quarta-feira, 30 de novembro de 2016

Cataclismos



Ao lado dos cataclismos da natureza,
Eivados de ação superior em grandeza,
A condição da sobrevivência humana,
Vive de imprevistos que a desengana.

Enquanto o macro-cosmos interpela,
Com riscos de devastação sem trela,
O micro-cosmos do corpo humano,
Vive forte turbulência e desengano.

Não só o equilíbrio dos sub-sistemas,
Enfrenta crises claudicantes e dilemas,
Pois o psiquismo mórbido e abalado,
Cria disfunções no sistema integrado.

Como relações de sustentação afetiva,
Não são perenes, nem de ação efetiva,
Obrigam a lidar com perdas e a recriar,
Inovadores vínculos para não desandar.

Também os sonhos ficam atordoados,
Com frustrações para todos os lados,
E para não alentar-se na estagnação,
Requerem inovados projetos de ação.

Nas reorganizações dos pensamentos,
Nem tudo concorre aos bons intentos,
Pois a antecipação dos riscos e efeitos,

Derruba e retorce de incontáveis jeitos.

terça-feira, 29 de novembro de 2016

Solicitude



Raras como espécies em extinção,
São pessoas elevadas na distinção,
De manifestar cortesia e gentileza,
Para propiciar condições de leveza.

Escassas são as pessoas diligentes,
Que não aspiram ares precedentes,
No afã de seus dedicados serviços,
A não se enrolar nos seus enguiços.

Sumida também está a boa vontade,
De propiciar com explícita bondade,
A melhor atenção e zeloso cuidado,
Para que outros sintam bom legado.

Perdidos se encontram os cuidados,
Pelos eco-sistemas tão desandados,
Para protegê-los com gestos zelosos,
E deles desfrutar elementos gozosos.

Extraviadas também estão autoridades,
Não ocupadas visando suas saciedades,
E diligentes para tirar da nossa nação,
O sofrimento advindo da estagnação.

Até nas lidas religiosas anda sumida,
A solicitude tão apreciável e querida,
Capaz de focalizar um bom fim alheio,
Sem sorrateiro e mancomunado enleio.


sexta-feira, 25 de novembro de 2016

Medos e utopias



            Diante dos muitos profetas da desgraça, sabemos que a grande maioria sequer merece crédito; mas, há cientistas sérios, que nos fazem pensar sobre o modo como lidamos com o planeta. Stephen Hawking já preconizou uma porção de situações alarmantes para chamar atenção de que a Terra merece tratamento mais digno do que está recebendo. Nesta semana nos brindou com a conclusão de que, no atual ritmo, a Terra sobreviveria no máximo mil anos.
            Assim como há fatores que despertam medos e inseguranças para o futuro, há também proliferação de incontáveis utopias messiânicas. Umas são meramente sensacionalistas. Outras decorrem de uma leitura consciente da memória política, econômica e militar.
            Para os cristãos a utopia que mobiliza para tempos melhores, está em captar a melhor aproximação possível do que Deus deve estar esperando da nossa condição humana: não estragar este belo paraíso. Naquilo que já foi degradado, ainda resta esperança de que novas políticas possam desacelerar o processo entrópico do planeta, movido pela ambição humana e que acelera seu processo de penúria rumo ao fim definitivo. Stephen Hawking aponta a necessidade de encontrar outros planetas para a sobrevivência humana; mas, atinente ambição humana levará outros planetas ao mesmo desfecho trágico da Terra.
            Pouco ou nada adiante entrar em desespero diante do pior possível, mas, a vigilância cristã nos convida a uma ação efetiva para agir e fazer alguma coisa que está ao nosso alcance em função de um relacionamento mais afetivo, respeitoso e menos ambicioso.
            Assim, nossa perspectiva do aguardo do Senhor que vem, não se constitui nem em pânico e nem em inércia de esperar que ele resolva os problemas humanos. Mas, o importante é que o foco do final que aguardamos nos leve a agir positivamente e, o referencial de Jesus Cristo nos serve de caminho e referência a ser seguido. Não é um caminho fantasioso e irrealizável, mas, a irrupção concreta do jeito de Deus manifestado em Jesus Cristo. Trata-se de uma utopia plena e racionalmente viável.
            Nesta esperança messiânica é que podemos alimentar boas expectativas, apesar de fatos humanos que nos assustam e nos desanimam, em alguns momentos, a respeito do êxito da bondade diante das maldosas crueldades humanas.
            Podemos, pois, diante do que esperamos para o fim da vida, não apenas projetar a utopia do que aguardamos, mas, também agir ordeira e conscientemente para que este fim desejado se alargue no meio da condição humana.

