Para espoliar de outros o que interessa,

E acumular na sua malvadeza confessa.

 

Marionetagem das exuberantes alegrias,

Esconde fome e sede sob belas magias,

E avança sobre as terras e os minérios,

Com duros argumentos e apelos sérios.

 

Pratica-se o racismo contra imigrantes,

Deportados como sujos e repugnantes,

Sob o mito que justifica a desigualdade,

E libera para prática da crassa maldade.

 

Se uma antiga tradição cobrava respeito,

Com devotado amor, livre de preconceito,

Relativiza-se este valoroso mandamento,

Ao âmbito fechado de grupos para alento.

 

Na seleção das pessoas para a sociedade,

Deporta-se em massa em literal maldade,

Tudo quanto não se enquadra no perfil,

Da ambição despótica de lida mercantil.

 

Interesse voraz dos poucos privilegiados,

Justifica desprezo aos mundos relegados,

E transforma sua opulência e sonho lindo,

Marietado para distrair pobrerio infindo.

 

Na perversa negação da igualdade social,

Sequestrou-se mandamento exponencial,

Dum amor ao próximo como a si mesmo,

E deixa inumeráveis humanoides a esmo.

 

PARANÓICO SÁDICO

 

 

Como não engolir bombardeio de mídia,

Que enaltece paranoia sádica de insídia,

A exaltar o ódio como plena liberdade,

Ferindo a consciência e toda sociedade?

 

Morbidez humana a enaltecer o sádico,

Deixa o mundo inteiro em clima fadigo,

Que precisa apreciar a orgia paranoica,

Como se fosse uma governança heroica.

 

O explícito desprezo à moralidade social,

E sua crassa insensibilidade ao racional,

Fazem dele monstro comedor de cultura,

Para exaltar poder autoritário da ventura.

 

Desrespeito da lei e códigos estabelecidos,

Leva-o a descartar os humanos preteridos,

Pois nada acrescentam à sua megalomania,

Para uma pretendida e crescente capitania.

 

Olhares expansionistas legislam como leis,

E imputam insegurança e migração às greis,

Simplesmente para afirmação do seu poder,

De aterrorizar, para fruir sob seu bel-prazer.

 

O descarte das levas humanas dependentes,

Espoliadas no colonialismo sem precedentes,

Revela submissão forçada à ordem tirânica,

Da ambição paranoica, perversa e satânica.

 

Sabe que suas declarações contundentes,

Deixam o séquito de amoucos contentes,

Para esnobação cruel à política adversária,

E confirmar sua reinança pirata e corsária.

 

No aparato dos que o sustentam no poder,

Estão outros afoitos que não visam perder,

Os privilégios obtidos com lucros abusivos,

E já insensíveis com os vitimados aflitivos.

 

 

 

 

 

segunda-feira, 10 de fevereiro de 2025

UM HORIZONTE DIFERENTE

 

Possibilidade de sonhar acordado,

Faz entrever o mundo torporizado,

A atrofiar cada dia mais o humano,

E a impor ritmo repetitivo e insano.

 

Não valoriza o saber de criatividade,

Nem sonho para gostar da atividade,

Mas, olhar focado e cego no objeto,

A forjar o sujeito mecânico e abjeto.

 

Tudo gira em torno das sondagens,

Dos espaços aéreos e suas aragens,

Até subterrâneos dos rios e mares,

Para explorar fortuna para altares.

 

Amplia-se, a cada dia, a estreiteza,

De controlar com arguta esperteza,

Agir de seres quietos dependentes,

A decair em sentimentos aparentes.

 

A palavra autoritária de velho chavão,

Veiculada em midiática procrastinação,

Foca os lucros e vultosos rendimentos,

Que passam distantes dos sentimentos.

 

Nada que vise a profundidade da vida,

A mina preciosa largamente preterida,

Que é um oceano de rica interioridade,

Nada explorado para mais humanidade.

 

Esta atrofia do genuinamente humano,

Faz da vida um lamentável desengano:

Praga de largo e desenfreado ecocídio,

E, progressiva num absurdo genocídio.

 

Convém que muitos tirem os antolhos,

Dos cegados olhares sem os dordolhos,

Para que visualizem o outro horizonte,

Do profundamente humano vergonte.

 

O caminho a ser buscado e delineado,

Está para além do cotidiano traçado,

E consistirá na sondagem da riqueza,

Do mundo interior com sua inteireza.


terça-feira, 4 de fevereiro de 2025

PENITÊNCIA PESADA

 

 

            José e sua esposa Joana iam caminhando pela rua e comentando a respeito das casas e suas ornamentações coloridas. Quando se deram conta, estavam na frente da casa paroquial e o padre estava ajeitando algumas flores do seu vistoso e belo jardim.

            O padre saudou-os com cordialidade, e eles, um tanto atrapalhados, não sabiam o que conversar com o padre. Joana tomou a iniciativa e lhe disse:

- Nós somos católicos muito praticantes e gostamos de participar das celebrações. José, para não ficar sem dizer nada, acrescentou:

- Também seguimos religiosamente as recomendações relativas a jejum nas sextas-feiras santas, e não comemos carne nestes dias, só salame!

            O padre, já menos cordial, chegou perto do José, colocou a mão sobre o seu ombro e disse:

- Meu senhor, isso é pecado, é coisa grave. Esta confissão de fraqueza requer uma penitência bem pesada. Vou oferecer-lhe duas alternativas: ou fazer uma doação de duzentos reais para a Igreja, ou me trazer uma carroçada de lenha rachada para o fogão.

            José pensou um pouco e lhe respondeu: acho mais em conta trazer-lhe uma carroçada de lenha. Combinaram o dia e a hora.

José, levou a carroçada de lenha na quinta-feira, no clarear do dia. Quando estava recolhendo o resto das lascas para descarrega-las, veio o padre e conferiu a madeira e soltou logo sua reclamação:

- Combinamos uma carroçada de lenha, mas isto aqui, que você trouxe, é praticamente só cipó!

            José repetiu o gesto do padre, chegou do lado dele e colocou a mão sobre seus ombros e falou: se cipó não é madeira, linguiça também não é carne.

<center>FENÔMENOS CLIMÁTICOS</center>

  Cada vez mais seguidos e intensos, Causam mortes e pavores imensos, E tudo leva a crer que os culpados, São os humanos com atos er...