Homem afeiçoado a bulício,
Sinaliza sintomático indício,
Dum declínio da sua função,
Por favorecer sua interseção.
Símbolo do homem público,
Desempenha papel cômico,
Na lida moral da sua razão,
Mas, feito o dono da função.
Manda e vota na noite escura,
Na hora avançada da diabrura,
Para anistiar colegas infratores,
E agradar grupos exploradores.
Fruto da intimidade solipsista,
Longe da consciência altruísta,
Situa-se entre seus similares,
A desfrutar dos mesmos ares.
Empreendedorismo autoritário,
Preenche o seu gosto salafrário,
Pois, a democracia estabelecida,
Não enseja a vantajosa guarida.
Propício para a ampla corrupção,
Não liga para honesta reputação,
Porque atual queda ético-moral,
Oferece larga liberdade cultural.
Sabe justificar os males públicos,
Fenômenos impessoais abúlicos,
Para focar desejo de condomínio,
Alinhado ao seu mórbido fascínio.
Mesmo representando o Estado,
Fita seus olhos para o outro lado:
Salvar o investimento particular,
E com ele, muito dinheiro lucrar.
Homem de fé no seu condomínio,
Domestica apelo ao seu raciocínio,
De não dar espaço para estranhos,
E nem ver seus visados arreganhos.
Pouco lhe importa a fraternidade,
Muito agrada fratricídio à vontade,
No cultivo da aversão à aporofobia,
Da sua rígida e neoliberal filosofia.
Muito mais que ampliar cidadania,
Protege seu grupo com a maestria,
Para que os muros de condomínios,
Protejam os ricos e seus domínios.
Fascinado com o poder autoritário,
Do compadrio do serviço ordinário,
Importa-se essencialmente consigo,
Para ficar muito distante de inimigo.
Manipula os fatos para a persuasão,
De que seu serviço constitui solução,
Com um reacionarismo de ditadura,
Contra hodierno estado de amargura.
Aprendeu a dissimular sua covardia,
E vê violência armada com nostalgia,
Para estabelecer progresso e ordem,
Num pressuposto caos da desordem.
Alegre com cadáveres amontoados,
Justifica violência de bons soldados,
Como ato de proteção a indefesos,
Para deixá-los bem seguros e ilesos.
O empreendedorismo do particular,
Para acumulação egóica e singular,
Sem nada para o Estado e o pobre,
Porém, tudo quer para elite nobre.
Uma identidade comum e coletiva,
Abriria risco para a dura invectiva,
De socialização dos lucros obtidos,
Para incontáveis vadios e excluídos.
Os meios, para bulimia de poucos,
Requerem anorexia de amoucos,
Que oferendem votos preciosos,
Para ficarem distantes e ociosos.
Almeja apenas grandes negócios,
E proeminência dos agronegócios,
Neste limbo sem arbitrariedades,
Das protegidas e ricas sociedades.
Longe de favorecer a diversidade,
Deseja só monocrática sociedade,
Norteada por avanço tecnológico,
E aquele jeitinho todo fisiológico.
Toda barbárie no meio do povão,
Difundida e propalada à exaustão,
Justifica utilização de arma bélica,
Ante comunista ação psicodélica.
Adora usar a palavra “terrorista”,
Como o pior inimigo anarquista,
A ser perseguido e, destroçado,
Sem deixar rastro do seu legado.