            Na antiga imagem bíblica do monte santo de Deus, desejamos nós, que a presença de Deus entre nós, permita agir sem o alvoroço de pânicos e de supostas desgraças.

quinta-feira, 24 de novembro de 2016

Cantilena nostálgica



Na viola das cordas frouxas,
Ladeada com tantas trouxas,
Os sons lentos e lamuriosos,
 Repercutem pouco graciosos.

Hinos de uma espera mágica,
Para mudar uma vida trágica,
Do Espírito tão eficaz na ação,
Sustentam passiva resignação.

As cantilenas tristes e repetidas,
Parecem acalantar boas medidas,
A promanarem de alturas celestes,
Para ações eficazes e incontestes.

Pede-se muito ao Espírito Santo,
Para livrar a vida do desencanto,
E canta-se insistente aclamação,
Sem um caminho de libertação.

Já não ecoa um estado da alma,
A desejar uma força que acalma,
Para eficaz lida com problemas,
E conquistar outros emblemas.

Se mantras ecoam nas cantigas,
Para acalantar imagens antigas,
Talvez falte o olhar do sentido,
Para superar o tempo aturdido.


quarta-feira, 23 de novembro de 2016

Lampejos de esperança



Quando pouca coisa alenta,
Nesta lida árida e sedenta,
Ecoam clamores vigorosos,
Pelos serviçais prestimosos.

As ponderadas regras justas,
Às duras e demoradas custas,
Apontam lampejos de juízo,
Aos pobres do triste prejuízo.

Iludidos pelos fautores da lei,
Passivos no meio da sua grei,
Já cansados de esperar justiça,
Continuam vítimas da cobiça.

Alguns já transcendem a sina,
Do que a oficialidade ensina,
E clamam pelos seus direitos,
Perante institucionais defeitos.

Mesmo assim, a velha mania,
Os atrela à cruel cleptomania,
Do silencio pelo voto vendido,
Ao esperto não comprometido.

O dia em que uma palavra dada,
Não requer pagamento de nada,
Um voto de confiança auferido,
Poderá elidir corrupto atrevido.




terça-feira, 22 de novembro de 2016

Cavalo da fantasia



Coisa que eu tanto queria:
Ter um cabo de vassoura,
Como cavalo da alegria,
E com força duradoura.

Andar por belos caminhos,
De leveza e luz fantasiosa,
Sem obstáculos daninhos,
E sem disputa imperiosa.

Marchar, trotear e correr,
No vigoroso afã do sonho,
Do cabo roliço a percorrer,
Caminho nada enfadonho.

Da bela missão exuberante,
De galopar em mundo real,
A fantasia nada extenuante,
Criava um belo referencial.

O cantar vindo da empolgação,
Captava da natureza vicejante,
Rica sintonia de divina ação,
Ao hábil cavaleiro viajante.


Feliz, laçava valentes animais,
E amestrava seu cavalo veloz,
A energetizar as forças vitais,
Para uma lida nada atroz.








segunda-feira, 21 de novembro de 2016

Tsunamis emocionais



Como ondas quebram sua normalidade,
Com efeitos de devastação e fatalidade,
A homeostase das emoções agradáveis,
É surpreendida por fatos desagradáveis.

Os imprevistos que devastam emoções,
Aparecem como as repentinas monções,
E ao encharcarem toda firmeza do chão,
Afundam a estabilidade sem compaixão.

Neste desconfortável infortúnio mental,
Um perfil de insegurança monumental,
Anda solto pelo sentimento dilacerado,
Sem apontar para viável luz de agrado.

A reorganização das novas motivações,
Nem sempre encontra boas inovações,
Para substituir as perdas tão preciosas,
Por outras razões de apostas exitosas.

A dor dói mais quando o desmonte,
Veio de maldoso e traçado vergonte,
Que articulou e efetuou a devastação,
Somente para favorecer sua ambição.

Nesta trágica condição resta esperar,
Que a reconstrução ajude a prosperar,
Para que as outras similares a ocorrer,
Oportunizem forças para não morrer.



<center>FLIBUSTEIRO ALTRUISTA</center>

  Metido a herói humanitário, Está aí um sujeito salafrário, Desonesto por sua natureza, Aparentando lídima inteireza.   Acusa p...