segunda-feira, 8 de maio de 2017

Etiquetas e mutretas



As etiquetas e formalidades,
Quando eivadas de vaidades,
Ferem o âmago da decência,
Mas bajulam a precedência.

Na proeminência de rituais,
Os aparatos e ritos formais,
Abafam o transbordamento,
E inibem todo o bom alento.

Tudo é ensaiado e repetido,
Como a nota e seu sustenido,
Mas, os efeitos dissonantes,
Não gestam ares extasiantes.

Desde as olheiras disfarçadas,
E com variadas cores pintadas,
A artificialidade das cortesias,
Não oculta visíveis hipocrisias.

O ar da emulação pelo brilho,
Desalinha mais que caudilho,
Perdido de seus referenciais,
E sem saber quem são rivais.

As coisas que vão ao coração,
Muito mais que a decoração,
Criam uma rara exuberância,
Que exala como a fragrância.




sexta-feira, 5 de maio de 2017

No fastio das más notícias



No fastuoso perfil mandante,
Um aparatoso clima reinante,
Apresenta as vagas novidades,
Cheias de vulgares obviedades.

A pompa do ambiente faustoso,
Subleva num quadro aparatoso,
O tédio de anúncios impactantes,
Sem elã para os atos edificantes.

A aborrecida inépcia de soluções,
Enche o imaginário de desilusões,
E na febril disfunção de propostas,
Some o alento em viáveis apostas.

Na desmotivação da repugnância,
Surge a decepção com a ganância,
Que aumenta tanta insana disputa,
Sem auferir resultado bom da luta.

No tédio que antecipa o evidente,
A memória do ilusório precedente,
Fala mais alto do que tanta falácia,
Que invade a mente sem a eficácia.

Que o fastio ceda lugar ao bom-senso,
E que esta crise indique um consenso,
Capaz de engendrar regras mais justas,
Para tirar os pobres do ônus das custas.









Saída do redil opressor



            Da alegoria bíblica do bom pastor, atributo dos reis e mandatários de muitos séculos anteriores a Jesus Cristo, nasceu também uma comparação figurada dos pastores que espoliaram as ovelhas, que, mesmo sob um discurso religioso da salvá-las, não as ajudaram em nada.
            O evangelista São João (10, 1-10) fez uma comparação da vida de Jesus Cristo em relação aos que, no passado, se proclamaram a si mesmos como bons pastores, e salientou diferenças notáveis, a começar pela identificação da voz do pastor. Os que identificaram a voz de Jesus Cristo perceberam que não se tratava de conversa enganosa de alguém que apenas visava explorar as pessoas. Ele mesmo foi na frente dos seus discípulos.
            Na imagem do curral seguro para as ovelhas, muitos reis demonstraram fazer exatamente o contrário. Davi, Salomão, Jeroboão e tantos outros, juraram fazer tudo para cuidar bem de todo o povo e se colocaram como os melhores secretários de Deus para bem servir o povo. Sua prática, no entanto, deixou conotação literalmente contrária, pois, valeram-se do povo para seus interesses pessoais.
            No que Jesus fez, ele se mostrou um curral seguro para as ovelhas. E não foi apenas um teórico visionário. Ele seguia na frente dos seus discípulos, amparava-os e os educava num itinerário de salvação. Por isso a comparação figurada de São João, viu em Jesus aquele que se constituiu no portal de saída do curral, constituído em redil de exploração das ovelhas. No agir de Jesus estava um apelo para sair daquele curral de leis e formalismos religiosos que escravizava o povo. Na imagem de levar para pastagens férteis e abundantes, estava a constatação do sentido da vida e das razões que indicavam outro modo de organização humana.
            Enquanto autoproclamados pastores não eram pastores, Jesus Cristo preenchia as razões de vida e indicava um caminho para uma vida solidária de frutos abundantes.
            Hoje quando nos vemos assaltados por espertalhões que dizem fazer o bom e o melhor para as comunidades, ficamos em dúvida a respeito das promessas que fazem.

