terça-feira, 18 de agosto de 2015

Santidade enganosa



Já constituída em patologia social,
Emerge novidade no meio eclesial,
Em torno dos milagres abundantes,
E contornos mórbidos exuberantes.

Os alucinados, ciosos do poder especial,
Proclamam-se arautos sem referencial,
E metidos a pobres mendigos de afeto,
Presumem precedência sobre desafeto.

Seu desajustado complexo messiânico,
Incita-os a duro combate ao satânico,
Que não passa de sentimento de culpa,
A disfarçar-se em esfarrapada desculpa.

A argumentação pós-milagre é tamanha,
Que em nada disfarça a ambição tacanha,
De ascender ao poder de muitas honrarias,
Sem as efetivas mudanças para melhorias.

Querem orientar o caminho da salvação,
E dizer o que precisam para a diária ação,
Com piedades formais e já ultrapassadas,
Que deixam as causas sociais relegadas.

Sua santidade de sustentação emotiva,
Longe duma interpelação convidativa,
Bloqueia dinâmica lida a favor da vida,
E vira uma estática piedade denegrida.
 





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