quarta-feira, 6 de abril de 2022

ORTODOXIA RELIGIOSA E GUERRA

 


É estarrecedor o real fracasso,

Do clima religioso em andasso,

De vistosa politização religiosa,

Sem utilizar palavra carinhosa.

 

Sob a vetusta visão maniqueísta,

Proclamam-se na função purista,

De eliminar inimigos declarados,

Porque afrontam os seus ditados.

 

Na velha autocefalia clericalista,

O Evangelho à margem da vista,

Cede lugar a ambições de grupo,

E não passa de relegado sapupo.

 

Como praxe dos conflitos bélicos,

Atos religiosos nada evangélicos,

Ativam clima de ódio e violência,

Sem remorsos e sem consciência.

 

Nada gastam contra os conflitos,

Mas tudo fazem por mais atritos,

Que venham a eliminar inimigos,

Porque não são seus fiéis amigos.

 

Adoram as máquinas destruidoras,

De ações mortíferas avassaladoras,

Para matar seres de paz e indefesos,

A fim de se proclamarem mais ilesos.

 

Já sem algum foco de convergência,

Revelam com a avançada demência,

Que pensamento distinto aborrece,

Em nada os eleva, nem os favorece.

 

Obcecados pela morte de inimigos,

Desejam apenas submissos amigos,

Que alargam ódios antiecumênicos,

E ampliem os planos hegemônicos.

 

Sem a objetiva noção eclesiológica,

Quebram toda a diplomática lógica,

E lidam para agressiva degradação,

Ante eventual sintoma de oposição.

 

 

 

 

 

 

quinta-feira, 24 de março de 2022

OBSESSÃO HUMANA

 

 

Toda incrível e humana ousadia,

Revela uma queda escorregadia,

Para modernizar armas de morte,

E esnobar sob aparência de forte.

 

As guerras estrondosas e silêncios,

Gestoras de incontáveis saliêncios,

Escondem as ambições e verdades,

Para irradiar as mórbidas lealdades.

 

Produz-se a guerra de consciência,

Da perversa e hedionda demência,

E insinua-se que a lídima educação,

É a defesa contra inimigo em ação.

 

Ao se rotular alguém como inimigo,

Amplia-se o processo de anti-amigo,

Para justificar que a sua eliminação,

É requisito de paz para forte nação.

 

Já não importa desempenho por paz,

Mas a glória que a matança compraz,

Para revelar-se o meritório vencedor,

De audaz e extraordinário pundonor.

 

Quando solução violenta é enaltecida,

A educação para reatância esmaecida,

É considerada tão esdrúxula e inócua,

Sem eficácia para lealdade conspícua.

 

Sob endeusado mito do aparato militar,

Sofisticar armas e táticas para maltratar,

Significa bestializar os jovens vigorosos,

Para produzir os sofrimentos pesarosos.

 

O caduco suposto da guerra para a paz,

Já se mostrou exaustivamente ineficaz,

Para resolver problemas de fome e dor,

Advindos de fugas ante o insano terror.

 

Na produzida miragem do Estado-nação,

Mercado bélico no centro da negociação,

Absorve ônus para vida digna sem fome,

E deteriora condição cidadã de renome.

 

Se os seguidores do Mestre sem armas,

Airosos cristãos das benfazejas alarmas,

Justificam todo armamentismo bélico,

Acendem um holofote anti-evangélico.

 

 

 

 

domingo, 20 de março de 2022

FRUTOS HUMANITÁRIOS

 

 

Tão longa ancestralidade humana,

Não superou a ambição doidivana,

De desejos infindos e fanatizados,

E com vítimas para todos os lados.

 

Sem recordar as pífias crueldades,

Com as monstruosas atrocidades,

Montes de cadáveres sob a terra,

Adubam obstinações pela guerra.

 

Velho mito de combater inimigo,

Reduz o sofrimento a choramigo,

E insensibiliza ante a dor alheia,

Um mero choro de barriga cheia.

 

Traumas, perdas e desamparos,

Sob atos indiferentes e preclaros,

Evidenciam a perda de memória,

Do fracasso humano na história.

 

Nas tantas e horrendas guerras,

Movidos por domínios e terras,

Psicopatas loucos e insensíveis,

Criam vítimas por culpas risíveis.

 

Indiferentes às hediondas mortes,

Veem só o alcance de seus aportes,

Da sua primazia para a subjugação,

E da real legitimidade da sua ação.

 

Com tantos prepotentes humanos,

A gerar seguidos genocídios insanos,

O tão grandioso empenho pela paz,

Esmorece ante ódio que nada apraz.

 

A hedionda e tão abominável guerra,

Com certeza, não se evadirá da Terra,

Enquanto ocorrer a aposta nas armas,

E, educação para desumanas carmas.

