Em tempo de corpo estetizado,
Com novidades para todo lado,
Importa um imagético atraente,
Simpático e de feição contente.
Cremes, tinturas, bricolagens,
Tudo a ostentar belas imagens,
Leva a apreciar a exterioridade,
Sem ver sinais da interioridade.
O cerne da adoração é beleza,
Para tornar visível uma alteza,
Para focos espetacularizados,
Dos expectadores fascinados.
Tal novidade no traço cultural,
Eleva valor ao templo triunfal,
Com mármores, pedra e artes,
Para os sedutores estandartes.
Tudo deve ser leve e deslizante,
Fácil, rápido e mui empolgante,
Sem crise de fé a ruir o templo,
E sem algum gesto de exemplo.
Se Templo prima suntuosidade,
Pouco importa vida e santidade,
Mas, um saudosismo nostálgico,
Que propicia o efeito antálgico.
Templo das aparências vistosas,
Desvia foco de vidas dolorosas,
E com os interiores esvaziados,
Clamam pelos gestos sagrados.
O deus dos aparatos suntuosos,
De templos dourados e vistosos,
Destruídos pelos atos de guerra,
Ensejam valor a templo da terra.
Templo indicado por Jesus Cristo,
Indicou o corpo do agir benquisto,
Como o belo templo a ser erigido,
Sobre a resignação, sem o alarido.
Íntimo do ser humano esvaziado,
Requer o templo de novo legado:
O caminho árduo, bem conflitivo,
No jeito de Cristo, como lenitivo.
Nada de discursos mirabolantes,
E, sem triunfalismos alienantes,
Mas, um testemunho humilde,
Que, com a bondade, se molde.
O Templo mirabolante é frágil,
Mas a força da esperança é ágil,
Para mudar vazia corporeidade,
Em presença da divina bondade.
Bondade deste Deus envolvente,
A encantar no interior padecente,
A adoração de espírito e verdade,
Que santifica a humana realidade.
Num corpo negado e reprimido,
Sob o aparato exterior aturdido,
Clama o olhar sofrido e anelante,
A ser fruído com o gesto galante.
Mais que lamentar templo caído,
Convém foco no interior esvaído,
Sem sinais visíveis do Deus bom,
Pois, ali, clama como divino dom.
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