Seu canto melancólico por encontro,
Coloca-o no alvo para o desencontro,
Pois, no ermo das moitas e macegas,
É alvejado para as violentas
refregas.
Seu canto lembra sua carne saborosa,
E por isso, cai na vista sem
polvorosa,
Para ser espantado pelos cachorros,
E abatido pelos indivíduos mazorros.
Discreto, inofensivo e nada predador,
Vive bem escondido e cheio de pavor,
Mas, traído pelo seu canto
interativo,
Morre sem socialização dum lenitivo.
Viveu solitário e morreu por um gosto,
De fruição vistosa do seu corpo
exposto;
Alguém pergunta pela liberdade
tolhida,
Que ceifou a sua discreta e ilibada
vida?
O olho ambicioso do sistema
utilitarista,
Cuida gato e cachorro de modo
ufanista,
Mas mata com o requinte de crueldade,
O que deseja para sua exótica
saciedade.
Teria o perdigão anelado por
felicidade,
Assim como os humanos por saciedade?
Paradoxais humanos sugam e exaurem,
Insensíveis a que animais se
assegurem.
Na mesma lida possessiva e
espoliadora,
Humanos, cachorros de caça predadora,
Armados até os dentes perseguem
pistas,
Para matar similares em suas
conquistas.
Perversa e anacrônica educação guerreira,
Para muitos e letais cartuchos na
algibeira,
Esvazia a mente do jovem de valor da
vida,
Para ser herói no altar da pátria
denegrida.
Recebe honra póstuma de triste
memória,
E sua idealizada grandeza de muita
glória,
Subsome no humus da terra engolidora,
Sem somar qualidade à vida
renovadora.
A domesticação entrópica para a
morte,
Leva incontáveis seres humanos à
sorte,
De vida estúpida com morte sem
sentido,
Sem transcendência no humano decaído.