segunda-feira, 17 de maio de 2021

BAJULAÇÕES DESMESURADAS

 

 

No silêncio da pandemia,

O gato valente que mia,

Com miados estridentes,

Lembra rezas fanatizantes.

 

No bombardeio das lives,

Chatos e irritantes clives,

Insistem com a piedade,

De inócua precariedade.

 

Dogmáticos e perdulários,

Divinizam com os rosários,

Os poderes de insinuação,

Para produzir iluminação.

 

Longe de tudo que aflige,

Imputam magia que exige,

Mera idolatria materialista,

Da poderosa espiritualista.

 

Já não se referem a Maria,

Ou aos lugares da romaria,

Mas só à santíssima virgem,

A divina deusa extravirgem.

 

Utilitarismo fundamentalista,

Duma recitação mecanicista,

É apregoada como milagreira,

Que supera qualquer barreira.

 

Distante de Maria da origem,

Vivem as ondas de vertigem,

Sobre minúcias da recitação,

Sem gerar elã para uma ação.

 

Transformam uma devoção,

No consumismo de emoção,

Para ostentação bajuladora,

Da divina deusa redentora.

 

Neste fascínio tão perigoso,

De aparente e sublime gozo,

Maria, aquela mãe de Jesus,

Não importa e sequer seduz.

 

Importa apenas a produzida,

Da rica fantasia ensandecida,

Que não remete à lealdade,

Para a solícita cordialidade.

 

 

 

domingo, 16 de maio de 2021

PASTICHE SEM PISTACHE

 


Humanos amoucos e paranoicos,

De planos loucos, nada heroicos,

Atrelados a pastiche de imitação,

Arrumam sofrida procrastinação.

 

Fanatizados por metidos doutos,

E relegados a miseráveis coutos,

Agridem e ameaçam opositores,

Não favoráveis a seus pendores.

 

Arregimentam-se para a guerra,

E com o pior do que ela encerra,

Para defender o seu imperador,

Sem qualquer senso moderador.

 

Não percebem que é pastiche,

De outro interesseiro trapiche,

Que lesa a vasta humanidade,

Com sua mórbida insanidade.

 

No lugar do enojado pastiche,

Prefiro um saboroso pistache,

Oleaginosa rica em proteínas,

E das mui valiosas vitaminas.

 

Sob uma casca dura e áspera,

Revela virtualidade próspera,

Para alargar a funcionalidade,

De benéfica e ativa saciedade.

 

A saúde social carece do pendor,

De síntese política de pundonor,

Que pense o bem comum geral,

Com o básico respeito colateral.

 

Quando alguém briga por ideia,

Sem noção da condição plebeia,

Anula sua própria auto-estima,

E torna-se monstro que vitima.

 

quarta-feira, 14 de abril de 2021

BRUTALIZAÇÃO EMOCIONAL

 

 

Na despedida tão dolorosa,

Com a endêmica polvorosa,

Da pandemia ameaçadora,

Some a palavra alentadora.

 

A repressão do sofrimento,

Amplia dolorido tormento,

Da insegurança econômica,

Na politicagem anacrônica.

 

Se os mandantes da nação,

Teimam na procrastinação,

De forjar inimigos mortais,

Sequer sobram súditos leais.

 

Na perseguição ao inimigo,

Rompe-se o vínculo amigo,

Com ofensivas de ameaça,

Movida por muita pirraça.

 

Grande quantia de mortes,

Já não sensibiliza aportes,

Para zelar pela vida alheia,

De quem por saúde tateia.

 

A mídia se ocupa do trágico,

Repetindo tom verborrágico,

Que explora a emoção triste,

Como um meio de despiste.

 

Repete um fato à exaustão,

Para causar coletiva emoção,

Mas endurece o sentimento,

E vulgariza todo sofrimento.

 

Alguém decretado inimigo,

Vira perigoso arqui-inimigo,

Que precisa ser dominado,

Ou literalmente eliminado.

 

Embrutecimento emotivo,

Oferece constante motivo,

Para a sádica perseguição,

E humilhante destituição.

 

Sob a emoção dura e rígida,

Dor alheia é apenas frígida,

E ignóbil para ser ignorada,

E fútil para ser considerada.

 

 

 

terça-feira, 30 de março de 2021

ERA DO CANSAÇO

 


No desencanto iluminista,

Tão liberal e progressista,

Sob felicidade prometida,

Amarga-se vida desiludida.

 

A vasta pandemia virótica,

Escancara a ilusória ótica,

Desta felicidade individual,

Isenta de um vínculo social.

 

A peste também escancara,

Com evidencia muito clara,

O colapso iminente da vida,

Da nossa Terra ensandecida.

 

O sentimento tão humano,

Ante sistema social insano,

Já no limite do suportável,

Produz desgaste inexorável.

 

O cansaço carcome sonhos,

E causa pesadelos bisonhos,

Com torpor de incapacidade,

E engole a boa solidariedade.

 

O cansaço do senso coletivo,

Sem ânimo e já sem lenitivo,

Eclode na ineficiente política,

E refuta a economia acrítica.

 

Cansaço ante o desemprego,

Dum espoliante descarrego,

De elites que se enriquecem,

E pobres multidões padecem.