 

 

 

 

quinta-feira, 17 de fevereiro de 2022

FUNÇÃO CONTRADITÓRIA

 

 

Encanto por caminho idealizado,

Ensejou bom e frutuoso legado,

Na resposta ao convite superior,

Gesto especial do divino penhor.

 

O itinerário da longa preparação,

Moldou a sua central dedicação,

Para papel resultante do estudo,

Nas funções do divino conteúdo.

 

Associadas a um poder de reger,

Sobreaquecido pelo divino saber,

Encheu-se com o ar aristocrático,

De apreciado lugar meritocrático.

 

Tornou-se funcionário eficiente,

Airoso do status autorreferente,

Mas acabou sendo inadequado,

Com o desempenho minguado.

 

A fragilidade humana evidenciada,

Coloca-o na condição disparatada,

Dum sujeito banível da sociedade,

Devido à sua mórbida sexualidade.

 

O duplo fator de distanciamento,

Do poder fictício de divino alento,

E do papel inadequado ao serviço,

Deixa-o num emaranhado enguiço:

 

Sem voz profética para reino novo,

E sem a proximidade com o povo,

Precisa buscar refúgio na solidão,

Para lidar com a vida de sequidão.

 

Ali falam muitas vozes mórbidas,

Exaltam compensações sórdidas,

E traem os beneméritos divinos,

Com procedimentos e desatinos.

 

Perfil formativo de discipulado,

Do serviço humilde e abnegado,

Abre-lhe novo modelo de padre,

Sem aparatos, e, mais compadre.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

quarta-feira, 16 de fevereiro de 2022

ESPIRITUALIZADO AUTORREFERENCIAL

 

 

Com os dedos atrelados ao celular,

E a atenção num contínuo pulular,

Está o reverendo sempre ocupado,

Para responder ao suposto legado.

 

Inquieto pela repercussão da fala,

Espera atenciosa e merecida chala,

Pela execução ainda não perfeita,

Da desejada imagética escorreita.

 

No meio de inumeráveis afazeres,

Precisa de lives e cumprir deveres,

Mas, todo dia repete as devoções,

Externas de automáticas fixações.

 

Escondido sob vetustas aparências,

Das rubricas e litúrgicas aparências,

Revela-se ortodoxo e hiper radical,

Para ditar o poder do rumo cardeal.

 

Altamente obsessivo pelos detalhes,

De extravagâncias de finos entalhes,

Desde cores vistosas de abotoaduras,

Quer mostrar alteza das investiduras.

 

Na sua aparente eficiência espiritual,

Supõe que sua atividade ministerial,

É o lídimo cerne dos atos positivos,

A gerar soluções com atos lenitivos.

 

Toda a firmeza categórica pela ordem,

Cega-o ante inquietações que aturdem,

Pois, encontra a verdade em si mesmo,

E sem carecer da graça, divulga o esmo.

 

 

 

sábado, 5 de fevereiro de 2022

O SACRALIZADO

 

 

A afirmação da rara alteza,

Não cai do céu com certeza;

É exaustivamente afirmada,

Sob a catequese renovada.

 

Monopolização da verdade,

Afirma uma divina lealdade,

Auferida à pessoa do padre,

Para ser um santo compadre.

 

Com o privilégio de acesso,

Ao divino e santo processo,

Pode exercer a autoridade,

Sobre espalhada iniquidade.

 

Ele dispensa bens salvíficos,

Aos carentes não miríficos,

E sabe treatralizar a liturgia,

Como se fosse o divino guia.

 

Ao rezar sacraliza seu poder,

E afirma pureza do proceder,

Como Alter Christus na ação,

Que quer oferecer a salvação.

 

Com o seu corpo sacralizado,

Justifica-se como divinizado,

Para exercer a pureza ritual,

Como lídimo ser exponencial.

 

A construção hierarquizada,

Vem da praxe estigmatizada,

Com apresentação simbólica,

Que define elevação católica.

 

Pelo tipo de veste e de cargo,

Mais o poder de desembargo,

Assegura o ar de sacralidade,

Uma patologia de autoridade.

 

quinta-feira, 3 de fevereiro de 2022

MORTE DO PADRE GERALDO

 

 

Repercute a morte fulcral,

Num ambiente tão sacral,

Para findar um sofrimento,

De um pérfido detrimento.

 

Apelo ao veneno mortal,

Aponta outro mais letal,

Feito da simples mistura,

De indiferença e ruptura.

 

Da apatia resulta morte,

Bem lenta e sem aporte,

Que seca toda pertença,

E impõe cruel sentença:

 

Sobreviver sem existir,

Ignorado por coexistir,

No espaço indiferente,

Que o deixa irrelevante.

 

Em tal morte silenciosa,

Sem uma ação graciosa,

O veneno mata devagar,

Pelo progressivo relegar.

<center>SOB PENSAMENTO ACELERADO</center>

  Na lógica da elevada conectividade, Sem lugar na agenda para atividade, E sem o horário para conversa à toa, Tudo come tempo e tud...