segunda-feira, 7 de novembro de 2016

Ares poluídos



Ao lado de naturais fatores alergênicos,
E doentios psiquismos esquizofrênicos,
Viramos reféns da incontida ambição,
Que avança em eivosa procrastinação.

O desejo de expansão e de conquista,
Leva a misturar tudo quanto se avista,
Para ampliar mais o poder dominador,
Sem consciência do efeito devastador.

Quando os ares repletos de nutrientes,
São aturdidos com químicas poluentes,
O que poderiam respirar os seres vivos,
Reféns deste ar que os deixa inativos?

No torpor dos efeitos desta vil ambição,
Rareiam os que não sofrem de inanição,
E sejam capazes de uma ação organizada,
Para possível mudança da vida execrada.

Quando o ar inalado da morte sorrateira,
Vai desequilibrando de forma derradeira,
A antevisão de melhores dias pela frente,
Deixa tristes ares do humano padecente.

Que os odores das plantas florescentes,
Tão variados para enaltecer as mentes,
Possam agir de forma efetiva e eficaz,
Para uma tecnificação mais perspicaz.




sexta-feira, 4 de novembro de 2016

Alegria confortante



Quando um estado de alma expressa,
Mais que novidade e beleza impressa,
Cativa um vasto espaço e nele irradia,
Uma sensibilidade fulgurante e sadia.

No bem do outro se contagia a vida,
Que expande e vitaliza forças da lida,
E numa magia que espanta o amasso,
Permite não sucumbir com o fracasso.

Na jovialidade da alegria vitalizadora,
Aparece sempre a solução inovadora,
Que impregna de bom ar o ambiente,
E muda o mau-humor do descontente.

A alegria também perpassa o passado,
E dele extrai o melhor do seu legado,
Para apontar que no futuro iminente,
Pode ocorrer bem-estar com a gente.

Quando a memória se torna agradecida,
Diante dos fatos de grandeza esmaecida,
As expectativas absorvem certezas vitais,
Para tantas experiências de belos editais.

Na iminência de outra vez recomeçar,
O desejo de boa pertença volta a coçar,
Na sensibilidade de novas proposições,
Para desabrochar brilhantes condições.








Suborno religioso



Nas oferendas por gestos de gratidão,
Voltam sinais de velha procrastinação,
Da tentativa de subornar a divindade,
Para persistir no efetuado à saciedade.

A justiça divina certamente é distinta,
Do vício humano da obsessão faminta,
Da oferta de um pouco do apropriado,
Que em negócio deixou o outro logrado.

O pouco da grandeza desleal dos bens,
Não persuade a Deus e a outros reféns,
Porque viraliza muito mais o suborno,
Sem mudança sob a bênção de retorno.

Cresce inescrupulosamente a usurpação,
Que recorre aos itinerários duma religião,
Na convicção de boas relações com Deus,
Para persistir no suborno de amigos seus.

Esta esparramada justiça das aparências,
Espalhada como virose das indecências,
Mina espaços de agregações religiosas,
E ilude nas posturas de ações piedosas.

O convencimento duma justiça exemplar,
Para outros poderem fitar e contemplar,
Incide no logro, com persuadido engano,
De supor religioso um ato vil e profano.






Discussões sobre questões de fé



            Como nos tempos de Jesus Cristo, persistem, em nossos dias, muitas questões polêmicas a respeito do que esperamos a partir da nossa fé. E quando o assunto envolve realidades que vão para além da morte, o antagonismo pode não só referir-se a outros credos, ou a credos cristãos diferentes, mas, também separa em posturas opostas a visão de movimentos e pastorais no interior de uma comunidade cristã.
             Em muitos destas agremiações os desencontros começam a decorrer, já a partir de uma concepção teológica, quer tradicional, mais fundamentalista, essencialista ou aberta aos novos tempos, quer hermenêutica ou de perspectiva da teologia evangélica norte-americana a ocupar espaços amplos no interior da Igreja Católica.
            Um caso ilustrativo, do tempo de Cristo, foi a da tradição dos saduceus. Eles queriam ser literalmente fiéis a costumes do Pentateuco, em vigência há muitos séculos. Em razão da crença, eles valorizavam apenas a ressurreição biológica como prolongamento da vida, isto é, que a vida de uma pessoa prosseguiria na geração dos filhos e se ampliaria para a descendência. Por isso, eram rígidos na observação de gerar filhos e, caso alguma mulher ficasse viúva antes de gerar filhos, ela deveria ser assumida por um cunhado e ter muitos filhos com ele.
            Jesus apresentou uma perspectiva totalmente inusitada e nada atrelada às questões biológicas, nem tampouco as relativas a recompensas por terem gerado muitos filhos e assim repousar em paz, mas, reforçou uma crença que se desenvolveu algumas décadas antes a partir da violenta perseguição dos selêucidas feita aos judeus e que matou muitos jovens que ainda não tinham gestado filhos. Neste caso, Deus seria injusto por permitir que sua vida não se expandisse numa descendência. Os macabeus sobreviventes da perseguição selêucida deduziram que todas as pessoas iriam ressuscitar depois da morte, porém, nem todas para a vida mais plena, pois, se a vida daqui da Terra tivesse sido maldosa, iriam para a condenação eterna.
             Como Jesus justificou esta perspectiva, abriu polêmicas para além dos fariseus, uma vez que, também a aristocracia sacerdotal se fundamentava no conceito antigo do Pentateuco, porque este lhes oferecia uma série de vantagens. Na polemização, Jesus mostrou que a concepção de ressurreição dos saduceus e sacerdotes estava desfocada, uma vez que não se trata de reativação da vida que se levava aqui na Terra, mas, uma realidade de radical transformação da vida. É como uma semente plantada. Aparentemente, ela apodrece, mas a vida desta semente se transforma profundamente com possibilidade de gerar muitas sementes...

