sábado, 6 de dezembro de 2014

Árvore majestosa



No seu tronco de imensa espessura,
Constituído nesta grandiosa altura,
Encanta a copa de galhos altaneiros,
E a folharada dos indícios mateiros.

De longe as flores se sobressaem,
Umas tão viçosas e outras já caem,
Mas nada vistoso como o segredo,
Do silencioso processo do enredo:

Seiva a correr silenciosa e constante,
Do húmus para uma altura distante,
Aliou-se à captação da energia solar,
Para engendrar encanto tão peculiar.

Síntese de longo tempo processado,
No entremeio das lutas do relvado,
Para sobreviver sem ser derrotado,
E manter-se neste ponto arretado.

Apesar do encanto, dá sinais visíveis,
Da ação de muitos agentes invisíveis,
Que apontam sinais de decrepitude,
E indicam inevitável sina da finitude.

Sua morte imimente ignora os anos,
Nem poupa a vitória nos desenganos,
E impõe na profunda transformação,
Indícios de outra vida em ascensão.





sexta-feira, 5 de dezembro de 2014

Mosquito



Tão pernilongo e magrelo,
Fautor de tanto flagelo,
Aborrece pelo zunido,
E me deixa aturdido.

Se o sangue sugasse,
Sem alérgico efeito,
E o zunido baixasse,
Toleraria o defeito.

Poderia ser silencioso,
E, nem tão maldoso,
Ao tentar atacar,
E, sem provocar.

Sua voz tão estridente,
Tão aguda e repelente,
Irrita mais a audição,
Que bélica guarnição.

Seus muitos apelidos,
Nada bem queridos,
Sinalizam oposição,

E real consternação.

quinta-feira, 4 de dezembro de 2014

Mudança de vida



Cada um de nós sabe muito bem que não se muda a vida, da mesma forma que se muda de pensamento. A vida, intensamente marcada por hábitos e formas de socialização, pende para a repetição de certos modos de ser e de lidar com as pessoas e com o entorno, especialmente as que foram exitosas em outros momentos. No entanto, sem motivação e sem boa determinação do pensamento, facilmente se cai na rotina dos hábitos, e, possíveis mudanças ficam apenas no âmbito dos desejos.
De onde poderiam, então, advir forças capazes de mudar a conduta? Certamente um modo de ser humilde se fará necessário, pois, implica em admitir que se possa viver de outra forma. A Bíblia nos oferece um rico contexto de como o povo de Israel, ao longo de muitos séculos, oscilou entre formas de conduta que o tornou dependente e momentos de grande criatividade e superação que o levou a pensar algo totalmente novo e renovador para a vida.
O profeta João Batista, através de uma vida humilde e simples, encantou as pessoas do seu tempo pelo seu profundo desejo de mudança na vida das pessoas. Sob o apelo da conversão convidava as pessoas a uma mudança de vida e assinalava simbolicamente este procedimento com o batismo nas águas do rio Jordão. Ocorreu até mesmo a suspeita de ele era o salvador de Deus, ansiosamente esperado há diversos séculos. Seu discurso, no entanto, visava uma mudança radical no modo de ser das pessoas: mudar o modo de consumir e a ganância pelo poder.
 São os mesmos traços que em nossos dias tanto atrapalham a vida familiar e comunitária. O batismo significava a disposição para esta mudança interna. Os evangelhos, todavia, apontaram que todo este procedimento profético de João Batista serviu para sensibilizar as pessoas em torno de uma imagem totalmente inusitada e distinta de Deus: um Deus que perdoa, mas, que espera empenho para tornar-se melhor.
Jesus Cristo, que se apresentou como o salvador de Deus, encontrou mil resistências, tanto pela sua origem e condição social, quanto pela imagem de Deus que se cultivava: a do guerreiro poderoso e forte. E, se esperavam um Deus conosco (Emanuel), esperavam um Deus que fizesse as coisas sem envolver as pessoas. Nisto Jesus foi decepcionante, porque encorajou, apontou caminhos, educou contando historinhas para que as pessoas percebessem, sem se ofender, que poderiam agir de formas diferentes e melhores.
Como estamos em tempo de preparação de Natal, mais do que poder de sedução para o consumo e um momento forte para ampliar os leques da ganância, somos convidados a outro itinerário: o do caminho para dentro de nós e para mais proximidade em nossa comunidade. Conversão para acolher a Boa Notícia que Jesus anunciou, talvez constitua forte interpelação para menos correria e mais solidariedade.


Estradas



Feitas para encontros,
E acessos para pontos,
Causam desencontros,
E reais contra-pontos.

Criadas para abastecer,
E a produção deslocar,
Permitem ensandecer,
Trambiques a ofuscar.

No vai-e-vem das idas,
O anseio dos regressos,
Marca incontáveis lidas,
E avançados progressos.