 

Cansaço para reação coletiva,

Ante a espoliadora invectiva,

Do fundamentalismo brutal,

Causa acuo de medo fulcral.

 

Na quase invisível esperança,

Diante do roubo e lambança,

Lateja uma frágil emergência,

De novo modo de convivência.

 

O cansaço indica premência,

De ilibada razão de vivência,

Solidária bem acima do lucro,

E sem este capitalismo xucro.

 

 

 

 

 

 

sábado, 27 de março de 2021

GUERRA SORRATEIRA

 

 

Mais do que gripezinha sovina,

E apologia de defesa patavina,

Invasor não captado por radar,

Se desloca livre e solto pelo ar.

 

Movido por alcance de sangue,

Sem fuzis e sem bumerangue,

Vence a tecnologia das armas,

E as grandiloquentes alarmas.

 

Relega os tanques e couraças,

As insinuações com ameaças,

E entra de fininho no pulmão,

Para arregaçar até o coração.

 

Pervaga cérebro e entranhas,

E domina as ideias patranhas,

Para implantar a sua bandeira,

Sobre o corpo humano na eira.

 

No seu potencial de letalidade,

Irreverente com a humanidade,

Debocha dos gastos em guerra,

E aponta a hegemonia na Terra.

 

Se não fulmina o pobre vivente,

Deixa-o ensandecido e doente,

Que nas sequelas arrasadoras,

Gera emoções desesperadoras.

 

No limiar da condição humana,

Acorda dilema que não engana,

Solta toda a angústia e a agonia,

E subverte o corpo pela atonia.

 

Debocha da humana condição,

Que só pensa em acumulação,

Ignorando a cega precedência,

Que a mobiliza pela aparência.

 

 

 

 

 

 

 

 

sexta-feira, 5 de março de 2021

DESPEDIDA INCOMUM

 


Em meio ao sentimento ferido,

Recordo o meu irmão querido,

Renitente diante do triste fim,

Que sua morte causou em mim.

 

Refém da mesma virose invasiva,

Busco força da razão persuasiva,

Para reatar, na dura dissonância,

O vínculo rompido pela distância.

 

Desde os primeiros anos de vida,

A sua maneira de ser tão querida,

Ocupava a atenção e os olhares,

A gerar descontração e bons ares.

 

O colo do pai deu cedo o amparo,

Para encantar de modo preclaro,

Todo círculo da família agregada,

Com sua característica de rizada.

 

Comparado ao bom avô paterno,

No seu modo simples e fraterno,

Reproduzia sua feição admirada,

E a translúcida postura recatada.

 

Nasceu dali a parceria indelével,

Com uma característica inefável,

Do estreito vínculo com os pais,

E que não desapareceria jamais.

 

Os pais fruíram ditosa velhice,

Graças a seu modo e meiguice,

Na atenção e especial cuidado,

Dum trato amoroso e lapidado.

 

No relevante círculo de amigos,

Captou desde tempos antigos,

Valor e firmeza da sua lealdade,

Com os préstimos à comunidade.

 

Discreto e muito bem organizado,

Soube colher do modo aquilatado,

Os frutos do equilíbrio econômico,

E satisfação com modo encômico.

 

Se traiçoeira virose o ceifou cedo,

Não levou a memória do enredo,

De uma história tão bem vivida,

Que deixa a família enternecida.

 

Ainda ferido, elevo meu louvor,

A Deus Pai pela graça do penhor,

Da sua enriquecedora existência,

Tão cheia de rica benemerência.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

terça-feira, 2 de março de 2021

O VELHO GUERREIRO

 


Sua história de noventa e cinco anos,

Ainda acalantada com belos planos,

Tombou qual bela árvore centenária,

Com uma viva mensagem signatária.

 

Seu lema “Sempre Firme” consagrou,

O quanto que a sua vida o perpetrou,

Para um legado simples, e respeitoso,

Registrado como um traço primoroso.

 

Não foi da luta armada e prepotente,

Que seu modo reto, firme e resiliente,

Marcou a trajetória dos anos vividos,

Mas, por muitos gestos enternecidos.

 

Os gestos e partilha pelo bem comum,

Engrandeceram obreiro tão incomum,

Satisfeito com a modesta colaboração,

E pertença a fatores de boa agregação.

 

Fruto da sua extraordinária memória,

Encontrava a mediação compulsória,

Para inserir anedotas de bom humor,

E fatos de antigos sinais de pundonor.

 

Equilíbrio do trabalho enriquecedor,

Desviou mórbido desejo acumulador,

E centralizou o homem de sabedoria,

Para o bem viver com singela alegria.

 

Satisfeito pela vida em seu percurso,

Fruiu gratuidade como belo recurso,

Do que a vida lhe ensinou a valorizar,

E do que tão bem soube pulverizar.

 

Em sua última luta de ação guerreira,

Superou invisível alavanche cabreira,

Da Covid tão silenciosa e destruidora,

E ruiu ante a sua sequela demolidora.

 

Do espaço deste velho tronco caído,

Renasce um novo modo enternecido,

A animar a vida da sua descendência,

Para a alegre e gratuita convivência.

 

<center>FENÔMENOS CLIMÁTICOS</center>

  Cada vez mais seguidos e intensos, Causam mortes e pavores imensos, E tudo leva a crer que os culpados, São os humanos com atos er...