quarta-feira, 7 de maio de 2014

Estar em saída



Mais do que estar de saída,
Importa sentir-se em saída,
Pois implica sair da situação,
De confortável acomodação.

Em saída requer discernimento,
Para clarear o rumo que se quer,
No bem efusivo contentamento,
Que o bem-estar do viver requer.

O bom mesmo é poder perceber,
A intimidade em ação itinerante,
Movimentada a se rejuvenescer,
Ondulada por alegria irradiante.

Sentir o ímpeto de novas iniciativas,
Com a irradiação natural do alento,
Revigora e firma as forças mais ativas,
E as permeia de eficaz contentamento.

Em saída visa mais que conquistar,
Ou as meras injunções para mover,
A interioridade entrópica revisitar,

Para outro e novo modo de proceder.

terça-feira, 6 de maio de 2014

Recomeçar



Começar e recomeçar,
Arte tão esmilingüida,
Que interpela a vida,
A outra vez começar.

Como não está no remédio,
Nem nos encantos do tédio,
Requer muitas motivações,
Para aprumar as projeções.

O sonho de avançar na vida,
Rumo a uma ditosa velhice,
Impõe dura e árdua medida,
Para sair da ardida mesmice.

Idéias fixas de derrota e fracasso,
Bloqueiam a rica sensibilidade,
Independente de toda a maldade,
E encobrem o diuturno compasso.

Na aceitação de fatos ocorridos
Por mais que eles entristeceram,
Nem mudam os que morreram,
E nem os que ficam deprimidos.

Importa tirar luzes das derrotas,
E olhar para frente mirando rotas,
Que levem a re-encetar outras lidas,

 E substituir as motivações combalidas.

segunda-feira, 5 de maio de 2014

Tristeza melosa



Mais que melancólica,
Ou saudade bucólica,
Reina solta a tristeza,
Sem a menor presteza.

Tão pegadiça como a cola,
Contagia mais que virose,
E ao agarrar, não descola,
Nem mesmo com overdose.

Não vê sol que encanta,
E nem o túmulo espanta,
O diário humor cinzento,
De um desandar nojento.

Mumifica o cotidiano agir,
E em nada aceita progredir,
Pois sua essência mesquinha,
Em coisa nenhuma se alinha.

Vive da frágil complacência,
Nas compras de condolência,
E do capeta se torna um elixir,
Que tudo inventa a denegrir.

Se tudo é escuridão cansada,
Não estaria na hora da virada,
E apontar o olhar para frente,

Onde o novo emerge contente?

domingo, 4 de maio de 2014

Idéias e realidades



As muitas idéias produzidas,
Criam os fartos argumentos,
Que convencem por intentos,
E deixam pessoas seduzidas.

As mais belas mentiras repetidas,
Convencem nas falácias ardilosas,
Com muitas verdades distorcidas,
A ocultar deturpações escabrosas.

Quando as idéias se distanciam,
Das visíveis e objetivas realidades,
Viram sofismas que só anunciam,
As astúcias de crassas maldades.

Na distância das objetivas realidades,
Emergem os fartos purismos angelicais,
E fundamentalismos de idílicas verdades,
Com vastos e vis totalitarismos anormais.

Das idéias também florescem intelectualismos,
Que ficam distantes da bondade e da sabedoria,
Bem como, alienações dos abstratos idealismos,
Que em nada ajudam a propiciar efetiva alegria.

Na condição de ser mais ampla do que as idéias,
A realidade está aí, escancarada e clama por ações,
E contradiz a maior parte das sugestivas panacéias,
Criadas tão somente para controlar as multidões.


sexta-feira, 2 de maio de 2014

Alegria de viver



Sonho tão amplo como a vida,
Lá do âmago mobiliza o desejo,
De esvair-se da condição combalida,
E recuperar o encanto de novo ensejo.

Quando tantos se encontram bem enrolados,
Nas resistentes teias da tristeza e do isolamento,
Ou do vazio interior e dos outros emaranhados,
Tão poucas coisas caracterizam contentamento.

Não poderia o modo de ser cristão traçar novo caminho,
Para além da avassaladora oferta de consumo intimista,
E vencer os vastos e nefastos grilhões do estar sozinho,
Neste entusiasmado e mesquinho processo comodista?

Com a vida interior girando apenas no próprio foro,
Já não encantam serviços fraternos e humanitários,
E do possível espaço para os outros, já sem decoro,
Sobram apenas queixosos ressentimentos solitários.