No anelo dos encontros,
Para agraciar os intentos,
Geram-se desencontros,
E com desapontamentos.

Na regularidade da pista,
O êxito da macia andança,
 Move distinto motorista,
No suporte da confiança.

Se é bom ir para voltar,
Assusta o sair para ficar,
Porque do novo a captar,
Intui-se algo a modificar.

O medo da não aceitação,
E da perda de referência,
Lateja com mais emoção,
Para eivar a maledicência.

Na expectativa do agrado,
E da decorrente acolhida,
Fustiga o medo do legado,
Da rica amizade preterida.

Começar tudo novamente,
Encanta, assusta e espanta,
E ocupa o tempo da mente,
No sonho que não acalanta.












quarta-feira, 3 de dezembro de 2014

Audições



Com tanta informação de conduta zambembe,
Dos ordinários espertalhões e vis exploradores,
Não bate anseio melhor que lugar mambembe,
Para conformar os acalantos nada promissores.

Se já não bastassem as deploráveis usurpações,
Divulgadas como  notícias da Serra Cantareira,
Vêem-se massacrados por abusivas divulgações,
Os que já não encontram nem eira e nem beira.

Sons ensurdecedores dos pretensos vendedores,
Arvorados no direito de insinuar consumo voraz,
Ferem tanto como suportar mosquitos chiadores,
Que ainda sugam tanto sangue quanto lhes apraz.

Com então ouvir a orquestração dos belos zunidos,
Do vento, das folhas, pássaros, grilos e  cigarras,
Que tornam aprazível o seu impacto nos ouvidos,
E desmancham na emoção as incrustadas amarras?

Se os limiares da audição nos livram de tantos sons,
Por que forçar a audição acima e além das medidas,
Só para conseguir audiência com vista a lucros bons,
Ou procrastinação para deixar pessoas submetidas?





terça-feira, 2 de dezembro de 2014

Chimarrão



Desde a ancestralidade dos guaranis,
O chimarronear trás bons momentos,
E ativa energias mais que chá de anis,
Para sossegar a vida nos seus intentos.

Das ondas da espuma verde na cabaça,
Eclodem as sensibilidades sem chalaça,
E impregnadas de sabor que ativa a vida,
Equilibram as andanças da cotidiana lida.

No entorno dos olhares sensibilizados,
Do vai-e-vem da cuia e das conversas,
O sabor do verde fustiga os extasiados,
A não se meterem em ações perversas.

O chimarrão é ótimo para a memória,
Pois enquanto se sorve a seiva quente,
Reconstrói-se, na andança merencória,
O pendor da vida que leva para frente.

O chimarrão é eficaz para os desejos,
Enquanto sinal de gestos benfazejos,
Desperta o brio e a honradez da vida,
E revigora no ânimo a força combalida.

O bom do chimarrão é seu nobre poder,
De ação anti-depressiva e anti-oxidante,
E a capacidade das energias reascender,
Com horas fagueiras e mente galopante.

Ele estimula a atividade física e mental,
E reduz os triglicerídeos e o colesterol,
Mas, acima de tudo aviva a energia vital,
Para evitar as maldades e bobeiras do rol.

Há quem sustenta que é bom afrodisíaco,
Pois, melhor que as previsões do zodíaco,
Mescla memórias com renovados desejos,
E acalanta os sonhos para outros ensejos.

Ao fazer bem à atividade mental e física,
O chimarrão tem propriedade metafísica,
De remeter para além da sucção do sabor,
 A evaporação de toda a mágoa e dissabor.





segunda-feira, 1 de dezembro de 2014

Ventos cantantes



Há os que trazem o murmúrio do mar,
E que conseguem os ânimos aprumar;
Outros geram clima de intenso medo,
E apontam indício de algum arremedo.

Em alguns casos antecedem temporais,
E facilitam as destruições exponenciais,
Já em outros momentos sibilam suaves,
E encantam mais do que as lindas aves.

Ventos delicados e de serena roupagem,
Rodeiam o humor com leveza de aragem,
E outros advêm refrigerados das florestas,
E amenizam até as mágoas mais funestas.

Meritórios são também aqueles ventos,
Que mudam assuntos e certos eventos,
E ajuntam no bojo os ares mais quentes,
Dos lamurientos sempre descontentes.

Restauradores são aqueles tênues da noite,
Que transformam em agradável o pernoite,
E aqueles das serenas chuvas impregnados,
Que a todos deixam mais do que animados.

Enquanto uns sopram com toda delicadeza,
Outros assobiam em bela e graciosa proeza,
E com alguns silvados dos mais perfumados,
Agraciam o infeliz com aprumos inusitados.



<center>SOB PENSAMENTO ACELERADO</center>

  Na lógica da elevada conectividade, Sem lugar na agenda para atividade, E sem o horário para conversa à toa, Tudo come tempo e tud...