            Oxalá que em nossos dias os interesses não se sobreponham às virtualidades de transformações profundas para experiências de fé mais elevadas e respeitosas e dignas de uma esperança na qual se possa apostar a razão última da vida!

quinta-feira, 3 de novembro de 2016

Arvoredo



Tão encantador pelo conjunto,
Torna-se um peculiar assunto,
No epicentro dos sentimentos,
Onde desperta encantamentos.

A beleza esconde duras labutas,
De avanços e ferrenhas disputas,
Para o alcance de maior espaço,
Do oxigênio para o belo regaço.

Sob a terra, seivas exuberantes,
Sofrem uma guerra beligerante,
Das raízes em lutas interesseiras,
Para ostentar copas alvissareiras.

Na silenciosa trama de avanços,
Guerra interminável com ranços,
Leva a avançar sobre os espaços,
Sem o respeito para os rechaços.

Como tantos sorrisos acolhedores,
Escondem os seus reais pendores,
Pois, tramam, enleiam e sufocam,
E apenas sobre avanços se focam.

A humana lida de tantos encantos,
Repete algo parecido em recantos,
Nada visíveis ao estado consciente,
Sufocador de imensidão padecente.






quarta-feira, 2 de novembro de 2016

Paraíso andarilho



Da saudade romântica de um tempo,
Em que a harmonia fluía como vento,
Ao sonho fugidio do desejo capitalista,
Reina a frustrada busca sem conquista.

O anelo de bom substrato de valores,
Encontra tantos envolventes pendores,
Que nem sagrados preceitos sustentam,
O alcance dos patamares que intentam.

Nas buscas de condições gratificantes,
Advindas dos anseios mais edificantes,
Mescla-se poder tacanho e endeusado,
Que perverte o bom-senso e seu legado.

Até líderes religiosos no afã do fervor,
Nada humildes se aferram no pundonor,
De muito persuadir para sua hegemonia,
Sem a discreta serviçalidade da diaconia.

Assim os dias passam e os fatos crassam,
Tênues anseios de felicidade que passam,
E a mente desejosa dum respeitoso trato,
Vê-se às voltas de um itinerário ingrato.




terça-feira, 1 de novembro de 2016

Deus das prateleiras



Minimizado na sua grandeza criadora,
E refém fornecedor de loja promissora,
Cabe-lhe propiciar produtos eficientes,
Que fiéis pedem como estupefacientes.

Devotos e evangelizados para consumir,
Tudo quanto se possa querer presumir,
Os piedosos esperam o poder agregado,
Dum imagético colorido que é desejado.

Precisa ser lindo, simpático e hiper-real,
Para proporcionar o efeito sensacional,
De sedar causticantes mágoas subjetivas,
A fim de impressionar e agradar convivas.

O Deus balconista nada necessita dizer,
Basta que obedeça, e, rápido no afazer,
Proporcione sem delongas o solicitado,
Para ensejar ao pedinte um rico agrado.

Ele não precisa querer pedir conversão,
Já que o pedinte espera nova concessão:
A de fruir tudo quanto o desejo aponta,
 Sem cobrança de prestar alguma conta.

Na psicopatia coletiva de fitar ambições,
Nada importam as passadas recordações,
Que ativam a consciência da auto-crítica,
E indicam inovações de projeção política.

Tampouco importa reconhecer omissões,
Já que a oferta do sagrado de promissões,
Perdoa, no lenitivo prazeroso de degustar,

Com fino sabor da sensação de bem-estar.

<center>FLIBUSTEIRO ALTRUISTA</center>

  Metido a herói humanitário, Está aí um sujeito salafrário, Desonesto por sua natureza, Aparentando lídima inteireza.   Acusa p...