A renovação do encontro pessoal com o projeto de Jesus,
Carrega certamente o potencial da alegria por Ele trazida,
E longe da desilusão que a tantos deste mundo seduz,
Resgata o sentimento de amparo e gratuidade enternecida.

Na busca da ternura, capaz de engendrar a alegria santa,
Sempre há espaço para recomeçar a redimensionar a vida,
E antever para além do que da força defraudadora encanta,
O bem-estar reconfortante que provém da humanitária lida.




quinta-feira, 1 de maio de 2014

A memória diante das expectativas frustradas



Com maior ou menor intensidade de sofrimento, temos que lidar, de vez em quando, com as tristezas e com as desilusões provenientes da simples frustração de sonhos ou de expectativas.
O sofrimento se aguça ainda mais quando cultivamos e acalentamos sonhos que não nos levam ao alcance de situações desejadas. Como, então, continuar a achar graça da vida e procurar outras motivações para ajeitar-nos conosco mesmos e com os outros?
O evangelho de Lucas (24,13-35) apresenta um relato que pode facilitar a lida com os desencantos da existência. Um primeiro aspecto indica que os protagonistas caminhavam decepcionados por causa de um grande sonho frustrado: esperavam um rei poderoso, forte, imponente, mas, o que encontraram em Jesus Cristo foi apenas um servidor humilde que convocava as pessoas a se envolver na construção de um reino novo, o reino de Deus. Por outro lado, em vez da ostentação de glórias, foi morto como subversivo, para os romanos, e, como deturpador da religião, para os judeus.
O aspecto interessante é que, apesar das tristezas e das dúvidas, a fé fragilizada dos jovens Emaús, ainda continuaram a caminhar. Dali decorreu o fato inusitado: reconheceram Jesus, ao fazerem recordação dos caminhos percorridos e dos percalços encontrados. Ao efetuarem a síntese, redescobriram razões para continuar caminhando. Partilharam a ousadia dos sonhos acalantados, mas, ao reconsiderar os fatos da forma amiga de Jesus Cristo, recuperaram especial fonte de alegria e serenidade.
A releitura do passado tornou-se, portanto, uma experiência que alargou a “razão fundante da fé”. Esta força renovadora fez com que continuassem andando, mas, com uma característica totalmente nova e distinta: passaram a ser alegres anunciadores da Boa Nova.
Os saudosismos estéreis e paralizadores ficaram para trás e eles encontraram motivações novas e redobradas forças para viver e partilhar uma mensagem de alegria.
Na fração do pão, símbolo da Eucaristia, os discípulos de Emaús aprofundaram sua fé.
Nós vivemos um discipulado parecido. Certos sonhos ideologizados frustram e machucam nossos sentimentos afetivos básicos. Todavia, quando “caminhamos” ao encontro de pessoas e reinterpretamos com elas os desencantos, facilmente ocorrem rápidas intuições de síntese que nos levam a continuar andando, e, com a peculiaridade da alegria no lugar das amarguras do coração.

Bom seria se nossa participação em encontros eucarísticos também pudesse despertar, ao lado da memória de Jesus Cristo, a memória dos nossos aparentes ou reais fracassos, e, ainda assim, facilitar a necessária síntese para que o núcleo da fé continue a mover-nos para além de alguns sonhos induzidos que decepcionaram. O que importa é a recuperação da alegria!

Os homens de vermelho



Dos antigos ataques flibusteiros,
Aos modernos atos guerrilheiros,
Persiste a prepotência crassa,
Da ignóbil e sórdida devassa.

Os homens fardados de vermelho,
Respeitados por apagar incêndios,
Depois da triste sina de Santa Maria,
Querem saber mais do que compêndios,
Na obstinada validação do seu Conselho.

Auferidos de um poder tirano e devasso,
Agem afoitos e encantados pelas propinas,
Ao impor sobre a população as duras sinas,
Do seu pendor despótico e do poder crasso.

Se a farda representa poder,
Por que tanta prepotência,
Diante da minudência,
Do pretenso casuísmo,
Em nada a se esmaecer?

Ineficientes no controle do que abarcam,
E distantes da cordialidade elementar,
Agem bem insensíveis no que demarcam,
Impedindo que algo se possa acrescentar.

Das muitas exigências que imputam,
Sobram as incontáveis reclamações,
Dos que com muita dureza labutam,
Renegados e sem acesso a apelações.




<center>FENÔMENOS CLIMÁTICOS</center>

  Cada vez mais seguidos e intensos, Causam mortes e pavores imensos, E tudo leva a crer que os culpados, São os humanos com atos er...