sábado, 15 de novembro de 2025

SUNTUOSIDADE E MISERICÓRDIA

 


Em tempo de corpo estetizado,

Com novidades para todo lado,

Importa um imagético atraente,

Simpático e de feição contente.

 

Cremes, tinturas, bricolagens,

Tudo a ostentar belas imagens,

Leva a apreciar a exterioridade,

Sem ver sinais da interioridade.

 

O cerne da adoração é beleza,

Para tornar visível uma alteza,

Para focos espetacularizados,

Dos expectadores fascinados.

 

Tal novidade no traço cultural,

Eleva valor ao templo triunfal,

Com mármores, pedra e artes,

Para os sedutores estandartes.

 

Tudo deve ser leve e deslizante,

Fácil, rápido e mui empolgante,

Sem crise de fé a ruir o templo,

E sem algum gesto de exemplo.

 

Se Templo prima suntuosidade,

Pouco importa vida e santidade,

Mas, um saudosismo nostálgico,

Que propicia o efeito antálgico.

 

Templo das aparências vistosas,

Desvia foco de vidas dolorosas,

E com os interiores esvaziados,

Clamam pelos gestos sagrados.

 

O deus dos aparatos suntuosos,

De templos dourados e vistosos,

Destruídos pelos atos de guerra,

Ensejam valor a templo da terra.

 

Templo indicado por Jesus Cristo,

Indicou o corpo do agir benquisto,

Como o belo templo a ser erigido,

Sobre a resignação, sem o alarido.

 

Íntimo do ser humano esvaziado,

Requer o templo de novo legado:

O caminho árduo, bem conflitivo,

No jeito de Cristo, como lenitivo.

 

Nada de discursos mirabolantes,

E, sem triunfalismos alienantes,

Mas, um testemunho humilde,

Que, com a bondade, se molde.

 

O Templo mirabolante é frágil,

Mas a força da esperança é ágil,

Para mudar vazia corporeidade,

Em presença da divina bondade.

 

Bondade deste Deus envolvente,

A encantar no interior padecente,

A adoração de espírito e verdade,

Que santifica a humana realidade.

 

Num corpo negado e reprimido,

Sob o aparato exterior aturdido,

Clama o olhar sofrido e anelante,

A ser fruído com o gesto galante.

 

Mais que lamentar templo caído,

Convém foco no interior esvaído,

Sem sinais visíveis do Deus bom,

Pois, ali, clama como divino dom.

 

 

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