            Possa a nossa conduta estribar-se pelo modo de ser de Jesus Cristo a fim de acompanhar uma Igreja “em saída”, que realmente caminha para a simbólica imagem de “bom pasto” para todas as ovelhas, e, para os que, em nome de Deus, querem conduzi-las. Também é importante assimilar os traços do bom pastor e não ficar apenas alimentando simpatia a admiração por ele, sem, contudo, produzir algo dos seus sinais.

quinta-feira, 4 de maio de 2017

Na pinguela das promessas



O enleio de promessas protelatórias,
Noticiadas com suspeitas aleatórias,
Vive jogando os sonhos para o futuro,
E em nada ameniza o inusitado apuro.

Improvável efetivação das promessas,
Depois de tantas mentiras pregressas,
Já não indica nenhum aporte seguro,
Para o presente e nem para o futuro.

Na rota tão insegura de uma pinguela,
O desvio do olhar para a falante trela,
Aumenta a insegurança da travessia,
E nada melhora a premente carestia.

Enquanto privilegiados se protegem,
No amparo das regras que os regem,
Os demais cairão antes do almejado,
E quais náufragos diante do desejado.

Os poucos não desandados no trilho,
Ainda se assanham como o potrilho,
Sem noção do sofrimento da maioria,
E da sonhada melhoria que ela queria.

Enquanto espertos fustigam o cotidiano,
E tantos fenecem no forçado desengano,
A violência se expande sem as barreiras,
E sem regras para construções altaneiras.






terça-feira, 2 de maio de 2017

Ostracismo religioso



Não muito piedoso,
O comum religioso,
Afirma as simpatias,
E enjeita antipatias.

Ostracismo forçado,
Repete triste legado,
Já vetusto na política,
E sobreposto à crítica.

Não se enfoca o certo,
E adversário por perto,
Significa o ostracismo,
E ignóbil revanchismo.

Importa grupo afinado,
Na posse de um legado,
Que eleve precedência,
Mesmo com indecência,

O itinerário da religião,
Vira ambiciosa opinião,
Para ascendência social,
Com bajulação especial.

Na indicação do exílio,
A quem clareia o idílio,
O coletivo enfraquece,
Na desconectada prece.





segunda-feira, 1 de maio de 2017

Esperanças sorongas




No divinizado sistema capitalista,
Aponta-se única e certeira pista,
De felicidade vinda do consumo,
Projetado sem término de rumo.

A cega ambição produz rivais,
Que ambicionam espaços vitais,
E eliminam eventuais ameaças,
Para assegurar as boas graças.

Assim as esperanças minguadas,
E atônitas nas posturas acuadas,
Cegam-se na escuridão do medo,
E tateiam por sinistro arremedo.

Na ausência de boa expectativa,
A inatividade se afigura reativa,
Para não agir sem as garantias,
Da evidencia de gratas alegrias.

Nesta insegurança tão soronga,
A vida se desanda songamonga,
E retrocede na perfectibilidade,
Sem caminhos de credibilidade.

A coerência na direção religiosa,
Ainda recria perspectiva valiosa,
De uma eficaz vivência solidária,
Com melhor ligação comunitária.






  

Maleficência



Ao lado das maledicências,
Verdadeiras maleficências,
Arruínam nosso cotidiano,
E espalham o ardor insano.

O pior é a cruel vingança,
Na obliterada lambança,
A intimidar com violência,
Sem nenhuma clemência.

Arma o clima desfavorável,
E não sossega no execrável,
De denegrir a boa imagem,
Na associação a sacanagem.

Num efeito da maleficência,
Aparece uma vil indecência,
De tergiversar moralmente,
Para difamação envolvente.

Se distintas ações machucam,
As que mais ferem e apupam,
 Vão contra símbolos culturais,
E diminuem raízes ancestrais.

No alcance da maleficência,
O antídoto da benevolência,
Transforma mundos sofridos,
E eleva humildes agradecidos.









<center>FENÔMENOS CLIMÁTICOS</center>

  Cada vez mais seguidos e intensos, Causam mortes e pavores imensos, E tudo leva a crer que os culpados, São os humanos com atos er...